Actualidades en Psicología, 36 (133), julho-dezembro, 2022, 13-26  
DOI: 10.15517/ap.v36i133.43460  
ISSN 2215-3535  
Universidad de Costa Rica  
Crenças sobre a violência conjugal: uma explicação a partir  
dos valores humanos  
Beliefs about Conjugal Violence: An Explanation from Human Values  
Bruna de Jesus Lopes 1  
Marlanne Cristina Silva Sousa 4  
Francisca Maria de Souza Brito Carvalho 2  
Thaynara Costa Silva 5  
Laena Barros Pereira 3  
1,2,3,5 Departamento de Psicologia, Centro Universitário Maurício de Nassau, Brasil  
4 Departamento de Psicologia, Universidade Regional da Bahia, Brasil  
1
2
3
4
5
Recibido: 11 de agosto de 2020. Aceitado: 23 de junho de 2022.  
Resumo. Objetivo. O presente trabalho objetivou conhecer a relação entre valores humanos e crenças sobre a  
violência conjugal. Método. Contou com uma amostra composta por 202 sujeitos da população geral da cidade  
de Parnaíba-PI, com uma média de idade de 28,52 anos (DP = 10,33). Estes responderam as seguintes escalas:  
Escala de Crenças sobre a Violência Conjugal (ECVC), Questionário de Valores Básicos (QVB-18) e um Questio-  
nário Sociodemográfico. O software SPSS (versão 22) auxiliou na execução das análises descritivas, correlação (r  
de Pearson), e regressão (Métodos Stepwise). Resultados. Os resultados apontaram que as subfunções Interativa,  
Suprapessoal, e Existência apresentam correlações significativas e inversas com todas as dimensões da ECVC; ou  
seja, ratificam a capacidade dos valores humanos de explicarem construtos sociais, como a violência conjugal.  
Palabras-chave. Violência conjugal, valores humanos, crenças, população geral, regressão  
Abstract. Objective. The The present work aimed to discover the relationship between human values and  
beliefs about marital violence. Method. The sample was composed by 202 subjects from the general population  
of the city of Parnaíba-PI. The average age was 28.52 years (SD = 10.33). They were administered the following  
instruments: Belief on Marital Violence Scale (BMVS), Basic Values Questionnaire (BVQ-18), and a Socio-  
demographic Questionnaire. The SPSS software (version 22) assisted in the execution of descriptive analysis,  
Pearson's correlation (r), and regression (Stepwise Methods). Results. The results showed that the Interactive,  
Suprapersonal, and Existence subfunctions present significant and inverse correlations with all dimensions of  
BMVS; they ratify the ability of human values to explain social constructs such as marital violence.  
Keywords. Marital violence, human values, beliefs, general population, regression  
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autores supracitados salientam que tal realidade é  
reflexo da prática cultural, na qual o homem exerce  
poder sobre a mulher dentro das relações conjugais.  
Isso pode ser corroborado em pesquisas reali-  
zadas em diferentes culturas e países. Por exemplo,  
em Bangladesh, observa-se índices elevados de  
violência conjugal, como sua prevalência variando  
shid et al., 2016). Tal característica também é obser-  
vada em países africanos, como Quênia, África do  
Sul e outros, onde tem se documentado altos níveis  
de violência conjugal, sendo o homem o principal  
agressor (Jewkes et al., 2003; Kimani, 2007). Nessa  
linha, observa-se que em outros países africanos,  
como África Subsaariana e Zâmbia as mulheres re-  
latam alguma história de abuso, com sua prevalên-  
cia variando entre 40% a 63%; sendo as formas de  
violência mais relatadas a física (29%), a emocional  
(23%) e a sexual (12%) (Durevall & Lindskog, 2015).  
Em suma, isso pode ser explicado pelo fato de  
a violência conjugal ser aceitável e justificada pelas  
normas culturais propagadas nos países africanos,  
a exemplo da Nigéria, que acredita que práticas  
como espancamento e coerção devem ser ações  
efetivas para a manutenção do poder do gênero  
masculino (Tenkorang et al., 2013). Ademais, nesse  
país, existe uma crença de que as práticas de es-  
pancamentos dentro das relações matrimoniais são  
um sinal de afeto e amor, e as mulheres, por sua  
vez, são educadas e socializadas a aceitar e às vezes  
incentivar tal prática (Odimegwu, 2001).  
