ISSN 2215-3535
Actualidades en Psicología, 36 (132), janeiro-junho, 2022, 29-42
DOI: 10.15517/ap.v36i132.42501
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.
www.revistas.ucr.ac.cr/index.php/actualidades
Universidad de Costa Rica
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19:
representações sociais de homens gays e heterossexuais
Sexual Behaviors During the Covid-19 Pandemic: Social Representations of Gay
and Heterosexual Men
José Victor de Oliveira Santos
1
https://orcid.org/0000-0002-6661-2873
Lorena Alves de Jesus
2
http://orcid.org/0000-0003-4533-4920
Luciana Kelly da Silva Fonseca
3
https://orcid.org/0000-0001-8832-5261
Mateus Egilson da Silva Alves
4
http://orcid.org/0000-0001-5759-8443
Ludgleydson Fernandes de Araújo
5
http://orcid.org/0000-0003-4486-7565
1,2,3,4,5
Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Brasil
1
josevictorpsi@gmail.com
2
lorenaalve_s@hotmail.com
3
l.kelly_fonseca@hotmail.com
4
mateusegalves@gmail.com
5
ludgleydson@yahoo.com.br
Recebido: 25 de junho de 2020. Aceitado: 01 de março de 2022.
Resumo. Objetivo. O presente artigo objetivou comparar as representações sociais (RS) entre grupos de
homens gays e heterossexuais sobre os comportamentos sexuais face ao isolamento social decorrente da
pandemia da Covid-19. Método. Participaram 200 homens (100 heterossexuais e 100 homossexuais), com
médias de idade de 27,06 e 28,12, respectivamente. Utilizou-se um formulário sociodemográco on-line e
uma entrevista semiestruturada com duas perguntas disparadoras para apreensão das RS. Os dados foram
analisados pelo software IRAMUTEQ. Resultados. Vericou-se similaridades em ambos os grupos quanto a vida
sexual ativa e uso de tecnologias para Sexting e acesso a pornograa. Entretanto, os homossexuais divergem na
estrutura representacional ao buscarem estas estratégias compensatórias em maior quantidade, em razão de
relacionamentos com pouca duração e/ou pouca união estável. Conclui-se que o distanciamento físico desvela
intercorrências heterogêneas à vida afetivo-sexual nessa nova realidade social.
Palavras-chave. Comportamentos sexuais, isolamento, homossexuais, heterossexuais, representações sociais
Abstract. Objective. This article aimed to compare the social representations between groups of gay and
heterosexual men about sexual behavior as a result of social isolation from the Covid-19 pandemic. Method. 200
men participated (100 heterosexuals and 100 homosexuals) with average age of 27.06 and 28.12, respectively.
A sociodemographic questionnaire was used for sample characterization and a semi-structured interview for
the apprehension of SR, with data processed by the IRAMUTEQ software. Results. Similarities were found in
both groups in terms of active sex life and the use of technologies for sexing and access to pornography.
However, homosexuals diverge in the representational structure when seeking greater compensatory strategies
for having more stable civic states. It is concluded that physical distance reveals heterogeneous intercurrences
to aective-sexual life in this new social reality.
Keywords. Sexual behaviors, isolation, homosexuals, heterosexuals, social representations
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
30
INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
Introducción
Nos últimos anos, a globalização facilitou a maior
disseminação de agentes patológicos (Ornell et al.,
2020). Um novo tipo de coronavírus, denominado
SARS-CoV-2, é considerado um grave problema de
saúde pública no cenário atual. A doença causa-
da pelo patógeno é denominada pela Organização
Mundial da Saúde (OMS, 2020) COVID-19 (Rothan
& Byrareddy, 2020).
O surto da doença ocorreu na China no nal de
2019 (Huang et al., 2020). Em março de 2020, a OMS
declarou caráter emergencial de pandemia, tendo
em vista o rápido contágio global (Wang et al., 2020).
As manifestações clínicas da COVID-19 incluem tos-
se, dores no corpo, febre, complicações respiratórias
e outros possíveis sintomas que estão em estudo.
Alguns pacientes são assintomáticos, porém um nú-
mero signicativo dos casos demanda cuidados em
unidades de terapia intensiva (Carvalho et al., 2020;
Li et al., 2020). A m de conter o avanço da pande-
mia, a OMS recomendou o isolamento social para
toda à população (Kissler et al., 2020).
Assim sendo, foram suspensas atividades que
possam contribuir com a aglomeração de pessoas,
com a manutenção somente dos serviços conside-
rados essenciais (Brooks et al., 2020). Além dos ris-
cos à saúde física, são evidenciados aspectos psico-
lógicos negativos importantes (Ornell et al., 2020).
Dentre os fatores, o medo de ser infectado pelo
vírus que pode causar morte e sem garantia de um
tratamento ecaz pode afetar o bem-estar psico-
lógico da população (Asmundson & Taylor, 2020;
Carvalho et al., 2020).
Os principais ambientes que possibilitam a
aglomeração de pessoas como escolas, empresas,
eventos sociais e meios de transporte público, tive-
ram sua atividade alterada. Logo, as pessoas foram
orientadas a carem em casa e manter um contato
restrito com outras pessoas (Oliveira et al., 2020).
