Actualidades en Psicología, 36 (133), julho-dezembro, 2022, 1-12  
DOI: 10.15517/ap.v36i133.43470  
ISSN 2215-3535  
Universidad de Costa Rica  
Estratégias de coping adotadas pelos profissionais de  
saúde durante a pandemia da COVID-19  
Coping Strategies Adopted by Health Professionals during the COVID-19 Pandemic  
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Ricardo Neves Couto 1  
Clara Lohana Cardoso Guimarães  
Patricia Nunes da Fonsêca 2  
Emerson Diógenes de Medeiros 5  
Jefferson Luiz de Cerqueira Castro 3  
1, 3, 5 Departamento de Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Brasil  
2, 4 Departamento de Pós-graduação em Psicologia Social, Universidade Federal da Paraíba, Brasil  
1
2
3
4
5
Recibido: 13 de agosto de 2020. Aceitado: 15 de junho de 2022.  
Resumo. Objetivo. Objetivou-se conhecer as estratégias de coping adotadas pelos profissionais de saúde durante  
a pandemia da COVID-19. Método. Pesquisa de desenho exploratório. Participaram 155 profissionais de saúde  
do nordeste brasileiro, em sua maioria do Piauí (39.1%) e Ceará (22.5%), com idade média de 33.26 anos (DP =  
7.94) e do sexo feminino (68.2%). Resultados. Por meio de uma Classificação Hierárquica Descendente (CHD), o  
corpus principal se segmentou em duas ramificações: “Classe 1: suporte socioemocional e espiritualidade” e “Clas-  
se 2: atividades de entretenimento”, mostrando que os profissionais utilizavam estratégias de coping com foco  
no problema e na emoção. Aponta-se a importância do contato social, espiritualidade e entretenimento para o  
bem-estar emocional.  
Palavras-chave. Profissionais de saúde, COVID-19, estratégias de coping, pandemia.  
Abstract. Objective. The objective was to know the coping strategies adopted by health professionals during  
the COVID-19 pandemic. Method. This was an exploratory research. The participants were 155 health profes-  
sionals (female 68.2, male 31.8) from northeastern Brazil, mostly from Piauí (39.1%) and Ceará (22.5%), and a  
mean age of 33.26 years (SD = 7.94). Results. Through a Descending Hierarchical Classification (CHD), the main  
corpus was divided into two branches: Class 1: Socio-emotional support and spirituality, and Class 2: Entertain-  
ment activities, showing that professionals used coping strategies with a focus on the problem and emotion.  
They pointed out the importance of social contact, spirituality, and entertainment for emotional well-being.  
Keywords. Health professionals, COVID-19, coping strategies, pandemic.  
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Tais sintomas, aliados ao desafio de enfrentar um  
vírus até então desconhecido, estão relacionados  
com a preocupação em preservar a própria saúde  
e a de entes queridos, podendo acarretar dificulda-  
des de concentração, alterações alimentares e no  
sono, e agravamento de quadros crônicos de saúde  
e das condições de saúde mental, o que pode le-  
var ao consumo de álcool e outras drogas (Centro  
disso, entre os profissionais da saúde é recorrente  
o medo de ser infectado e infectar familiares e ami-  
gos, o qual pode intensificar os níveis de estresse  
(Mayer et al., 2020). Assim, ressalta-se que frente ao  
contexto pandêmico, a atenção à saúde mental não  
pode ser negligenciada, visto que as repercussões  
psicológicas poderão se estender ao longo dos  
anos pós-pandemia (Ahorsu et al., 2020; Wang, Hu,  
Diante deste contexto, a população foi surpreen-  
dida por uma significativa sobrecarga psicológica  
que acarretou traumas coletivos (Garfin et al., 2020).  
Mas, o que dizer especificamente dos profissionais  
de saúde que trabalham diariamente sob estado de  
pressão e estresse, cuidando de pessoas contami-  
nadas e, por vezes, testemunhas de muitas mortes?  
Além disso, aliam-se a necessidade de trabalharem  
mesmo diante da escassez de equipamentos médi-  
cos, inexistência de tratamento específico eficaz e,  
em muitos lugares, o reduzido número de equipa-  
mentos de proteção, o que os levam a arriscar sua  
própria vida. Dito isso, questiona-se: que estratégias  
de coping estes profissionais utilizaram e utilizam  
para manter o equilíbrio psicológico e permanecer  
neste ambiente de cuidado, cura, e perda de vidas?  