Introdução  
As crenças podem ser definidas como “um con-  
junto de conteúdos mentais de natureza simbólica,  
cuja influência na cognição é manifestada na per-  
cepção e interpretação que o percebedor faz de  
sua experiência social” (Campos et al., 2020). Este  
construto, por sua vez, pode ajudar a compreender  
os pensamentos e comportamentos manifestados  
pelas pessoas (Rokeach, 1981), como a violência,  
que pode se fazer presente em vários contextos, a  
exemplo de empresas (Aeberhard-Hodges & Mc-  
Ferran, 2018), hospitais (Wray, 2018), escolas (Duru  
& Balkis, 2018) e até mesmo dentro de casa (Chan  
et al., 2018), perpassando os relacionamentos en-  
tre pais, filhos, sogros e conjugal (Sacramento &  
A violência dentro dos relacionamentos conju-  
gais tem sido objeto de estudo de várias pesquisas,  
as quais buscam definir e, compreender suas possí-  
veis consequências e pensar em formas de preve-  
mente, a violência conjugal pode ser conceituada  
como condutas agressivas e coercitivas emitidas  
por uma pessoa contra seu parceiro íntimo (Galeli  
& Antoni, 2018), podendo ser manifestada por for-  
mas distintas de violência, tais como a física (e.g.  
tapa, bater, chutar e espancar), abuso psicológico  
(e.g., insultos, depreciação, humilhação constante,  
intimidação), violência sexual (e.g. relações sexuais  
forçadas) ou controle de comportamentos (e.g. iso-  
lar uma pessoa da família e amigos; monitorar seus  
movimentos) que ocorrem, principalmente, dentro  
de relacionamentos matrimoniais (Breiding et al.,  
Nos Estados Unidos, as mulheres são, tam-  
bém, as principais vítimas de violência dentro do  
casamento, estimando-se que cerca de 22% delas  
sofrem alguma agressão física grave e, aproxima-  
damente 25%, experimentam alguma forma de  
violência sexual por um parceiro íntimo ao longo  
da vida (Breiding et al., 2014). No Brasil, a violência  
conjugal é vivenciada, em sua maioria, por mulhe-  
res. Em um estudo nacional, realizado por Winzer  
(2016), fazendo uso de uma revisão de literatura,  
obteve-se como resultado que cerca de 40% das  
mulheres relatam sofrer algum tipo de agressão.  
Dito isso, apesar de existirem evidencias que su-  
gerem que tanto homens quanto mulheres podem  
ser vítimas ou perpetradores de condutas agressivas  
em relacionamentos íntimos (Rosa & Falcke, 2014),  
outras apontam haver uma predominância por par-  
te do homem, que direcionam em sua maioria a  
violência contra mulheres (Minayo et al., 2011). Os  
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necessidades (tipo de motivador). E, ainda, pos-  
suem três tipos de orientação: (1) metas sociais,  
congruente em indivíduos voltados para a comu-  
nidade; (2) metas pessoais, representando pessoas  
voltadas a si mesmas; e (3) centrais, representan-  
do um propósito geral de vida (Silva et al., 2022).  
Segundo as preposições teóricas da TFVH, os três  
tipos de orientações e os dois tipos motivadores, se  
sobrepõem, resultando em um modelo 3 x 2, que  
origina seis subfunções valorativas: interativa, nor-  
mativa, suprapessoal, existência, experimentação e  
realização (Gouveia, 2013), apresentando as seguin-  
tes descrições:  
Subfunção Interacional: possui um motivador  
humanitário e uma orientação social. Representa as  
necessidades de pertença, amor e afiliação (Maslow,  
1954). Valores dessa subfunção são essenciais para es-  
tabelecer, regular e manter as relações interpessoais.  
Subfunção Normativa: detém um motivador  
materialista e uma orientação social. Reflete a im-  
portância de preservar a cultura e as normas con-  
vencionais. Endossar valores normativos evidencia  
uma orientação vertical, na qual a obediência à au-  
toridade é importante (Gouveia et al., 2009).  
Subfunção Suprapessoal: tem motivador huma-  
nitário e orientação central. Seus valores represen-  
tam as necessidades estéticas e de cognição, bem  
como a necessidade superior de autorrealização.  
