Actualidades en Psicología, 36 (133), julho-dezembro, 2022, 73-86  
DOI: 10.15517/ap.v36i133.43688  
ISSN 2215-3535  
Universidad de Costa Rica  
COVID Stress Scales (CSS): evidências psicométricas no  
contexto brasileiro  
COVID Stress Scales (CSS): Psychometric Evidence in the Brazilian Context  
Rislay Carolinne Silva Brito 1  
Paulo Gregório Nascimento da Silva 3  
Sandra Elisa de Assis Freire 2  
1,2 Departamento de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Brasil  
3 Departamento de Pós-graduação em Psicologia Social, Universidade Federal da Paraíba, Brasil  
1
2
3
Recebido: 01 de setembro de 2020. Aceitado: 15 de setembro de 2022.  
Resumo. Objetivo. Adaptar a COVID Stress Scales (CSS), reunindo evidências psicométricas, e verificar o padrão  
de relação com ansiedade frente a COVID-19. Método. Foram realizados dois estudos com participantes de  
diferentes estados brasileiros. No primeiro (n = 423) a análise fatorial exploratória sugeriu uma estrutura  
pentafatorial. No segundo (n = 300) executou-se uma análise fatorial confirmatória testando modelo  
pentafatorial. Resultado. Reuniram-se evidências de validade convergente e discriminante. A correlação de  
Pearson (r) que evidenciou relações positivas e estatisticamente significativas entre ansiedade e o estresse  
frente a COVID, indicando validade baseada em medida externa. Ademais, constatou-se consistência interna  
satisfatória em ambos os estudos. Conclui-se que o CSS é válida e fidedigna, podendo auxiliar na avaliação de  
indivíduos com estresse ocasionado pela pandemia da COVID e seus correlatos.  
Palavras-chave. Estresse, COVID-19, adaptação, validade, consistência interna  
Abstract. Objective. Adapt the COVID Stress Scales (CSS), gathering psychometric evidence, and to verify the  
pattern of relationship with anxiety compared to COVID-19. Method. Two studies were carried out with partici-  
pants from different Brazilian states. In the first (n = 423) the exploratory factor analysis suggested a pentafac-  
torial structure. In the second (n = 300), a confirmatory factor analysis was performed, testing a pentafactorial  
model. Evidence of convergent and discriminant validity was gathered. Pearson’s correlation (r) was performed,  
which showed positive and statistically significant relationships between anxiety and stress in the face of COVID,  
indicating validity based on external measure. Results. Satisfactory internal consistency was found in both stud-  
ies. It is concluded that the CSS is valid and reliable and can assist in the assessment of individuals with stress  
caused by the COVID pandemic and its correlated factors.  
Keywords. Stress, COVID-19, adaptation, validity, internal consistency  
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sofrimento psíquico durante o período da pandemia  
Introduçao  
A COVID-19 (Corona Virus Disease 2019) é uma  
doença altamente infecciosa, com um longo perío-  
do de incubação e causada pela SARS-CoV-2 (Severe  
Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2), popular-  
mente conhecido como novo coronavírus, que foi  
detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan,  
China, em dezembro de 2019. A infecção espal-  
hou-se rapidamente, fazendo com que, em março  
de 2020, a Organização Mundial da Saúde declaras-  
se a pandemia da COVID-19 (Gorbalenya et al., 2020;  
Todas as pandemias geram forte impacto social,  
econômico e político (Maia & Dias, 2020). Como  
resposta à pandemia da COVID-19, houve um sofri-  
mento emocional generalizado (Taylor et al., 2020a).  
O risco de contaminação, a implementação de me-  
didas de mitigação da propagação do vírus, como o  
isolamento social, os efeitos socioeconômicos, den-  
tre outros fatores, afetaram diferentes aspectos da  
vida das pessoas, trazendo sérias ameaças à saúde  
das populações e desencadeando problemas psico-  
lógicos, como: transtorno do pânico, ansiedade, de-  
Em uma pandemia, dentre os fatores que in-  
fluenciam a resistência das pessoas à infecção pelo  
vírus, estão os fatores psicológicos que interferem  
na maneira como o hospedeiro lida ou reage a uma  
infecção real ou potencial. Portanto, as pandemias  
são eventos nos quais as reações psicológicas da  
população à infecção desempenham uma função  
essencial na disseminação da doença, assim como  
na sua contenção. Essas reações sinalizam até que  
ponto ocorrem o sofrimento emocional generali-  
zado e o distúrbio social, sendo fundamental que  
gestores em saúde pública, autoridades e profissio-  
nais de saúde compreendam a natureza e o grau  
de respostas psicológicas adversas para a atual cri-  
se da COVID-19 (Taylor, 2019; Taylor et al., 2020b).  
Estudos realizados em diferentes países mostraram  
que as populações têm apresentado altos níveis de  
(2020) evidenciaram que na China, durante as duas  
primeiras semanas do surto de COVID-19, 16.5% das  
pessoas relataram níveis entre moderados e graves de  
depressão. Em relação à ansiedade, 36.4% das pes-  
soas apresentaram níveis de ansiedade, entre leve à  
extremamente grave e 32.1% níveis médio a extrema-  
mente severo de estresse. Já no estudo levado a cabo  
que 85.6% dos participantes relataram estar em es-  
tresse devido ao surto de COVID-19, sendo estes fa-  
tores mediadores do estresse: medo de ser infectado  
pelo vírus e de que familiares fossem infectados, inte-  
rrupção no fluxo normal dos estudos e planos futuros,  
problemas financeiros crescentes, perda de emprego,  
incertezas em relação à carreira futura, medo devido à  
crise alimentar, e presença de comorbidades nos res-  
pondentes ou em membros de sua família.  