Considerando o que foi relatado e a emergência  
da situação, todo esforço realizado neste período é  
de extrema valia para entender e controlar a doença  
(Wang, Horby, et al., 2020). Portanto, entende-se  
que estudar as estratégias de enfrentamento uti-  
lizadas pelos profissionais que trabalhavam na lin-  
ha de frente da COVID-19 é relevante pois, a partir  
dos resultados, pode-se ajudar a desenvolver ações  
junto aos trabalhadores que lidam diariamente com  
Introdução  
A pandemia da COVID-19 provocou mudanças  
inesperadas na vida social e privada das pessoas de  
todo o mundo e exigiu a adoção urgente de certas  
medidas na tentativa de conter a propagação do  
vírus como: mudança nos hábitos de higiene, qua-  
rentena, distanciamento social, isolamento em caso  
de suspeita de infecção e uso de máscaras (Ornell  
Halpern, et al., 2020). Por semanas e, até meses, a  
população de várias localidades, como, por exem-  
plo, o Brasil, precisou e ainda precisa permanecer  
em casa, afastada de seus afazeres laborais e con-  
vívio social, a fim de evitar a disseminação do vírus  
e possível contaminação. Por outro lado, os profis-  
sionais de saúde redobram seus esforços na linha  
de frente de hospitais, centros de atendimentos e  
ambulatórios para tentarem salvar vidas.  
De acordo com dados publicados pelo Institu-  
to Johns Hopkins (2020), no dia 11 de agosto de  
2020, o mundo registrou o número de 20.126.452  
casos confirmados e 737.285 mortes provocadas  
pela COVID-19. No Brasil, esses números chegam,  
na mesma data, a 3.057.470 casos confirmados e  
101.752 mortes. Quanto aos profissionais de saúde,  
uma reportagem da Folha de São de Paulo, veicu-  
lada em junho de 2020 , apresenta que, segundo  
dados publicados pelo Ministério da Saúde neste  
mesmo mês, os casos de profissionais brasileiros in-  
fectados pela COVID-19 contabilizaram 83.118 com  
169 mortes (Lopes & Coletta, 2020).  
Em vista disso, desde o decreto de pandemia da  
COVID-19, com a sua alta taxa de infecção e morta-  
lidade, muitos esforços têm sido direcionados para a  
criação de uma vacina eficaz e segura no combate ao  
vírus. Entretanto, as consequências sofridas com a e  
pandemia não se restringem apenas a aspectos físicos  
e biológicos, mas impactam também a saúde mental  
de todos os indivíduos, especialmente dos profissio-  
nais de saúde que são o grupo de maior risco dada a  
exposição direta ao vírus nos seus locais de trabalho, os  
quais têm relatado com frequência sintomas de medo,  
ansiedade, depressão e estresse (Liu et al., 2020).  
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de profissionais, uma vez que muitos encontram-se  
com a saúde física e mental comprometidas. Des-  
sa forma, houve a necessidade de mobilizar um  
elevado contingente de profissionais da saúde e  
colaboradores atuantes em diferentes locais (Oza-  
o estresse laboral e, deste modo, oferecer infor-  
mações e condições para que adotem estratégias  
eficazes de coping que lhes garantam uma melhor  
qualidade de vida. Desse modo, o presente estudo  
objetivou conhecer as estratégias de coping adota-  
das pelos profissionais de saúde durante a pande-  
mia da COVID-19.  
Nessa direção, os profissionais que não inte-  
rromperam seus serviços convivem diariamente  
com perturbações psicológicas que podem afetar  
o equilíbrio mental e, consequentemente, a moti-  
vação para trabalhar. O fato de ter que se ausen-  
tar da presença dos familiares por longos períodos,  
a elevada carga horária e o medo da transmissão  
para familiares e pessoas próximas, podem desen-  
cadear sentimentos de desamparo e estados emo-  
cionais disfóricos como: estresse, irritabilidade, fa-  
diga mental e desespero (Huang et al., 2020).  
Todo esse cenário com o medo do novo,  
ameaças de infecções e até mesmo de mortes,  
pode levar ao profissional de saúde que está na  
linha de frente a tomar a decisão de se afastar dos  
serviços, fato que dificultaria ainda mais o comba-  
te à COVID-19 e a situação dos serviços de saú-  
de no Brasil (Ornell, Schuch. et al., 2020). Assim,  
semelhante a outros casos de surtos de contami-  
nações, os efeitos psicológicos negativos são até  
mais propagados do que a própria doença (Ornell,  
Halpern, et al., 2020), fazendo-se necessário pen-  
sar em ações que preservem a saúde mental dos  
profissionais, os quais precisam sentir-se seguros  
para atender às demandas e manter o bem-estar  
psicológico (Xiao et al., 2020).  