Subfunção Existência: assim como a subfunção  
Suprapessoal, esta possui uma orientação central,  
mas com um motivador materialista. Os valores de  
existência são endossados mais comumente por  
indivíduos em contextos de escassez econômica,  
os quais valorizaram as necessidades fisiológicas  
mais básicas.  
A violência conjugal, desperta o interesse de  
vários pesquisadores devido, principalmente, às  
consequências deixadas por tal prática. Dentre elas,  
pode-se destacar abortos, infecção de transmissão  
sexual, lesões causadas pelas agressões físicas, pro-  
blemas digestivos crônicos (Ho et al., 2017; Lopez et  
al., 2015), ansiedade, insegurança (Khosravipoura et  
al., 2011), dependência de drogas e álcool, depressão  
Como pode ser observado, até o momento, a  
violência conjugal esteve no centro de várias pesqui-  
sas e em diferentes países. Algumas, por sua vez, fo-  
ram planejadas visando compreender a relação entre  
a violência dentro do âmbito matrimonial e outras  
variáveis, como controle coercitivo e problemas de  
Considerando esta última variável, sabe-se que  
os valores humanos tem contribuído para o enten-  
dimento de fatores que perpassam os vínculos con-  
jugais, a exemplo do perdão (Fonsêca et al., 2017) e  
da satisfação (Almeida, 2016). Compreendo assim,  
os valores humanos como variáveis importantes  
para a explicação dos comportamentos humanos  
(Couto et al., 2021); por exemplo, diferentes condu-  
et al., 2022) e crenças (Nascimento, 2015).  
Devido a isso, na presente pesquisa, os valores  
humanos serão considerados para auxiliar na ex-  
plicação das crenças sobre a violência conjugal,  
tendo como pano a fundo Teoria Funcionalista dos  
Valores Humanos (TFVH), proposta por Gouveia  
(1998, 2003, 2013), que concebe os valores como  
princípios que guiam as ações e condutas huma-  
nas, transcendendo objetos e situações especificas  
Subfunção Experimentação: possui um motiva-  
dor humanitário e orientação pessoal. Represen-  
ta as necessidades fisiológicas de satisfação, em  
sentido amplo, tendo como princípio a busca do  
prazer, que contribuem para a promoção de mu-  
danças e inovações na estrutura de organizações  
sociais, sendo tipicamente endossados pela popu-  
lação jovem.  
O foco principal da TFVH recai sobre as funções  
atribuídas aos valores, focando-se nas duas princi-  
pais, que são consensuais na literatura (Medeiros  
et al., 2022), a saber: guiar as ações humanas (tipo  
de orientação) e expressar cognitivamente as suas  
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Subfunção realização: detém um motivador ma-  
terialista e uma orientação pessoal, compreende as  
necessidades de autoestima. Indivíduos orientados  
por tais valores dão importância à hierarquia quan-  
do esta é baseada em uma demonstração de com-  
petência pessoal, além de buscarem ser práticos  
nas suas decisões e em seus comportamentos.  
Frente ao aporte teórico apresentado, o arti-  
go tem como objetivo conhecer a relação entre  
crenças sobre a violência conjugal e valores huma-  
nos; além de avaliar quais são as subfunções valo-  
rativas que melhor explicam os fatores das crenças  
em questão. Por fim, espera-se que os resultados,  
aqui apresentados, possa contribuir para o apro-  
fundamento analítico acerca da relação entre os  
construtos investigados.  
Instrumentos  
Os participantes foram solicitados a responder  
um livreto contendo três instrumentos, a saber:  
Escala de Crenças sobre a Violência Conjugal  
(ECVC) (Matos et al., 2000): esta escala permite ava-  
liar as crenças acerca da violência física e psicoló-  
gica no âmbito das relações conjugais. É composta  
por 25 itens, respondidos em uma escala do tipo  
Likert de 5 pontos, variando de 1 (discordo total-  
mente) a 5 (concordo totalmente). Os itens são di-  
vididos em 4 fatores, a saber: fator 1, legitimação  
e banalização da pequena violência; fator 2, legi-  
timação da violência pela conduta da mulher; fa-  
tor 3, legitimação da violência pela sua atribuição a  
causas externas; e fator 4, legitimação da violência  
pela preservação da privacidade familiar. Por fim,  
destaca-se ainda que o instrumento apresenta uma  
consistência interna de .93 (Matos et al., 2008).  