Além disso, tem se evidenciado que uma das  
consequências mais destrutivas atribuída ao es-  
tresse refere-se ao risco de suicídio. Neste sentido,  
alguns autores (e. g. Bhuiyan et al., 2021; Dsouza  
como consequência pandêmica, a taxa de suicídio  
tem se elevado dramaticamente com o aumento  
das comorbidades psicológicas. Os preditores do  
estresse comumente relatados são: medo de infe-  
cção da doença, sofrimento psicológico e solidão  
gerados devido ao confinamento, crise financei-  
ra gerada pela pandemia, pressão para ficar em  
quarentena, testar positivo para COVID-19, estres-  
sores de bloqueio que geram crise econômica,  
desemprego e pobreza, estressores de perder o  
emprego que geram sentimento de desesperança  
ou desamparo e de impossibilidade de fornecer  
suporte à família. Além disso, pessoas com depen-  
dência de álcool e drogas diante da impossibilida-  
de de ter acesso a essas substâncias, enfrentam  
sofrimento psicológico extremo.  
Estudos clínicos estão sendo realizados no mun-  
do para elaborar uma vacina para tratar a COVID-19.  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
74  
 
dos fatores de perigo e contaminação relacionados  
à COVID-19 (Taylor et al., 2020b). Entretanto, em  
contexto espanhol, Guerrero e Ruiz (2020) corrobo-  
raram o modelo teórico hexafatorial, sendo possí-  
vel diferenciar o medo de danos e as preocupações  
com a contaminação como fatores distintos. Neste  
estudo, também se obteve correlações positivas  
estatisticamente significativas entre todos os domí-  
nios da medida, corroborando a possível existência  
da Síndrome de estresse por COVID-19 levantada  
Entretanto, o impacto na saúde mental, formas de  
intervenções e serviços associados ainda estão sen-  
do pouco estudados. É fato que a saúde mental e o  
bem-estar das comunidades sofrerão previsivelmen-  
te durante e após a COVID-19. Diante disso, mini-  
mizar esses impactos previsivelmente adversos ad-  
vindos da crise gerada pela pandemia atual se torna  
uma prioridade, assim como usar esta oportunidade  
para avançar no conhecimento sobre os aspectos de  
saúde mental durante as pandemias. Desta forma,  
para que seja possível fornecer serviços de saúde  
mental adequados e desenvolver estratégias de pre-  
venção e intervenção para as pessoas em resposta à  
COVID-19, é imprescindível entender os fatores ate-  
nuantes associados ao estresse causado pela pan-  
demia do Coronavírus e à problemas psicológicos  
Diante dessa emergência, Taylor et al. (2020b)  
elaboraram a COVID Stress Scale (CSS) com base  
em observações clínicas (Taylor, 2019). A CSS foi ini-  
cialmente validada em amostras Canadense e Es-  
tadunidense. O instrumento abrange as respostas  
de sofrimento relacionadas ao medo e à ansiedade,  
além de outras características, denominadas por  
Taylor e Asmundson (2020) como Síndrome do es-  
tresse por COVID. Como resultado da revisão teóri-  
ca da literatura Taylor (2019) propõe seis dimensões  
referentes aos aspectos psicológicos envolvidos  
em pandemias, a saber: (a) medo de se infectar, (b)  
medo de ter contato com objetos ou superfícies  
possivelmente contaminadas, (c) medo de estran-  
geiros que tenham possibilidades de estarem con-  
taminados, (xenofobia relacionada a doenças), (d)  
medo das consequências socioeconômicas da pan-  
demia, (e) verificação compulsiva de informações e  
busca de segurança em relação a possíveis ameaças  
relacionadas à pandemia, e (f) sintomas de estres-  
se-pós-traumático sobre a pandemia, como pesa-  
delos e pensamentos intrusivos.  
Utilizando a CSS, Asmundson et al. (2020) reali-  
zaram um estudo com uma amostra representativa  
de 1568 pessoas da população dos Estados Unidos  
e Canadá. Ele comparou pessoas que relataram  
transtornos relacionados à ansiedade ou de humor  
em 2020 a uma amostra aleatória de entrevistados  
que não relataram um diagnóstico atual de saú-  
de mental sobre estresse relacionado à COVID-19,  
por exemplo, estresse ocasionado pelo autoisola-  
mento e formas de enfrentamento relacionadas à  
COVID-19. Com isso foi possível examinar como os  
indivíduos com diferentes classes de problemas de  
saúde mental pré-existentes reagem e lidam com  
a COVID-19. Os resultados mostraram que em to-  
das as escalas do CSS, assim como no escore total,  
os participantes que apresentavam transtornos pri-  
mários relacionados à ansiedade pontuaram con-  
sistentemente mais alto do que os indivíduos com  
transtornos de humor e indivíduos sem transtorno  
mental. Neste último, houve exceção nas escalas de  
verificação compulsiva e busca por segurança. Esses  
achados sinalizam que os indivíduos com transtor-  
nos relacionados à ansiedade primária podem estar  
particularmente em risco de Síndrome de estresse  
em comparação com pessoas com transtornos de  
humor e pessoas sem diagnóstico de saúde mental.  