Sendo assim, busca-se entender as estratégias de  
coping adotadas pelos profissionais que vivem sob  
tensão e estresse pela natureza do trabalho e pelo  
contexto de pandemia em que estão vivendo. De  
acordo com Antoniazzi et al. (1998), o coping diz res-  
peito a um conjunto de esforços, cognitivos e com-  
portamentais, que a pessoa utiliza para se adaptar  
a demandas específicas, internas ou externas, que  
são avaliadas como sobrecarga aos recursos pes-  
soais, ultrapassando as condições limites de cada ser  
humano. O coping tem a finalidade de minimizar o  
Pandemia da COVID-19: atuação dos profis-  
sionais de saúde e as estratégias de coping  
A COVID-19 é uma doença causada pelo vírus  
SARS-CoV-2, da família do coronavírus. Surgiu na  
China, em 2019, especificamente, na cidade de Wu-  
han, e teve uma rápida propagação de transmissão  
por todo o mundo, chegando a atingir, atualmen-  
te, 117 países (Li et al., 2020). Tal rapidez de disse-  
minação fez com que em 11 de março de 2020, a  
Organização Mundial da Saúde (OMS) decretasse si-  
tuação de pandemia. Os infectados pelo novo coro-  
navírus podem apresentar quadros clínicos de leves  
a severos. Neste último, exige-se atendimento espe-  
cializado de alta complexidade e, em alguns casos,  
o paciente pode chegar a óbito devido ao rápido  
Dado o alto teor de transmissão dessa infecção  
que se espalhou rapidamente e causou efeitos sem  
precedentes no mundo (Sloan et al., 2020), sobre-  
tudo por meio do contato social, as formas mais  
eficazes para evitar ou diminuir a propagação do  
vírus é a higienização adequada das mãos, o uso de  
máscaras, o distanciamento e isolamento sociais, e a  
quarentena. Assim, a pandemia não trouxe apenas  
o risco de morte, mas também uma sobrecarga psi-  
cológica, principalmente pelo impedimento de man-  
ter relações sociais (Duan & Zhu, 2020), acarretando  
prejuízos no âmbito social, econômico e psicológico,  
tais como ansiedade, preocupação financeira, soli-  
dão e estresse (Taylor et al., 2020; Tull et al., 2020).  
No Brasil, devido ao grande número de conta-  
minados pela COVID-19, as instituições de saúde  
ficaram superlotadas e os profissionais de saúde  
esgotados, tanto pelo número de pacientes vítimas  
da COVID-19, quanto pela diminuição do quadro  
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filmes, fazer alguma atividade física, tomar tranqui-  
lizante, tomar alguma bebida para relaxar, etc.; e b)  
focar no problema e ter a função de reestruturar  
cognitivamente a demanda, ou seja, tentar modifi-  
car a situação que deu origem ao estresse, buscan-  
do alterar a relação entre a pessoa e o ambiente.  
Ou seja, a pessoa procura estratégias que permitam  
negociar com as “situações problemas” a fim de re-  
solver o conflito interpessoal ou solicitar ajuda de  
outras pessoas.  
A escolha pelo uso das estratégias (focada na  
emoção ou no problema) depende de uma ava-  
liação prévia da situação estressora por parte do  
indivíduo que pode se dar de duas formas: a) pri-  
mária, quando a pessoa avalia o risco envolvido na  
situação estressante; e b) secundária, quando se  
avaliam os recursos disponíveis e as possibilidades  
que tem para lidar com o problema. Caso o indiví-  
duo avalie que a situação é modificável, opta pelas  
estratégias de coping focadas no problema, caso  
contrário, prefere as estratégias focadas na emoção  
(Folkman & Lazarus, 1980). Logo, considera-se  
como um processo ativo que resulta da avaliação  
que o indivíduo faz da relação entre si e o ambiente  
Isso posto, estudos com profissionais de saú-  
de apontam que conviver com o sofrimento do  
próximo e manter relações salutares no ambiente  
laboral requerem do indivíduo capacitação e es-  
tratégias para superação das dificuldades, princi-  
palmente pelo fato de que as estratégias de coping  
podem atuar como fator de proteção para a Sín-  
drome de Burnout (Colossi et al., 2011). Em pesqui-  
sa realizada com 60 profissionais da área de saúde  
(psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais), de  
cinco hospitais gerais do interior do estado de São  
Paulo, a fim de identificar a presença de estresse e  
das estratégias de enfrentamento relacionadas à  
atuação profissional, encontrou-se que 51,6% dos  
profissionais de saúde apontaram estar estressa-  
dos, sobretudo em função da comunicação e do  
relacionamento com a equipe. Para tal, utilizavam  
com mais frequência as estratégias de resolução  
desgaste das situações estressantes e maximizar as  
condições que promovem o estado de bem-estar.  
No presente estudo será utilizada a perspectiva  
cognitivista de Folkman e Lazarus (1980), a qual  
abarca quatro conceitos fundamentais: a) o coping  
é um processo que ocorre entre o indivíduo e o  
ambiente; b) tem como função administrar a si-  
tuação estressora; c) o processo implica em uma  
avaliação pelo indivíduo de como a situação é per-  
cebida e interpretada, isto é, como é construída na  
mente da pessoa; e d) é um fenômeno que exige  
do indivíduo mobilização de esforços cognitivos  
e comportamentais para gerir de modo a reduzir,  
minimizar ou tolerar, as demandas advindas das  
situações que surgem no processo interativo com  
o ambiente.  