Questionário de Valores Básicos (QVB-18) (Gou-  
veia, 2003, 2013): é composto por 18 itens, os quais  
representam valores específicos. Os mesmos são  
organizados em seis subfunções: interativa (apoio  
social, afetividade e convivência), normativa (re-  
ligiosidade, obediência e tradição), suprapessoal  
(conhecimento, beleza e maturidade), existência  
(sobrevivência, estabilidade pessoal e saúde), ex-  
perimentação (sexualidade, emoção e prazer) e  
realização (êxito, poder e prestígio). Os mesmos  
são respondidos em uma escala de resposta de  
tipo Likert com sete pontos variando de 1 (total-  
mente não importante) a 7 (totalmente importan-  
te). Os alfas das subfunções variam de .48 (inte-  
rativa) a .63 (normativa). Ademais, o QVB-18 tem  
apresentado qualidades psicométricas satisfató-  
rias, validade (construto) e precisão (consistência  
interna e confiabilidade composta), em todos os  
estados brasileiros (Medeiros, 2011).  
Método  
Delineamento  
Tratar-se-á de um estudo quantitativo, ex post  
facto, com ênfase na psicometria.  
Participantes  
O cálculo para o tamanho amostral foi con-  
duzido pelo sistema openepi (www.openepi.com),  
margem de erro de 5% e nível de confiança de  
95%, no qual obteve-se tamanho de amostra de  
110 sujeitos. Contudo, o tamanho final da amostra  
foi de 202 participantes, da população geral, da  
Cidade de Parnaíba (Piauí), sendo a mesma por  
conveniência (não-probabilística).  
A escolha pela população geral, justifica-se  
pelo fato do sujeito, homem ou mulher, imerso  
na sociedade sofre impacto das crenças e valores  
humanos, socialmente construído, os quais per-  
mitem ter uma cognição sobre a violência conju-  
gal, tendo, como base, os seus principais valores  
básicos. Os colaboradores tinham uma média de  
idade de 28.52 anos (DP = 10.33, variando entre  
18 a 73 anos), sendo a maioria do sexo feminino  
(66.8%), solteiro (60.4%) e com ensino superior in-  
completo (48.5%).  
Questionário Sociodemográfico: desenvolvido  
com a finalidade de caracterizar a amostra, sendo  
composto por questões sobre a idade, o sexo, es-  
colaridade e se sofreu e/ou presenciou alguns tipos  
de violência conjugal.  
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Os estados civis reportados foram: solteiro  
(60.4%), casado (27.7%), união estável (8.9%) e di-  
vorciado (2.0%). Quanto ao nível de escolaridade  
houve a seguinte distribuição, apresentada, aqui,  
do mais para o menos frequente: ensino supe-  
rior incompleto (48.5%), ensino médio completo  
(20.8%), pós-graduação (9.9%), ensino médio in-  
completo (7.4%), ensino superior completo (7.4%),  
ensino fundamental incompleto (3.5%) e ensino  
fundamental completo (2.0%).  
O grau de religiosidade também foi avaliado  
por meio de uma escala Likert de 5 pontos, va-  
riando de “pouco” a “muito” religioso. De forma  
geral, 14.3% informaram estar abaixo da mediana  
amostral, exibindo um baixo grau de religiosidade  
e 61.7% se apresentaram acima da mediana, infor-  
mando ter um alto grau de religiosidade. Restan-  
do 22.8%, os quais pontuaram no valor da media-  
na. Quanto à percepção de classe social, dentre  
aqueles que informaram, 31.8% percebem-se  
pertencentes a classe baixa e 66.3% à classe mé-  
dia. Por fim, os participantes reportaram, se sofre-  
ram sim (37.6%), não (60.4%) ou não responde-  
ram (2.0%); ou se presenciaram sim (63.8%), não  
(33.2%) ou não responderam (3.0%) algum tipo  
de violência conjugal.  