Até o momento, não existem instrumentos ela-  
borados para medir especificamente o estresse  
relacionado a pandemias que tenham sido elabo-  
rados com base em uma revisão teórica avançada  
de diferentes aspectos relacionados às respostas  
Apesar da proposta teórica inicial, abranger seis  
fatores (como anteriormente comentado), evidên-  
cias empíricas preliminares apresentaram uma so-  
lução estável de cinco fatores, oriundo da junção  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
75  
 
cognitivas, emocionais e sociais a situação de  
Estudo 1  
pandemia, como no caso da CSS. Essa ferramenta  
permite compreender as reações de sofrimento  
das pessoas em emergências causadas por epide-  
mias, assim como avaliar quais indivíduos tendem  
a ter mais comportamentos higiênicos adequados  
e aderir medidas de mitigação da propagação  
do vírus. Ele também permite prever necessida-  
des de intervenção em saúde mental e concen-  
trar esforços dos sistemas de saúde em pessoas  
e grupos mais vulneráveis (Guerrero & Ruiz, 2020;  
Método  
Participantes  
Contou-se com uma amostra acidental, não pro-  
babilística, de 423 pessoas, com idade média de 27.9  
anos (DP = 8.5; Amplitude = 18 a 60 anos). Deste  
total, 74.5% eram mulheres, solteiros 37% e com  
ensino superior incompleto 29.2%. Os participan-  
tes eram de 24 estados brasileiros, sendo 49.8% do  
Piauí, seguidos do estado do Maranhão com 26.7%.  
As medidas de estresse utilizadas até o pre-  
sente momento, em sua maioria, são de instru-  
mentos adaptados de outras medidas de estresse  
anteriormente elaboradas. Como os estudos de  
que adaptaram a Perceived Stress Scale (PSS; Co-  
hen et al., 1983), uma escala de 10 itens que avalia  
o estresse percebido. O primeiro resultou em um  
instrumento unidimensional composto por 5 itens  
adaptados para avaliar o estresse relacionado à  
COVID-19, sendo nomeada como Coronavirus  
Stress Measure (CSM). O segundo criou uma ver-  
são adaptada dos 10 itens da escala original. Já em  
seu estudo, Brown et al. (2020) utilizaram a versão  
original da PSS, sem modificar os itens. Hosseinza-  
deh-Shanjani et al. (2020) utilizaram a Depression,  
Anxiety, Stress Scale (DASS-21), elaborada por Lo-  
vibond e Lovibond (1995), com 21 itens que se dis-  
tribuem em três dimensões, estresse, ansiedade e  
depressão, para examinar os efeitos da pandemia  
da COVID-19 em relação ao estresse percebido  
pelos pais e ao potencial de abuso infantil. Nesta,  
os itens da DAAS-21 não foram adaptados para o  
contexto da pandemia de COVID-19.  
Instrumentos  
COVID Stress Scale (CSS; Taylor et al., 2020)  
O CSS possui 36 itens distribuídos em 6 domí-  
nios: (a) medo sobre o perigo de contaminação  
(Perigo de contaminação), (b) medo sobre as  
fontes de contaminação do vírus (Fontes de con-  
taminação), (c) manifestações de xenofobia rela-  
cionada ao vírus (Xenofobia), (d) preocupações  
sobre as consequências socioeconômicas (Con-  
sequências socioeconômicas), (e) comportamen-  
tos compulsivos de verificação de fontes de infor-  
mação (Verificação compulsiva), e (f) sintomas de  
estresse pós-traumático associado ao vírus (Es-  
tresse pós-traumático). Os itens são respondidos  
em uma escala tipo Likert, variando de 0 (Nem  
um pouco) a 4 (Extremamente) e 0 (Nunca) a 4  
(Quase sempre).  
Questionário sociodemográfico  
Composto por perguntas como sexo, idade,  
renda média familiar, etc. que possuem o objetivo  
de caracterização dos participantes.  
Procedimentos  
O presente estudo objetivou validar para o  
contexto brasileiro a CSS. Para tanto, levou-se a  
cabo dois estudos empíricos independentes que  
possibilitaram adaptar à CSS, além de reunir evi-  
dências de validade da medida (estrutura interna  
e convergente, discriminante, e baseadas em es-  
truturas externas).  
al. (2012), a COVID Stress Scale passou pelo proces-  
so de tradução e retrotradução (backtranslation) por  
dois tradutores independentes. Posteriormente, a  
medida foi submetida à validade semântica (Pasqua-  
li, 2016) com 30 participantes para verificar a com-  
preensão das instruções e itens. Nenhum item pre-  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
76  
 
cisou ser modificado. Posteriormente, foi realizada a  
Resultados  
coleta dos dados em formato eletrônico através de  
um link que foi disponibilizado aos participantes por  
meio de mídias sociais e aplicativos de mensagens  
como (e. g.): Facebook, Instagram, WhatsApp e Tele-  
gram. Na página inicial do formulário, foram aborda-  
dos os objetivos da pesquisa, o caráter sigiloso das  
informações e a possibilidade de o participante de-  
sistir de responder a pesquisa a qualquer momento  
sem nenhum ônus. Ao clicar na opção “próximo” o  
respondente apontava a sua concordância em parti-  
cipar da pesquisa, sendo este procedimento corres-  
pondente ao Termo de Consentimento Livre e Escla-  
recido (TCLE). Foram seguidos, portanto, os aspectos  
éticos indicados para a realização de pesquisas com  
seres humanos, seguindo as diretrizes da resolução  
466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde, re-  
cebendo a aprovação do Comitê de Ética Pesquisa  
com seres humanos (Parecer No. 4.006.522).  