Dias e Pais-Ribeiro (2019) reúnem produções  
acerca da teoria proposta que evidencia uma pers-  
pectiva cognitiva e comportamental e sintetica-  
mente asseveram sobre a importância de serem  
utilizadas para se adaptar às circunstâncias adver-  
sas decorridas ao longo da vida. Tais estratégias  
possuem o potencial de impactar, de forma posi-  
tiva ou negativa, a saúde física e mental das pes-  
soas. Portanto, diante de situações estressantes, o  
indivíduo vai empreender estratégias de coping, ou  
seja, ações deliberadas que julgue possíveis e ne-  
cessárias para administrar as demandas.  
De acordo com Folkman e Lazarus (1980), as es-  
tratégias de coping apresentam um papel impor-  
tante no enfrentamento das dificuldades pelo in-  
divíduo. Contudo, estas estratégias são maleáveis,  
de modo podem ser modificadas dependendo do  
momento que se encontra o indivíduo durante o  
período da situação estressante. Conforme os au-  
tores, as estratégias podem ter duas funções distin-  
tas: a) focar na emoção e, nesse caso, ter a função  
de regular o estado emocional do indivíduo, visto  
que deverá estar alterado em virtude dos eventos  
estressores. Neste caso, as estratégias estão volta-  
das à redução da sensação desagradável do esta-  
do de estresse e, para isso, realizam atividades que  
possam lhe tranquilizar, como, por exemplo, assistir  
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de problemas e suporte social no enfretamento  
das adversidades (Maturana & Valle, 2014).  
enfermagem de uma unidade de terapia intensiva  
neonatal em um hospital privado do noroeste do  
Rio Grande do Sul, apontaram que as estratégias  
utilizadas pelos participantes voltam-se tanto à  
emoção quanto ao problema, levando-os à toma-  
da de decisão no intuito de resolver a situação es-  
tressora. Neste estudo, a estratégia mais utilizada  
foi o autocontrole, a qual impede comportamentos  
de ordem impulsiva e prematura, evitando atitudes  
precipitadas e os sofrimentos decorrentes destas.  
Além disso, destacaram também a importância da  
estratégia de fazer orações a fim de encontrar na  
espiritualidade apoio para a superação dos eventos  
estressantes. Resultados semelhantes vão ao encon-  
tro do que se obteve em estudo prévio, envolven-  
do 209 trabalhadores (28 enfermeiros, 174 técnicos  
e sete auxiliares em enfermagem), de um hospital  
privado do noroeste do Rio Grande do Sul, cujos  
fatores de coping mais utilizados foram reavaliação  
positiva, suporte social e resolução de problemas,  
com ênfase no aspecto religioso como refúgio para  
Diante das pesquisas apontadas anteriormente,  
percebe-se a relevância de conhecer as estratégias  
de coping adotadas pelos profissionais de saúde que  
estão na linha de frente no combate à COVID-19 a  
fim de ajudar a entender os recursos psíquicos e so-  
ciais que estão utilizando para se manterem equili-  
brados mentalmente neste contexto pandêmico, o  
que pode favorecer a motivação e segurança labo-  
rais. A seguir, será apresentado o estudo empírico  
que investiga o problema em questão.  
Com o objetivo de conhecer as estratégias de co-  
ping relatadas pela equipe de enfermagem atuan-  
te em um Centro de Tratamento ao Queimado do  
sul do Brasil, Antoniolli et al. (2018) realizaram uma  
pesquisa qualitativa com quatro enfermeiras e seis  
técnicas de enfermagem. Os resultados demons-  
tram que as profissionais utilizavam dois tipos de  
estratégias para evitar ou superar as situações es-  
tressoras: focadas no problema, buscando ações  
de reavaliação positiva da situação e, focadas na  
emoção, adotando ações voltadas para o extrava-  
samento emocional. Ademais, com base no mo-  
delo de coping que envolve o ambiente e as ca-  
racterísticas de personalidade, Colossi et al. (2011)  
identificaram as estratégias de coping utilizadas por  
profissionais de enfermagem do Centro de Terapia  
Intensiva, visto que é um contexto permeado por  
situações estressoras para o profissional. Os resulta-  
dos indicaram que tais profissionais utilizavam com  
maior frequência estratégias de reinterpretação po-  
sitiva, a qual se volta para a resolução do problema  
e favorece o equilíbrio emocional e uma maior rea-  
lização profissional (Carver et al., 1989).  