Procedimentos  
Foram respeitadas todas as normas éticas para  
pesquisas com seres humanos exigidas pela Reso-  
lução 466/2012. Os participantes foram recrutados  
em ambientes públicos, a exemplo de praças, con-  
figurando-se, assim, uma amostra por conveniência  
(não probabilística). Nesses locais, os pesquisado-  
res abordavam as pessoas que se encontravam no  
ambiente, apresentavam a pesquisa, o objetivo da  
mesma e o caráter sigiloso das suas respostas; além  
de informar sobre o direito de parar de responder  
os instrumentos a qualquer momento sem nenhum  
tipo de dano ou prejuízo. Após discorrer sobre to-  
dos esses pontos e sanar eventuais dúvidas, os par-  
ticipantes que aceitaram colaborar com a pesquisa  
emitiram seu parecer favorável assinando o Termo  
de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). O tem-  
po necessário para a conclusão foi de aproximada-  
mente 15 minutos.  
Análise dos dados  
Para tabulação dos dados foi utilizado o progra-  
ma SPSS, em sua versão 22, o qual auxiliou a exe-  
cução de análises descritivas (medidas de tendência  
central e dispersão), a fim de caracterizar a amostra;  
correlação (r de Pearson), visando conhecer como  
a crença sobre a violência conjugal se relaciona  
com os valores humanos; e regressão linear múlti-  
pla (Métodos Stepwise), a fim de verificar quais são  
as subfunções valorativas que melhor explicam os  
fatores da ECVC.  
Correlação  
A priori foi realizada uma análise de correlação  
(r de Pearson), que teve como objetivo conhecer  
as associações entre os fatores da ECVC e as sub-  
funções valorativas; além de identificar aquelas que  
são significativas para serem inseridas nas análises  
de regressões, foco principal da presente pesquisa.  
Os achados da análise de correlação podem ser vi-  
sualizados na Tabela 1.  
Como pode ser observado, as subfunções in-  
terativa, suprapessoal e existência apresentaram  
correlações significativas e inversas com todas as  
dimensões da ECVC. A subfunção de experimen-  
tação, por sua vez, apresentou correlação, significa-  
tiva e negativa, com duas das dimensões, a saber:  
fator 2 (r = -.15; p = .02) e fator 4 (r = -.17; p =  
Resultados  
Análises Descritivas  
Visando analisar os dados coletados no ques-  
tionário sociodemográfico, foram realizadas aná-  
lises descritivas, a exemplo, de média e desvio  
padrão. Quanto ao perfil amostral, os participan-  
tes (total de 202 sujeitos) tiveram média de idade  
de 28.25 anos (DP = 10.33, variando entre 18 a 73  
anos); sendo 66.8% do sexo feminino e 32.7 do  
sexo masculino.  
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17  
 
Tabela 1. Correlação entre os fatores de crenças sobre a violência conjugal e as subfunções valorativas  
Variáveis  
1
-
2
3
4
5
6
7
8
9
10  
1. Interativa  
2. Normativa  
3. Suprapessoal  
4. Existência  
5. Experimentação  
6. Realização  
7. Fator 1  
.40***  
.33***  
.27***  
.04  
-
.27***  
-
.36*** .37***  
-
-.07  
.22  
-.11  
.03  
.01  
.35***  
.34***  
.27***  
.33***  
-
.13  
.54*** -  
-.09 -.01  
-.20*  
-.21***  
-.16**  
-.19*  
-.35*** -.31***  
-
8. Fator 2  
-.31***  
-.22**  
-.22**  
-.29*** -.15**  
-0.17** -.08  
-.03  
.04  
.71***  
.45***  
.58***  
-
9. Fator 3  
.67***  
.61***  
-
10. Fator 4  
.02  
-.14**  
-.17**  
-.01  
.61***  
-
Nota. Fator 1 = Legitimação e Banalização da Pequena Violência; Fator 2 = Legitimação da Violência pela  
Conduta da Mulher; Fator 3 = Legitimação da Violência pela sua Atribuição a Causa Externas; Fator 4 =  
Legitimação da Violência pela Preservação da Privacidade Familiar.  
*p < .05; ** p < .01; *** p < .001.  