Inicialmente, a análise fatorial exploratória ordi-  
nal ULS baseada em correlações policóricas atestou  
a fatorabilidade da matriz KMO = .90 e o teste de  
esfericidade de Bartlett = 4,710.7 (DP = 630; p <  
.001). O método Hull,verificado pelo índice de ajus-  
te CFI = .99, sugeriu a retenção de cinco fatores  
com os seguintes valores próprios (autovalores)  
respectivamente: 13.27; 5.14; 2.33; 2.11 e 1.46, ex-  
plicativos de 67.53% da variância total dos itens. A  
rotação utilizada foi a Robust Promin (Lorenzo-Seva  
& Ferrando, 2019). São apresentadas na Tabela 1 as  
cargas fatoriais dos itens, a consistência interna da  
escala, como os itens ficaram distribuídos em cada  
fator, e as comunalidades.  
Como apresentado na Tabela 1, o modelo de  
cinco fatores apresentou-se adequado com indi-  
cadores de ajustes satisfatórios. Cada fator apre-  
sentou seis itens, com exceção do fator de Pe-  
rigo e contaminação que apresentou doze itens.  
O fator Perigo e contaminação (PC) apresentou  
itens com cargas fatoriais que variaram entre .32  
(item 23) a .88 (item 03). Esta dimensão apresen-  
tou índices de consistência interna de (α e Ω) =  
.93. O fator Consequência socioeconômicas (CS)  
apresentou cargas fatoriais que variaram entre  
.67 (item 09) e .88 (item 07). O fator apresentou  
bons índices de consistência interna (α e Ω= .94).  
O fator Xenofobia (X) apresentou cargas fatoriais  
que variaram entre .61 (item 13) e .88 (item 15) e  
bons índices de consistência interna (α e Ω= .92).  
O fator Estresse pós-traumático (EPT) teve cargas  
fatoriais com valores entre .67 (item 27) a .89 (item  
28), com índices de confiabilidade de (α e Ω) =  
.93. Por fim, o fator Verificação compulsiva (VC)  
apresentou itens com cargas fatoriais que varia-  
ram entre .47 (item 33) a .74 (item 32) e apresen-  
tou bons índices de consistência interna de (α e  
Ω) = .88. Tais índices de consistência interna são  
considerados meritórios.  
Análise dos dados  
A análise dos dados foi realizada pelos softwares:  
SPSS (versão 26) e Factor (versão 10.10). Com o SPSS  
efetuou-se análises descritivas, visando caracterizar  
os participantes. O Factor 10.10 (Lorenzo-Seva  
& Ferrando, 2006) foi utilizado para investigar a  
dimensionalidade da CSS. Devido à natureza ordinal  
dos dados, a análise fatorial foi conduzida utilizando  
o estimador Unweighted Least Squares (ULS) a  
partir de uma matriz de correlações policóricas,  
estratégia ideal para itens respondidos em escala  
tipo Likert (Asún et al., 2016). A dimensionalidade  
da CSS foi verificada pelo método Hull Comparative  
Fit Index (CFI; Lorenzo-Seva et al., 2011). Ressalta-  
se que o método Hull configura-se como um dos  
melhores na estimação da dimensionalidade de  
um dado conjunto de itens (Lorenzo-Seva et al.,  
2011). Além disso, verificou-se a consistência interna  
pelo coeficiente alfa de Cronbach (α) com base  
nas correlações policóricas e pelo ômega (ω) de  
McDonald. Para tanto, considerou-se a escala de  
resposta do tipo Likert como categorias ordenadas  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
77  
Tabela 1. Estrutura Fatorial da CSS  
Cargas fatoriais  
1
2
.07  
3
4
5
h2  
Item 03  
.80*  
.86*  
.81*  
.80*  
.79*  
.79*  
.79*  
.73*  
.64*  
.63*  
.59*  
.32*  
.01  
-.22  
-.16  
.18  
-.07  
.11  
-.03  
-.08  
.04  
.58  
.66  
.70  
.54  
.60  
.69  
.58  
.66  
.64  
.48  
.45  
.38  
.77  
.85  
.79  
71  
Item 01  
-.06  
-.12  
.18  
Item 20  
-.07  
-.03  
.02  
Item 04  
-.27  
-.07  
.12  
-.05  
-.06  
.02  
Item 02  
.06  
Item 22  
-.09  
.07  
.01  
Item 05  
-.21  
.15  
.02  
.04  
Item 21  
-.17  
-.11  
.17  
.03  
.08  
Item 19  
.28  
.05  
.01  
Item 06  
-.07  
.22  
.03  
-.01  
.01  
Item 24  
.01  
-.06  
.14  
Item 23  
.20  
.14  
-.03  
-.03  
.01  
Item 07  
.88*  
.87*  
.82*  
.81*  
.81*  
.67*  
-.01  
-.02  
-.09  
.14  
-.02  
.09  
-.01  
-.04  
-.01  
.01  
Item 10  
.03  
Item 11  
.08  
.06  
-.04  
-.08  
.12  
Item 12  
-.04  
-.01  
.10  
.09  
Item 08  
.01  
-.01  
.08  
.68  
.56  
.74  
.73  
.67  
.67  
.61  
Item 09  
-.06  
.88*  