Outra pesquisa, buscando compreender as prá-  
ticas de coping adotadas por psicólogas de um  
Centro de Atenção Psicológica (CAPS) não-go-  
vernamental do interior de Minas Gerais, diante  
de indícios de sobrecarga de trabalho, utilizando  
uma entrevista semiestruturada, observou que as  
profissionais reconheciam o desgaste gerado pelo  
trabalho e utilizavam estratégias tanto focadas na  
emoção quanto no problema, sendo estas melhor  
percebidas pelas profissionais (Marques & Barro-  
so, 2019). Exemplos de estratégias focadas no pro-  
blema deste estudo foram: participar de reuniões  
semanais com a presença de toda a equipe, pla-  
nejamento e organização prévios das atividades e  
trabalho harmonioso envolvendo todos os profis-  
sionais da equipe.  
Método  
Participantes  
A amostra foi composta por 155 profissionais  
de saúde de estados do nordeste do Brasil, em  
sua maioria do Piauí (39.1%), Ceará (22.5%), Ma-  
ranhão (8.2%) e Bahia (7.1%). A idade média foi de  
33,26 anos (DP = 7.94), sendo a maior parte soltei-  
ra (54.1%), sem filhos (57.3%) e do sexo feminino  
(68.2%). Todos os participantes trabalham no com-  
Moraes et al. (2016), interessados em identifi-  
car as estratégias de coping de 23 profissionais de  
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bate à COVID-19 em instituições de saúde. Ado-  
tou-se como critérios de inclusão: ser profissional  
de saúde, estar trabalhando na linha de frente no  
combate à COVID-19.  
primeiro, foram realizadas estatísticas descritivas a  
fim de descrever os participantes e, com o segundo,  
foi efetivada a análise de Classificação Hierárqui-  
ca Descendente a partir do conteúdo da questão  
aberta, com a finalidade de conhecer as estratégias  
de enfrentamento adotadas pelos profissionais de  
saúde para manter o bem-estar psicológico duran-  
te a pandemia da COVID-19.  
Instrumentos  
Após assinar o Termo de Consentimento Livre  
e Esclarecido, os participantes responderam um  
questionário sociodemográfico contendo pergun-  
tas fechadas que serviram para caracterizar a amos-  
tra (e.g. sexo, idade, estado civil, função executada,  
tempo de serviço, tipo de instituição que trabalha),  
e uma pergunta aberta, com a finalidade de identi-  
ficar as estratégias adotadas pelos profissionais de  
saúde para manter o bem-estar emocional durante  
o exercício da função na pandemia da COVID-19.  
Especificamente, formulou-se a seguinte questão:  
“Que estratégias você tem adotado para manter o  
bem-estar emocional durante o enfrentamento da  
pandemia da COVID-19?”.  
Resultados  
Com o propósito de conhecer as estratégias de  
coping adotadas pelos profissionais de saúde foi  
realizada uma Classificação Hierárquica Descen-  
dente (CHD). Os resultados revelaram que o corpus  
foi constituído de 155 textos (entrevistas), segmen-  
tado em 156 segmentos de texto (ST) e com 386  
palavras distintas, em uma frequência de 1.265. Fo-  
ram analisadas, em média, 8.11 palavras por ST, sen-  
do 112 segmentos (71.79%) considerados na CHD,  
valor classificado como aceitável para a realização  
da análise (Camargo & Justo, 2016).  
Procedimentos  
É importante mencionar que em uma primeira  
análise a retenção se deu abaixo de 70% e, em vista  
disso, as recomendações de Camargo e Justo (2018,  
p. 32) foram seguidas: “No caso de uma CHD an-  
terior que não reteve o mínimo necessário dos ST,  
aumente ou diminua o valor do ‘Número de classes  
terminais da fase 1’ e refaça a CHD para obter uma  
retenção satisfatória”. Portanto, se reduziu o valor  
do número de classes para 5, obtendo-se assim  
uma retenção satisfatória.  
Em sequência, o conteúdo analisado foi catego-  
rizado em duas classes: Classe 1, com 69 ST (61.61%)  
e Classe 2, com 43 ST (38.39%). No que se refere à  
CHD é importante destacar que o corpus principal  
se segmentou em duas ramificações, uma repre-  
sentada por cada classe, de modo que cada ramifi-  
cação corresponde a um subcorpus, como pode ser  
visualizada na Figura 1.  
Inicialmente, o estudo foi submetido à apre-  
ciação e obteve aprovação do Comitê de Ética  
de da Universidade Federal do Delta do Parnaíba  
(Parecer 4.062.796). Na sequência, os participan-  
tes foram contactados por meio de redes sociais  
(e.g. WhatsApp, Instagram, Facebook) e convidados  
a responderem o questionário disponível na plata-  
forma online Qualtrics. Na oportunidade, foi apre-  
sentado o objetivo geral da pesquisa e explicitado  
o caráter voluntário da participação, bem como a  
possibilidade de desistência a qualquer momen-  
to, sem nenhum prejuízo pessoal. Por fim, foi in-  
formado acerca do anonimato da pesquisa e dos  
riscos mínimos de constrangimentos. Para atestar  
a participação, solicitou-se a assinatura do Termo  
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e, em  
seguida, o preenchimento do questionário, o qual  
foi realizado, em média, num tempo de 10 minutos.  