.01). Já as subfunções normativa e realização não  
apresentaram nenhuma relação expressiva com as  
dimensões das crenças investigadas.  
violência pela preservação da privacidade familiar)  
foram inseridos como preditores, as subfunções  
interativa, suprapessoal, existência e experimen-  
tação. Os resultados podem ser visualizados na  
Regressão  
Dando continuidade às análises dos dados,  
foram realizadas análises de regressões lineares  
(Método Stepwise), visando tomar conhecimen-  
to sobre quais são as subfunções valorativas que  
explicam as crenças sobre a violência dentro dos  
relacionamentos conjugais. Nas análises de re-  
gressões as quais tiveram como variáveis con-  
sequentes o fator 1 (Legitimação e banalização  
da pequena violência) e fator 3 (Legitimação da  
violência pela sua atribuição a causas externas),  
foram inseridas as variáveis antecedentes: intera-  
tiva, suprapessoal e existência.  
As análises de regressão revelaram que as su-  
bfunções suprapessoal e existência predizem o  
fator 1, F (2, 186) = 16.97, p < .001, e o fator 2,  
F (2, 176) = 12.43; p < .001, sendo esses valores  
responsáveis por explicarem a variância total (R²  
ajustado) de 15% da legitimação e banalização da  
pequena violência (fator 1) e 11% legitimação da  
violência pela conduta da mulher (fator 2). As duas  
outras análises apontaram, apenas, a subfunção  
suprapessoal como preditora do fator 3, F (1, 180)  
= 6.04, p = .01, e fator 4, F (1, 186) = 9.50, p = .02,  
explicando, respectivamente, 3% e 4% da variância  
total (ajustado). Por fim, vale pontuar que todos  
os indicadores foram estatisticamente significati-  
vos (t > 1.96; p < .05).  
Já nas análises que possuíram como variáveis  
antecedentes o fator 2 (Legitimação da violência  
pela conduta da mulher) e fator 4 (Legitimação da  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
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Tabela 2. Análise de regressão linear múltipla entre os fatores da ECVC e QVB  
R2  
ΔR2  
b
Variables  
t
p
Primeira Análise  
(Fator I: Legitimação e Banalização da Pequena Violência)  
Constante  
Suprapessoal  
Existência  
-
11.46  
>.001  
-
-
-
-.26  
-.23  
-3.67 >.001  
-3.27 >.001  
.11  
.15  
.04  
Segunda Análise  
(Fator II: Legitimação da Violência pela Conduta da Mulher)  
Constante  
Suprapessoal  
Existência  
-
9.72  
-3.02  
-2.93  
>.001  
.003  
.004  
-
-
-
-.22  
-.21  
.07  
.11  
.04  
Segunda Análise  
(Fator III: Legitimação da Violência pela sua Atribuição a Causa Externas)  
Constante  
-
8.04  
>.001  
.01  
-
-
-
Suprapessoal  
-.19  
-2.60  
.03  
Segunda Análise  
(Fator IV: Legitimação da Violência pela Preservação da Privacidade Familiar)  
Constante  
-
8.82  
>.001  
.002  
-
-
-
Suprapessoal  
-.22  
-3.18  
.04  
nição, tal como o conhecimento (Gouveia, 2013). As  
pessoas que se identificam com esses valores bus-  
cam estar sempre se atualizando, descobrindo fatos  
e ideias, ou seja, adquirindo novos conhecimentos  
(Gouveia, 2003). Diante disso, é esperado que tais  
valores contribuam para a inibição das práticas re-  
lacionadas a violência conjugal (Nascimento, 2015),  
uma vez que o conhecimento orienta os cidadãos a  
não cometerem atos ilícitos, como condutas agres-  
sivas dentro dos vínculos matrimoniais, sendo esta  
orientada pela Lei de nº 11.340/2006. No entanto, de  
violência é multifacetada e torna-se difícil determinar  
um grupo específico que tenha mais probabilidade  
de cometê-la. Dessa maneira, diversos grupos po-  
dem estar imersos nela, inclusive dos sujeitos que  
têm acesso a todos os níveis de conhecimento.  
Discussão  
O presente artigo buscou tomar conhecimento  
da relação entre valores e as crenças sobre a violên-  
cia conjugal e, principalmente, verificar quais sub-  
funções valorativas explicam os fatores das crenças  
em questão. A análise de correlação apontou que as  
subfunções interativa, existência e suprapessoal, fo-  
ram aquelas que apresentaram coeficientes de co-  
rrelações com todas as dimensões da ECVC. Porém,  
nas análises de regressões a subfunção suprapessoal  
foi aquela que melhor explicou todos os fatores da  
escala de crenças sobre a violência conjugal. Porém,  
deve-se destacar, ainda, a Existência que entrou nos  
modelos explicativos dos fatores 1 e 2.  