.87*  
.81*  
.78*  
.71*  
.61*  
.03  
.14  
Item 15  
-.04  
-.05  
.08  
-.03  
.05  
.08  
Item 14  
.06  
Item 18  
.01  
.04  
Item 16  
-.08  
.15  
-.03  
-.06  
.02  
.02  
Item 17  
.03  
-.11  
-.16  
-.01  
-.01  
.06  
Item 13  
.02  
.20  
.56  
.74  
.77  
.69  
.70  
.69  
.67  
.49  
.61  
Item 28  
-.07  
.08  
.01  
.89*  
.87*  
.86*  
.85*  
.79*  
.67*  
-.07  
.35  
Item 29  
.01  
.04  
Item 26  
-.13  
-.03  
.13  
.10  
-.09  
.04  
Item 30  
-.06  
.01  
.02  
Item 25  
-.01  
-.06  
-.07  
.06  
-.08  
.06  
Item 27  
.21  
-.06  
.04  
Item 32  
-.01  
-.25  
-.08  
.28  
.74*  
.63*  
.55*  
.53*  
.49*  
.47*  
06  
Item 36  
.11  
Item 35  
.02  
-.01  
-.06  
.03  
.23  
.44  
.51  
Item 31  
-.09  
.06  
.06  
Item 34  
-.08  
.25  
.32  
.41  
.67  
Item 33  
-.40  
06  
.03  
.02  
Número de itens  
Valor própio  
Variância explicada (%)  
Alfa de Cronbach (α)  
Omega de McDonald (Ω)  
12  
06  
06  
13.27  
36.88  
.93  
5.14  
14.28  
.94  
2.33  
6.47  
.92  
2.11  
5.86  
.93  
1.46  
4.06  
.83  
.93  
.94  
.92  
.93  
.83  
Nota. h2: comunidades; F1 = Perigo e contaminação; F2 = Consequências socioeconômicas; F3 = Xenofobia; F4 = Estresse  
pós-traumático; F5 = Verificação compulsiva (VC); carga fatorial |≥ .30|.  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
78  
   
mendado para dados ordinais e que não seguem  
distribuição normal (Asún et al., 2016), caracterís-  
ticas idênticas às dos dados aqui utilizados. Para  
avaliar a adequação do modelo, serão empregados  
os seguintes indicadores: (a) Comparative Fit Index,  
Estudo 2  
Método  
Participantes e procedimento  
Contou-se com uma nova amostra de 300 pes-  
soas da população geral de 19 estados brasileiros,  
tendo média de idade de 27.7 anos (DP = 8.6, varian-  
do 18 a 59 anos), sendo a maioria do sexo feminino  
(55.7%) e 33.6% possuía ensino superior incompleto.  
Estes foram angariados de forma não-probabilística  
por conveniência, utilizando a mesma estratégia de  
coleta de dados do estudo anterior. Assim como no  
Estudo 1, a maioria dos participantes eram do Piauí  
(34.7%) e do Maranhão (18.3%).  
é o índice comparativo dos modelos, o qual consi-  
dera modelo ajustado, valores iguais ou superio-  
res a .90; (b) Tucker-Lewis Index (TLI) é o índice de  
adequação do modelo, valores acima de .90 são  
considerados adequados; e (c) Root-Mean-Squa-  
re Error of Approximation (RMSEA) diz respeito ao  
ajuste do modelo, com intervalo de confiança de  
90% (IC90%), que recomenda valores entre .05 e  
.08, admitindo-os até .10 (Tabachnick & Fidell, 2013).  
O pacote rotina psych, disponível no R, foi adota-  
do para avaliar a consistência interna, considerando  
os índices alfa de Cronbach e o ômega (ω) de Mc-  
Donald. Objetivando reunir evidências complemen-  
tares de validade de construto dessa medida, calcu-  
laram-se a variância média extraída (VME) (Hair et  
al., 2019). Valores iguais ou superiores a .50 e .60,  
respectivamente, asseguram a adequação da medi-  
da. A VME é indicação de validade convergente de  
cada fator, isto é, o quanto ele explica o conjunto  
de itens; já a validade discriminante é assegurada  
quando a raiz quadrada do valor da VME é superior  
à associação entre dois fatores (Φ) (Marôco, 2014).  
O software SPSS, versão 26, também foi utilizado  
para os procedimentos de análise dos dados, possi-  
bilitando, além das análises descritivas, a execução  
da correlação de Pearson, a fim de conhecer as re-  
lações entre as medidas, que possibilitarão reunir  
evidências de validade convergente baseadas em  
medidas externas. Ressalta-se que são reunidas  
evidências de validade externa com construtos re-  
lacionados, quando são apresentadas magnitudes  
entre .20 a .50 (Nunes & Primi, 2010).  
Instrumentos  
Os participantes responderam os mesmos ins-  
trumentos descritos no Estudo 1. Além disso, a se-  
guinte escala foi aplicada:  
Escala de ansiedade da COVID-19 (CAS)  
Essa medida foi elaborada por Lee (2020) e va-  
lidada para o Brasil por Medeiros, Silva et al. (2021)  
possuindo cinco itens reunidos em uma dimensão.  