No dendrograma estão apontadas as duas  
classes em que o corpus se dividiu. Especificamen-  
te, observou-se o título e a descrição de cada uma  
delas, o número de STs que a compõem, as variá-  
Análise de dados  
Foram utilizados os softwares IBM Statistics SPSS,  
versão 26, e o Iramuteq, versão 0.7 alpha 2. Com o  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
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Figura 1. Dendrograma das Estratégias de Enfrentamento Adotadas pelos Profissionais de Saúde para  
Manter o Bem-Estar Psicológico durante a Pandemia da COVID-19  
Classe 1: Suporte socioemocional  
e espiritualidade  
Classe 2: Atividades de  
entretenimento  
69 ST = 61.61%  
43 ST = 38.39%  
Palavras de maior associação:  
Participantes casados  
Palavras de maior associação:  
Palavras  
assistir  
ler  
filme  
ouvir  
momento  
livro  
evitar  
procurar  
gosto  
exercício  
emocional  
notícia  
algo  
f
χ2  
12 18.0ꢀ < .001  
9 1ꢁ.ꢀ < .001  
p
Palavras  
família  
apoio  
f
χ2  
p
22 1ꢀ.06 < .001  
1ꢁ 10.ꢀ9 <.001  
ꢀ 11.98 < .001  
6 10.1ꢀ < .001  
6 10.1ꢀ < .001  
6 10.1ꢀ < .001  
ꢁ 8.4  
ꢁ 8.4  
4 6.66  
4 6.66  
4 6.66  
3 4.9ꢁ  
3 4.9ꢁ  
6 4.88  
8 4.ꢁ4  
familiar  
amigo  
saúde  
Deus  
pensar  
ajudar  
11 ꢀ.6  
.004  
.004  
.008  
.008  
.044  
.044  
8
6
6
ꢁ.3ꢀ  
4.6ꢁ  
4.6ꢁ  
3.9ꢁ  
3.9ꢁ  
< .001  
< .001  
.00ꢁ  
.00ꢁ  
.00ꢁ  
.006  
.006  
.014  
.034  
manter  
físico  
veis associadas e as palavras com maior associação  
com a classe relatada, considerando o coeficiente  
do teste de associação qui-quadrado. Para tanto  
foram incluídas em cada classe do dendrograma  
somente as palavras e variáveis em que o qui-qua-  
drado apresentou significância estatística (p < .05),  
são descritas detalhadamente a seguir as classes.  
Sob essa perspectiva, a presente classe apresen-  
ta em seu conteúdo a importância do contato com  
familiares e amigos como fonte de suporte social  
e emocional durante a pandemia do novo coro-  
navírus. Além disso, os profissionais de saúde da  
linha de frente no combate à COVID-19 destaca-  
ram a importância da espiritualidade como fonte  
de bem-estar emocional. Não obstante, os dados  
apresentados podem ser ilustrados através das in-  
terlocuções subsequentes:  
Classe 1: Suporte socioemocional e espiritualidade  
A presente classe foi a que reteve o maior nú-  
mero de segmentos de texto (69 ST), sendo res-  
ponsável por 61.61% dos segmentos classificados  
do corpus textual, apresentando-se de forma signi-  
ficativa no campo das estratégias de enfretamento  
adotadas pelos participantes do estudo.  
“Estar junto da minha família. Poder contar com  
amigos profissionais de saúde que me ajudaram  
com apoio psicológico” (Participante 114, 44 anos,  
sexo feminino, casada).  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
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com 43 ST (38.39%). Tais classes também pode-  
riam ser identificadas em estudos citados anterior-  
mente, que frisam a importância de estratégias  
com foco no problema e na emoção, a depender  
da situação e da estrutura organizacional em que  
estão inseridos, os quais endossam o suporte so-  
cial e a espiritualidade como fatores importantes e  
eficazes no enfrentamento de situações adversas  
no contexto laboral (Antoniolli et al., 2018; Benetti  
A respeito da Classe 1, pode-se observar que as  
estratégias adotadas pelos profissionais têm foco  
no problema, o que exige um esforço cognitivo de  
reestruturar a situação estressante vivida no tra-  
balho a partir de conversas com amigos e família  
que lhes ajudam a entender e superar as dificulda-  
des. Ademais, os profissionais também buscam se  
aproximar de uma divindade, Deus, como fonte de  
compreensão da realidade profissional e, ao mes-  
mo tempo, como forma de transformar sua relação  
com o ambiente causador de tensão. Isso endossa a  
premissa de que as estratégias voltadas à resolução  
de problemas são justificadas pela intenção de mo-  
dificar a situação geradora de estresse e, conse-  
quentemente, a relação com o ambiente (Wilhelm  
& Santos, 2013). Nesse sentido, como encontrado  
no estudo de Khalid et al. (2020), com 150 profissio-  
nais de saúde de um hospital da cidade de Jeddah,  
na Arábia Saudita, a realização de atividades que  
envolvem momentos de oração e conversas com  
amigos e familiares caracterizam-se como estra-  
tégias de enfretamento eficazes para obter apoio,  
segurança e alívio do estresse durante a pandemia.  