A subfunção Suprapessoal, apontada anterior-  
mente como aquela que melhor prediz os fatores da  
ECVC, representa as necessidades de estética e cog-  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
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a emoção, prazer e sexualidade, representando a  
necessidade psicológica de gratificação e de supri-  
mento de experiências perigosas, inovadoras, além  
de necessidades que podem levar ao prazer, desde  
o comer à prática sexual (Gouveia et al., 2009). Tal  
resultado pode ter ocorrido em virtude da deseja-  
bilidade social que afeta a pesquisa, ou porque as  
condições atuais são contrárias aquelas vivenciadas  
no passado, em que as mulheres se submetiam a  
vários tipos de dominação dentro da relação, enca-  
rando-as como desafios ou porque simplesmente  
eram obrigadas (Acosta et al., 2018).  
Porém, na atualidade, em decorrência de movi-  
mentos como o feminismo, o qual contribuiu para  
o empoderamento da mulher, há uma significativa  
transformação acerca da compreensão dos papeis  
e do poder do sexo feminino, desconstruindo o  
alicerce patriarcal, e dirimindo a subordinação da  
mulher; tornando-a segura de si e dona do seu  
próprio corpo, prazer e sexualidade (Blay, 2003).  
Quanto as subfunções Normativa e Realização,  
não foi encontrado nenhuma correlação com as  
crenças sobre a violência conjugal. Contudo, vale  
destacar que as pessoas guiadas por valores nor-  
mativos, como a religiosidade, tradição e obediên-  
cia, buscam cumprir seus deveres e almejarem  
a promoção da harmonia social (Gouveia, 2003,  
2013). As pessoas que pontuam alto nesses valo-  
res detêm uma maior probabilidade de permanecer  
em uma relação, ainda que violenta, por considerar  
o divórcio uma ação e/ou situação ruim, perante os  
princípios divinos (Pereira et al., 2018) e da família  
tradicional (Cúnico & Arpini, 2013).  
A subfunção Existência, apareceu nos modelos  
explicativos dos Fatores 1 e 2; ela representa as ne-  
cessidades básicas, que permitam a sobrevivência  
do homem. As pessoas que se guiam por estes va-  
lores buscam obter um elevado grau de saúde, evi-  
tando coisas e situações que podem se configurar  
como ameaças para sua vida (Gouveia, 2013). Fren-  
te a isso, é esperado que aqueles que pontuam alto  
nessa subfunção busquem viver em ambientes que  
promovam o seu bem-estar físico e mental; evi-  
tando, assim, contextos de ameaças, a exemplo de  
violência conjugal. Uma vez que esta prática tende  
a acarretar o desenvolvimento de psicopatologias,  
como ansiedade (Khosravipoura et al., 2011) e de-  
pressão (Golding, 1999). Corroborando com esses  
achados, a pesquisa feita por Scorsolini-Comin e  
Santos (2011), o modo como o cônjuge vivencia e  
constitui a relação, tende a ser, não somente, um  
fator de satisfação conjugal, mas também com a  
própria vida.  
Embora, apenas, as duas subfunções acima en-  
traram nos modelos explicativos, é pertinente dis-  
cutir as demais subfunções. Interativa, por exemplo,  
apresentou coeficientes de correlações expressivos  
com todos os fatores da ECVC. As pessoas guia-  
das por esses valores, buscam o estabelecimento  
e manutenção de vínculos saudáveis, voltando-se  
para as necessidades de pertença, amor e afiliação  
(Gouveia, 2013). Ou seja, os indivíduos que priori-  
zam a vivência de vínculos saudáveis procuram não  
emitir comportamentos que expressem violência,  
seja ela física, verbal, relacional ou sexual; além de  
evitar se relacionar com parceiros que apresentem  
tais condutas, uma vez que estas tendem a dis-  
tanciar os envolvidos na relação e enfraquecer os  
laços afetivos (Leme, 2004). Entretanto, conforme  
evidenciado na pesquisa realizada por Nascimento  
e Cordeiro (2009), os comportamentos violentos  
por vezes são naturalizados dentro das relações e  
acabam camuflando a existência da violência nos  
relacionamentos.  