Os itens foram construídos levando em conside-  
ração os aspectos cognitivos, comportamentais e  
emocionais relacionados a ansiedade. Os itens são  
respondidos numa escala de 5 pontos, que refletem  
a frequência dos sintomas, variando de 0 (nada) a  
4 (quase todos os dias). Tendo como exemplo os  
itens 03 “Minhas mãos ficam suadas quando penso  
no COVID-19” e o item 05 “Quando assisto notícias  
e histórias sobre o COVID-19 nas mídias sociais, fico  
nervoso(a) e ansioso(a)”.  
Análise de dados  
Foram utilizados o SPSS-26 e o software R.  
Com o SPSS foram realizadas análises descritivas  
para caracterizar a amostra. Com o software R, por  
meio do pacote Lavaan, foram realizadas análises  
fatoriais confirmatórias categóricas (ordinais) com  
estimador Weighted Least Squares Mean and Va-  
riance-Adjusted (WLSMV). Tal estimador é reco-  
Resultados  
Foi realizada uma análise fatorial confirmatória  
(AFC), adotando o método de estimação Weighted  
Least Squares Mean and Variance Adjusted (WLS-  
MV), que buscou comparar a qualidade de ajusta-  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
79  
 
mento da estrutura correlacional (policóricas) mo-  
Cronbach e o ômega de McDonald. Assim, foram  
considerados os fatores da medida: F1 = Perigo  
e contaminação (α = .94) e (ω = .88); F2 = Con-  
sequência socioeconômicas (α = .92) e (ω = .89);  
F3 = Xenofobia (α = .88) e (ω = .86); F4 = Estresse  
pós-traumático (α e ω = .94); F5 = Verificação com-  
pulsiva (α e ω = .85). Conforme se observa, todos  
atestam que este parâmetro psicométrico da medi-  
da foi considerado adequado.  
Posteriormente, foram reunidas evidências de va-  
lidades convergente e discriminante dos cinco fatores  
da CSS. Os resultados obtidos na VME e nas corre-  
lações (Φ) entre construtos latentes foram conside-  
delo pentafatorial encontrado no Estudo 1. Assim,  
foram observados os seguintes índices de ajuste: 1  
152.917 (584) χ²/gl = 1.97, CFI = .97, TLI = .97, RM-  
SEA (IC90%) = .05 [.05 - .06]. Ressalta-se que todos  
os lambdas (λ) apresentaram valores diferentes de  
zero (λ ≠ 0; F > 3.84, p < .05). Nas Figura 1, é possí-  
vel observar as saturações dos 36 itens da CSS.  
Em suma, os achados previamente descritos su-  
geriram que a estrutura composta por cinco fato-  
res da CSS reuniu indicadores adequados de ajuste.  
Além disso, calcularam-se os coeficientes de con-  
sistência interna avaliados pelo coeficiente alfa de  
Figura 1. Estrutura pentafatorial da CSS  
Item_07  
Item_08  
Item_09  
Item_10  
Item_11  
Item_12  
Item_13  
Item_14  
Item_15  
Item_16  
Item_17  
Item_18  
Item_25  
Item_26  
Item_27  
Item_28  
Item_29  
Item_30  
Item_31  
Item_32  
Item_33  
Item_34  
Item_35  
Item_36  
e13  
e14  
e15  
e16  
e17  
e18  
e19  
e20  
e21  
e22  
e23  
e24  
e25  
e26  
e27  
e28  
e29  
e30  
e31  
e32  
e33  
e34  
e35  
e36  
e12  
e11  
Item_24  
Item_23  
Item_22  
Item_21  
Item_20  
.71  
.67  
.84  
.91  
.50  
.84  
.89  
.90  
.85  
e10  
e9  
e8  
e7  
e6  
e5  
e4  
e3  
e2  
e1  
.90  
.86  
Consequências  
socioecônicas  
.55  
.88  
Item_1  
9
.83  
.78  
.78  
Perigo e  
Item_06  
Item_05  
Item_04  
.85  
contaminação  
.60  
.89  
.83  
.79  
.82  
.45  
.74  
.70  
.73  
3
.77  
.80  
Item_0  
Xenofobia  
Item_02  
Item_01  
.43  
.68  
.86  
.31  
.85  
.83  
.87  
.95  
.84  
.64  
Estresse  
pós-traumático  
.35  
.67  
.69  
.58  
.77  
.79  
.65  
.73  
Verificação  
compulsiva  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
80  
 
Tabela 2. Variância média extraída, correlações interfatoriais da CSS  
VME  
VME  
Correlações Φ (r)  
1
2
3
4
5
F1  
.64  
.73  
.63  
.76  
.50  
.80  
.85  
.79  
.87  
.71  
-
F2  
F3  
F4  
F5  
(.50) .45*  
(.55) .49*  
(.68) .61*  
(.64) .56*  
-
(.60) .52*  
(.45) .39*  
(.43) .37*  
-
(.31) .26*  
(.35) .29*  
-
(.67) .56*  
-
Nota. VME = Variância Média Extraída; √VME = Raíz quadrada da Variância Média Extraída; F1 = Perigo  
e contaminação ; F2 = Consequências socioeconômicas; F3 = Xenofobia; F4 = Estresse pós-traumático;  
F5 = Verificação compulsiva; Φ = correlação entre os construtos latentes; r = correlação de Pearson.  