Ademais, uma pesquisa transversal com profissio-  
nais da saúde da província de Punjab, no Paquistão,  
avaliando os efeitos psicológicos da COVID-19 nos  
profissionais da linha de frente e suas estratégias de  
enfrentamento, identificou que a estratégia adota-  
da com maior frequência foi a religiosidade, pois se  
aproximar de uma divindade superior proporciona  
segurança e atenuação dos sintomas de ansiedade  
e depressão (Salman et al., 2022).  
Ter apoio dos amigos e família por mensagens,  
vídeos, telefonemas” (Participante 53, 26 anos, sexo  
feminino, casada).  
“Estar próxima da família e dos amigos, mesmo  
à distância. Estar próxima de Deus” (Participante 86,  
26 anos, sexo feminino, solteira).  
Classe 2: Atividades de entretenimento  
Por sua vez, esta classe apresenta em seu con-  
teúdo o uso de ferramentas de entretenimento  
como forma de estratégia adotada pelos parti-  
cipantes para obter bem-estar emocional. Nesse  
sentido, os respondentes destacam a importância  
de se evitar o contato em demasia com notícias so-  
bre o tema e, como alternativa, ressaltam a leitura,  
ouvir músicas, assistir a filmes e séries como for-  
ma de distração. Ainda, os inqueridos apontam a  
prática de exercícios e atividades físicas como fonte  
de bem-estar emocional. Destarte, os achados da  
classe mencionada podem ser melhor visualizados  
a partir das seguintes falas:  
“Desligar a TV, fazer atividades físicas com segu-  
rança e sozinho, ler livros e assistir filmes” (Partici-  
pante 71, 35 anos, sexo masculino, casado).  
“Exercício físico, consulta psicológica, assistir  
séries, filmes e ler” (Participante 52, 28 anos, sexo  
masculino, casado).  
“Evitar ouvir ou assistir os noticiários a todo mo-  
mento. Manter a higienização da forma correta e  
fazer a minha parte” (Participante 121, 28 anos, sexo  
feminino, solteira).  
Discussão  
Considerando os resultados encontrados no  
presente estudo, confia-se que o objetivo foi  
alçando, posto que se conheceu as estratégias  
de coping adotadas pelos profissionais de saúde  
no combate à COVID-19. Com relação à Classifi-  
cação Hierárquica Descendente (CHD), foi possível  
identificar que o corpus principal se segmentou  
em duas classes: Classe 1, denominada Supor-  
te socioemocional e espiritualidade, com 69 ST  
(61.61%), e Classe 2, Atividades de entretenimento,  
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sicas, o que pode implicar no bem-estar físico e  
socioemocional à medida que aliviam os descon-  
fortos psicológicos provocados pelos esforços  
exorbitantes sucedidos do contexto pandêmico.  
De qualquer modo, ambas as estratégias pare-  
cem ter implicações positivas no bem-estar emo-  
cional desses profissionais da saúde que atuam no  
enfrentamento da pandemia e podem ser melhor  
exploradas em intervenções com estes profissio-  
nais, a fim de promover bem-estar emocional e  
qualidade de vida, reduzindo assim o estresse la-  
boral. À vista disso, tem-se que o sofrimento psi-  
cológico que acomete os profissionais de saúde  
da linha de frente no combate à COVID-19 não  
está associado apenas ao comprometimento físi-  
co, mas também à forma como lidam e enfren-  
tam a situação, ressaltando-se a importância do  
desenvolvimento de estratégias de coping na ate-  
nuação das adversidades impostas pela pandemia  
Conclui-se que o objetivo da pesquisa foi al-  
cançado, ao passo que se pôde conhecer as estraté-  
gias de coping utilizadas pelos profissionais da saúde  
que estão atuando na linha de frente no combate à  
COVID-19. Apesar da intensa carga de trabalho exi-  
gida e as consequências advindas das condições e  
limitações impostas pela pandemia, os profissionais  
de saúde relatam que determinadas ações, as es-  
tratégias de coping, são empenhadas no intuito de  
amenizarem o sofrimento psicológico e, portanto,  
preservarem o bem-estar físico e socioemocional.  