Corroborando esse posicionamento, Norgren  
et al. (2004) pontua que a religiosidade se configu-  
ra como um fator mantenedor dos relacionamen-  
tos conjugais, mesmo estes sendo marcados por  
agressões; uma vez que as pessoas filiadas a algum  
tipo de religião apresentam uma forte motivação  
para lidar com crises e transições da convivência  
diária, visando sustentar o vínculo matrimonial.  
Alves-Silva et al. (2016), também, vão ao encon-  
tro dessa ideia ao afirmarem que a religião pode  
A subfunção de Experimentação, se correlacio-  
nou com os fatores 2 e 4. Esta subfunção se refere  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
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ajudar ao casal a buscar um melhor entendimento  
acerca de sua relação, voltando-se mais para os  
aspectos coletivos do que individuais, compreen-  
dendo tal vínculo como uma rede de apoio, evi-  
tando, assim, conflitos e sanando-os quando os  
mesmos se fizerem presentes.  
veniência, ou seja, contribuíram com o estudo  
aqueles que se encontravam nos espaços de co-  
leta e que se disponibilizavam a responder os ins-  
trumentos; nesse caso, há o impedimento de se  
fazer uma inferência para a população da qual a  
amostra foi extraída (Cozby, 2003). Outra limitação  
consiste na desejabilidade social, a qual consiste  
em uma tendência do indivíduo se projetar de ma-  
neira mais favorável em relação as normas sociais  
(King & Bruner, 2000), emitindo respostas julga-  
das adequadas em questionários de autorrelatos  
(Krumpal, 2013). Acredita-se que esta variável ten-  
ha influenciado significativamente nas respostas  
dos sujeitos, principalmente, por se tratar de uma  
temática social delicada, levando os participantes  
a não expressarem com exatidão o que eles real-  
mente pensam sobre os assuntos aqui abordados.  
No entanto, apesar das limitações pontuadas,  
credita-se que o trabalho possui relevância, pois  
o mesmo contribui para o aporte teórico e em-  
pírico das variáveis abordadas no artigo. Por fim,  
para estudos futuros sugere-se o uso de medidas  
implícitas, as quais permitem avaliar associações  
cognitivas (Bluemke & Zumbach, 2007), sejam  
positivas ou negativas sobre qualquer conceito  
(Smith & Nosek, 2010), visando dirimir a influência  
da desejabilidade social; e o uso de outros cons-  
trutos que possam ajudar a compreender melhor  
as crenças sobre a violência conjugal, como por  
exemplo, a personalidade.  
Por fim, destaca-se que a subfunção Realização  
não exibiu correlação expressiva com as demais  
dimensões das crenças sobre a violência conju-  
gal. Ela engloba valores de concretizações mate-  
riais, representadas por êxito, poder e prestígio; as  
pessoas que detém esses valores desejam ascen-  
der tanto pessoalmente quanto profissionalmen-  
te (Gouveia et al., 2009). Diante disso, é esperado  
que os indivíduos que priorizam tais valores não  
se sujeitem a violência conjugal. Pois, conforme  
apontam os estudos de Guarini e da Silva (2019),  
a prática da violência conjugal implica em diversas  
consequências negativas, como injustiças impac-  
tando aspectos sociais, econômicos e o cresci-  
mento pessoal da vítima.  
As mulheres como grupo social o qual pas-  
sou por mudanças significativas nos últimos anos,  
como a conquista de sua autonomia e indepen-  
dência financeira, na atualidade, tendem a evitar  
parceiros que emitam ações que exprimam qual-  
quer tipo de agressão. Esta postura se configura  
como um esforço para desconstruir os paradigmas  
arcaicos que moviam a sociedade patriarcal, em  
que o homem era o provedor a mulher submissa a  
Referências  
Diante dos resultados apresentados e dis-  
cutidos, pode-se aprender que a pesquisa al-  
cançou os objetivos propostos, ou seja, exami-  
nou as relações existentes entre as crenças sobre  
a violência conjugal e os valores humanos, além  
de tomar conhecimento sobre quais subfunções  
valorativas que melhor predizem os fatores da  
ECVC. Apesar dos objetivos terem sido alcança-  
dos, vale destacar que o presente estudo apre-  
sentou algumas limitações.  
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