*p > .001.  
rados como indicadores de validade convergente.  
Como evidenciado na Tabela 2, os cinco fatores in-  
dicaram evidências de validade convergente, pois os  
valores de suas respectivas VMEs foram ≥ .50.  
VID-19. Assim, por meio da análise de correlação de  
Pearson, se verificou associações positivas (p < .001)  
dos fatores da CSS com a ansiedade da COVID-19,  
como teoricamente esperado, sendo respectiva-  
mente: sintomas de estresse pós-traumático (r =  
.81), verificação compulsiva (r = .52), perigo e conta-  
minação (r = .48), consequências socioeconômicas  
(r = .37), xenofobia (r = .21). De maneira geral, tais  
resultados indicam que pessoas com estresse em  
decorrência da COVID-19 podem apresentar níveis  
elevados de ansiedade.  
Refere-se à evidência de validade discriminan-  
te dos fatores da CSS e apresenta-se na Tabela 2  
as raízes quadradas das VMEs e a matriz de corre-  
lações entre tais fatores (traços latentes). Os fatores  
F1 (Perigo e Contaminação) e F2 (Consequências  
Socioeconômicas) se mostraram moderadamente  
correlacionados entre si (Φ = .50), valores inferiores  
às √VMEs de ambos (.80 e .85, respectivamente).  
O F1 se correlacionou também fortemente com F3  
(Xenofobia) (Φ = .55), F4 (Estresse pós-traumático)  
(Φ = .68) e F5 (Verificação compulsiva) (Φ = .64). F2  
o fez com os fatores F3 (Φ = .60), F4 (Φ = .45) e  
F5 (Φ = .43). F3 com F4 (Φ = .31) e F5 (Φ = .35).  
F4 com F5 (Φ = .67). Esses resultados indicam evi-  
dências de validade discriminante, pois em todas as  
comparações a raiz quadrada da VME foi superior  
ao coeficiente de correlação (Ф) entre os dois fato-  
res em consideração (traço latente). Os resultados  
estão sumarizados na Tabela 2.  
Discussão  
Até o momento, existe pouca atenção empírica  
sobre a natureza e o grau de respostas psicológi-  
cas adversas à atual crise da COVID-19 (Taylor et al.,  
2020b), por isso, é de extrema importância contar  
com instrumentos como a CSS, que possibilitem a  
tomada de decisões quanto à priorização das ações  
de saúde pública para compreender e mitigar os  
efeitos da pandemia na saúde mental da população  
(Medeiros et al., 2022). Este, ou qualquer instrumen-  
to utilizado para esses objetivos, deve atender a cri-  
térios mínimos de qualidade e deve haver evidên-  
cias de suas propriedades psicométricas (Guerrero &  
Ruiz, 2020). Diante disso, o objetivo deste trabalho  
foi adaptar a COVID-19 Stress Scale para o contex-  
to brasileiro, reunindo evidências de sua validade e  
Por fim, foram reunidas evidências complemen-  
tares baseadas em medidas externas (convergente).  
Para tanto, foram considerados os escores totais do  
somatório dos cinco fatores da CSS, além do soma-  
tório do fator geral da medida de ansiedade da CO-  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
81  
   
consistência interna. Estima-se que o objetivo tenha  
vimento da EMS-VR, os indicadores de consistência  
interna permaneceram acima do indicado na literatu-  
Posteriormente, foram reunidas evidências de  
validade convergente e discriminante. Foram consi-  
derados os cinco fatores da medida CSS, tomando  
como referência a VME que apontou que os cinco  
fatores apresentaram evidências de validade con-  
vergente (VMEs ≥ .50). Isto sugere que seus itens  
representam de maneira adequada à síndrome do  
estresse da COVID-19, admitindo que os cinco são  
fatores legítimos (Hair et al., 2019). No tocante a  
validade discriminante dos fatores da CSS, todos  
os fatores diferenciaram substancialmente entre si,  
ou seja, as VMEs apresentaram valores superiores à  
correlação ao quadrado, e isto indica que os cons-  
trutos são minimamente diferentes (validade discri-  
sido alcançado, como pode ser visualizado a partir  
dos resultados que evidenciam parâmetros psico-  
métricos meritórios para a CSS. Deste modo, a se-  
guir, os principais resultados serão discutidos.  
No Estudo 1, através da Análise Fatorial Explo-  
ratória, a estrutura penta-fatorial original foi ates-  
tada empiricamente, com rotação Robust Promin.  
De acordo com os resultados encontrados, cinco  
fatores foram retidos por representarem melhor o  
padrão de correlação entre as variáveis. Os fato-  
res englobaram os mesmos itens que o estudo de  
Taylor et al. (2020b), corroborando com os achados  
realizados no Canadá e nos Estados Unidos, que  
também identificaram uma estrutura de cinco fa-  
tores, oriundo da junção dos fatores de perigo e  
contaminação relacionadas à COVID-19.  
