dos membros da minha família ou dar várias adver-
A segunda limitação refere-se ao fato do estudo
ser de cunho correlacional, e não de cunho expe-
margem para uma nova testagem estatística de um
modelo alternativo mudando as ordens das variá-
veis para verificação de efeitos mediadores. Neste
sentido, pesquisas poderão replicar nosso modelo
e compará-los a outros alternativos. A terceira limi-
tação é que focamos apenas no abuso psicológico,
outros estudos poderão ser realizados para prever
o tradicionalismo no apoio a outras formas de abu-
so sofrido dentro dos lares, como o físico, o sexual,
o patrimonial e o moral. Além disso, nossa amostra
foi composta em sua maioria por mulheres hete-
rossexuais, carecendo de outros estudos com uma
amostra mais diversificada, uma vez que as mino-
rias sexuais também são alvos de violência (Gillum
questões sobre número de filhos, nível de escola-
ridade e região específica da qual a participante é
proveniente. Desse modo, torna-se necessário um
novo estudo especificando essas variáveis importan-
tes para traçar o perfil da amostra brasileira.
Este estudo examinou a predição do tradiciona-
lismo nos relacionamentos conjugais mediado pela
quarentena. Esta pesquisa contribui para aprofun-
dar os estudos do fenômeno da violência contra
a mulher, propondo que o período de quarente-
na seja utilizado como justificativa para o apoio ao
abuso psicológico. O período da quarentena é um
dos justificadores que mascaram o sofrimento que
essas vítimas vêm tendo durante toda a vida.
Ressaltamos que o período da quarentena é ne-
cessário para evitar a difusão da COVID-19. Porém,
nem todas as mulheres possuem um bom supor-
te familiar para permanecerem dentro de casa por
muito tempo e quanto maior o poder patriarcal,
maior será a perpetuação e aceitação da violência
estudos futuros possam abordar outros tipos de
violência que estão presentes nesse período, bem
como analisar os recursos financeiros, afetivos e fa-
miliares que essas mulheres têm.
tências para se comportar da forma como o parceiro
não com as estratégias diretas do abuso psicológico,
como tratar a mulher como se fosse um objeto ou
diminuir as iniciativas e consequentemente diminuir
2016). Uma explicação para isso deriva do contexto
da pandemia, que favorece o distanciamento social
e, com isso, os agressores não precisam justificar seus
como supervisão do comportamento e isolamento.
Assim, também as mulheres que endossam es-
ses valores normativos, principalmente o “mito do
casamento perfeito” ou o casamento como ápice
de uma realização afetiva, aceitam mais as estra-
tégias indiretas do abuso psicológico. Quanto às
estratégias diretas, as mulheres precisaram justificar
por meio do período da quarentena que os abu-
sos psicológicos são consequências de uma con-
vivência integral. Dito de outra forma, elas preci-
valor convencional da autoridade que, neste caso,
é o marido, o namorado ou o companheiro, para
legitimar que sofrem com os abusos que afetam a
cognição, as emoções e o comportamento delas
Apesar do presente estudo ter cumprido com
os objetivos e hipóteses propostas, este não está
isento de limitações. Primeiramente, embora nos-
sa amostra tenha sido constituída majoritariamente
por mulheres de esquerda no fator tradicionalis-
mo, não examinamos se existem diferenças, como
políticas de pessoas de esquerda e direita são ne-
cessárias para se avaliar o quanto as pessoas po-
dem não aceitar o autoritarismo, conservadorismo
se examinar seria necessária uma equiparação da
amostra em mulheres de esquerda e direita. De
toda forma, são necessárias mais pesquisas para
avaliar como isso ocorre.
Actualidades en Psicología, 36(133), 2022.
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