Atentar-se à saúde mental dos profissionais de  
saúde neste momento de enfrentamento ao surto  
da COVID-19 é de importância incontestável, visto  
que sem eles os serviços de saúde não funcionam  
ou sofrem déficit no atendimento. O que já vem  
sendo enfrentado pelo alto número de profissionais  
afastados do trabalho por serem de risco ou terem  
sido contaminados pelo vírus, demandando mais  
esforços e carga horária dos colegas de trabalho  
que permanecem em atuação.  
É importante mencionar ainda que se constatou  
uma maior associação dos ST da classe supracita-  
da entre os participantes casados, conforme os tes-  
tes estatísticos realizados pelo programa. Portanto,  
pode-se deduzir que estar em um relacionamento  
conjugal pode proporcionar um maior suporte so-  
cioemocional em momentos de crise e, consequen-  
temente, maior bem-estar aos profissionais da saúde  
que atuam diretamente no combate à pandemia.  
Com relação à Classe 2, contata-se que os  
profissionais adotaram estratégias com foco na  
emoção, as quais permitiam regular o seu estado  
emocional a partir de atividades que lhes davam  
prazer e satisfação, tais como: assistir filmes, ler  
livros e praticar exercícios físicos. Resultado semel-  
hante foi encontrado também no estudo citado  
anteriormente (Khalid et al., 2020), que buscava  
conhecer as emoções, os estressores e as estra-  
tégias de enfretamento durante a pandemia da  
COVID-19. Este estudo reporta que outras estraté-  
gias de enfretamento utilizadas pelos profissionais  
para aliviar o estresse advindo da pandemia são a  
prática de atividades de relaxamento por meio de  
esportes e exercícios físicos. Outro estudo, realiza-  
do com 657 profissionais da saúde de Nova York  
durante um pico de admissão de pacientes infec-  
tados, encontrou que 59% dos participantes cita-  
ram a prática de exercícios físicos como a estraté-  
gia de enfrentamento mais utilizada no combate  
aos sintomas de estresse, ansiedade e depressão  
provocados pela pandemia (Shechter et al., 2020).  
Em suma, ao se analisar as estratégias adota-  
das pelos profissionais de saúde participantes des-  
ta pesquisa que atuam diretamente no combate à  
COVID-19, percebe-se uma polarização do corpus  
textual. De um lado, encontram-se estratégias com  
foco no problema, o que exige uma maior aproxi-  
mação da sua rede de apoio, sejam familiares ou  
religiosidade; por outro, evidencia-se a presença  
de estratégias mais focadas na emoção, relacio-  
nadas ao consumo de fontes de entretenimento  
(livros, música, filmes, etc.), bem como o cuidado  
com o corpo através da prática de atividades fí-  
A realização do estudo pode ser de grande valia  
para entender como os eventos estressores têm sido  
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enfrentados por este grupo de trabalho considera-  
do o mais vulnerável à contaminação. Assim, este  
estudo pode contribuir na compreensão das estra-  
tégias de enfrentamento de situações estressantes  
e, possivelmente, fomentar o desenvolvimento de  
treinamento para o controle do estresse, bem como  
programas que busquem desenvolver estratégias  
de enfrentamento no âmbito profissional.  
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gestores das instituições de saúde e instâncias go-  
vernamentais desenvolvam ações de educação e  
conscientização sobre a importância do uso do co-  
ping para a minimização dos efeitos do estresse no  
trabalho, além de fomentar o trabalho em equipe e  
empenho de cada profissional a fim de estruturar a  
organização de acordo com o bem comum. O tra-  
balho coeso pode favorecer a criação de um am-  
biente de trabalho saudável, promotor de bem-estar  
e motivador para um bom desempenho profissional.  
Entretanto, apesar do objetivo ter sido alcançado  
e o estudo proporcionar o conhecimento de uma  
faceta importante para a vida pessoal e profissional  
dos trabalhadores de saúde que estão combatendo  
à COVID-19, algumas limitações precisam ser con-  
sideradas. É importante destacar: a utilização de  
amostragem não probabilística por conveniência;  
o desenho transversal que não permite estabelecer  
relações de causa e efeito, com baixa capacidade  
de generalização; e a delimitação geográfica que  
se restringiu a profissionais de saúde de estados do  
nordeste brasileiro.  
Sendo assim, estudos futuros são recomen-  
dados a fim de sanar algumas destas limitações,  
como: a utilização de amostras maiores e mais  
diversificadas; inclusão de outras variáveis que  
possam explicar como as situações estressoras  
são encaradas pelos profissionais e como fazem  
para superá-las, a exemplo de valores humanos,  
personalidade, segurança no trabalho, religiosida-  
de, satisfação com a vida; e estudos longitudinais  
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depois da pandemia com variáveis como estresse  
pós-traumático e resiliência.  
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