Apesar dos resultados apontarem que a CSS  
apresenta bons indicadores de validade sobre a es-  
trutura interna e consistência interna, faz-se neces-  
sário oferecer mais evidências de seu ajuste, a fim  
de confirmar se o modelo teórico se apresenta de  
forma adequada aos dados, utilizando diferentes  
amostras. Com isso foi realizado o Estudo 2 que  
possibilitou, por meio de uma análise fatorial con-  
firmatória, confirmar a estrutura penta-fatorial da  
CSS, a partir dos indicadores que atestaram o ajuste  
do modelo aos dados: CFI e TLI ≥ .90 e RMSEA <  
.08 (Tabachnick & Fidell, 2013). Além das evidências  
reunidas acerca da estrutura interna da medida,  
foi verificada a validade com base em correlações  
com uma variável externa. A medida apontou as-  
sociações positivas com a ansiedade da COVID-19,  
indicando evidências de validade convergente.  
Em relação à consistência interna da medida,  
em ambos os estudos, tal medida apresentou índi-  
ces meritórios (Marôco, 2014), sendo que os valores  
observados nos estudos foram próximos àqueles re-  
portados por seus autores. Além disso, a consistência  
interna também foi verificada por meio do ômega de  
McDonald, alternativa que busca dirimir deficiências  
no alfa de Cronbach (Dunn et al., 2013). Salienta-se,  
portanto, que assim como no estudo de desenvol-  
Por fim, foram reunidas evidências baseadas em  
construtos relacionados. Para tanto, foi considerada  
a ansiedade da COVID-19, que apresentou relações  
positivas com as dimensões da CSS, como espera-  
do teoricamente (Taylor et al., 2020a). Assim, foram  
observadas magnitudes entre .21 a .81, que indicam  
evidências de validade externa com construtos re-  
lacionados (Nunes & Primi, 2010).  
Em suma, os achados aqui reportados sinali-  
zam que a CSS é um instrumento que pode ser  
utilizado na população adulta brasileira afim de  
identificar os elementos da Síndrome de estresse  
por COVID-19, apontada por Taylor e Asmundson  
(2020) como uma comorbidade decorrente da  
pandemia atual e caracterizada por medo de in-  
fecção, medo de tocar superfícies ou objetos que  
possam estar contaminados com o novo corona-  
vírus, xenofobia (medo de que estrangeiros pos-  
sam ser infectados com o vírus), verificação e bus-  
ca de garantias relacionadas à COVID e sintomas  
de estresse pós-traumático relacionados à COVID  
(por exemplo: pensamentos intrusivos e pesadelos  
relacionados à COVID). Os autores sugerem que as  
pessoas que desenvolvem a Síndrome de estres-  
se por COVID-19 têm psicopatologia pré-existen-  
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.  
82  
te, particularmente altos níveis pré-existentes de  
tem se demonstrado um fenômeno proeminente  
nesta pandemia, fazendo com que as pessoas pre-  
sentes comportamentos preventivos por medo de  
infecção (Chang et al., 2022). Conhecer tal relação  
em contexto brasileiro pode auxiliar profissionais  
de saúde a compreender de forma mais eficaz as  
respostas psicológicas, como o medo e ansiedade  
dos indivíduos durante a pandemia da COVID-19  
(Chang et al., 2022), podendo ser desenvolvidas  
propostas interventivas. Ademais, mesmo com  
estes resultados positivos, ressalta-se que, embo-  
ra promissores, o que foi encontrado deve servir  
apenas como uma abordagem inicial das caracte-  
rísticas psicométricas da escala, necessitando de  
estudos posteriores.  
ansiedade relacionada à saúde e comportamentos  
compulsivos de verificação sobre a saúde, além de  
serem pessoas que contraíram a doença.  
Os achados de Asmundson et al. (2020) con-  
tribuem nessa direção, corroborando que pessoas  
com transtorno de ansiedade apresentam maiores  
níveis de estresse em comparação a pessoas sem  
diagnóstico de saúde mental. São necessários es-  
tudos que avaliem se a Síndrome de estresse por  
COVID-19 é simplesmente um transtorno de ajus-  
tamento, diminuindo os sintomas à medida que a  
pandemia passa ou se se tornará crônica para al-  
guns indivíduos (Taylor & Asmundson, 2020).  
É evidente a relevância dos dados obtidos neste  
estudo, considerando a urgência de que os profis-  
sionais da psicologia e da saúde mental estejam  
munidos com ferramentas eficazes para identifi-  
car os níveis de risco individual e coletivo gerados  
pela pandemia da COVID e por possíveis pande-  
mias futuras. Além disso, esses resultados ampliam  
a compreensão de como avaliar as manifestações  
psicológicas devido às pandemias, sendo central a  
discussão sobre o construto da Síndrome de estres-  
se por COVID-19 (Guerrero & Ruiz, 2020).  
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Entretanto, como todo empreendimento cientí-  
fico, este não está imune de limitações potenciais.  
Nesse sentido, cita-se a amostra não probabilística,  
sendo está por conveniência, a qual se caracteriza  
por não possibilitar o alcance de uma amostra re-  
presentativa da população, inviabilizando generali-  
zações. Portanto, é necessário ter-se mais evidências  
das características psicométricas do CSS no Brasil,  
bem como verificar suas propriedades em outros  
países de língua portuguesa. Na possibilidade de  
estudos futuros, recomenda-se que sejam realizadas  
mais investigações com amostras maiores e diversifi-  
cadas, visando corroborar os achados até o presente.  
Por exemplo, seria interessante verificar a re-  
lação da CSS, com outros instrumentos, a exemplo  
da Fear of COVID-19 Scale, que avalia o medo da  
COVID-19 e já foi adaptada para o Brasil por Me-  
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