Um estudo realizado na China evidenciou sintomas
de ansiedade, depressão e estresse no período da
pandemia (
Wang et al., 2020).
Casos de suicídio também foram noticados em
alguns países como Índia e Coreia do Sul, que estão
possivelmente relacionados aos impactos psicoló-
gicos da COVID-19 (
Goyal et al., 2020; Jung & Jun,
2020). Ademais, a restrição do contato social é con-
siderado um fator negativo, visto que a interação
social pode contribuir para bem-estar e qualidade
de vida humana (Schmidt et al., 2020).
Dessarte, as medidas tomadas frente à Covid-19
que envolvem a diminuição do contato social
trazem consequências ímpares aos campos cog-
nitivos, afetivos e comportamentais. Nesse ínterim,
os comportamentos sexuais também se conguram
hodiernamente sob essas novas circunstâncias, de
modo que conforme se estabelecem distintos sta-
tus amorosos têm-se distintas realidades, como en-
tre aqueles com parceiros xos e aqueles sem, além
de fatores como gênero e idade (Jacob et al., 2020).
O crescimento do uso de conteúdos pornográ-
cos on-line, é um dos dados que reetem como
as pessoas podem estar construindo estratégias de
enfrentamento frente ao estresse das interferências
do distanciamento social nos comportamentos se-
xuais, de modo que o acesso facilitado a materiais
pornográcos pode distrair os indivíduos da soli-
dão, angústia, tédio ou outras emoções negativas
relacionadas à pandemia (Mestre-Bach et al., 2020).
Esses direcionamentos são compreensíveis
quando a sexualidade é um dos componentes que
dão sentido e signicado à existência humana, re-
presentando uma função vital dos indivíduos ao
envolverem fatores biológicos, psicológicos, so-
ciais e culturais. As atividades sexuais são um dos
fenômenos expressos da sexualidade humana, e
despontam principalmente a partir da adolescên-
cia, quando despertam-se maiores envolvimentos
socioafetivos, descobertas e experiências sexuais
com o surgimento da masturbação e início da vida
sexual (Vieira et al., 2016).
Nesse sentido, a modernidade digital, com as
emergentes tecnologias da informação, desempen-
ha papel preponderante para o desenvolvimento
cultural e social da sexualidade. De forma que os
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
ta nos grupos citados (Moscovici, 2012). Segundo
Moscovici, as representações não são criadas por
indivíduos de forma isolada e têm como objetivo
principal tornar o não familiar em familiar. Ressal-
ta-se que o processo de familiaridade dos con-
ceitos é responsável pela formação das represen-
tações mediante dois fenômenos sociocognitivos: a
ancoragem e a objetivação.
O primeiro tenta ancorar ideias estranhas a con-
teúdos já familiares e, concomitante a esse proces-
so, decorre a objetivação, que é quando o descon-
hecido se torna real e concreto ao nível simbólico.
O desconhecimento causa estranheza. Nesse sen-
tido, ambos os processos visam o equilíbrio diante
do novo (Moscovici, 2015, p. 60).
Nessa conjectura, o estudo das representações
sociais possibilita averiguar sobre as vertentes de
sentidos alicerçados diante do imaginário social
sobre a temática referida, sendo uma importante
ferramenta a ser considerada em pesquisas de cun-
ho qualitativo (Duarte et al., 2009). Como, por con-
seguinte, no contexto de incidência e especulação
social da Covid-19, as RS mostram-se capazes de
sintetizar as apreensões circunscritas ao contexto
brasileiro, com estudos em RS que corroboram sua
relevância cientíca e social ao revelarem aspectos
psicossociais da pandemia (Do Bú et al., 2020).
Corroborando, Jodelet (2018) que alude sobre
como as representações sociais do indivíduo auxi-
liam no esclarecimento das informações e no clarea-
mento de escolhas do cotidiano social. Sendo assim,
apreender como a população investigada está mani-
festando comportamentos sexuais diante do cenário
restrito de contato social é um importante indicador
para a compreensão desta temática no campo das
representações sociais desses indivíduos.
Entende-se que, tanto no campo individual quan-
to no coletivo podem-se delinear diferentes repre-
sentações sociais nos grupos pesquisados. O que
reverbera em relevância cientíca e social, para com-
partilhamento de noções técnicas com valor psicos-
social. Logo, ante o exposto, o presente artigo buscou
compreender em caráter comparativo as represen-
comportamentos sociais podem traduzir-se não so-
mente com o contato físico, inclusive aqueles sexuais,
como a do Sexting (Sfoggia & Kowacs, 2014). Dessa
forma, o sexting popularizou-se como recebimento
e compartilhamento de imagens de conteúdo com
conotação sensual, com ou sem nudismo (os nudes),
nos aplicativos e redes sociais como Tinder, Grindr e
Whatsapp, ampliando com isso não apenas o víncu-
lo de amizades, mas como também o favorecimento
de práticas sexuais casuais (Jacob et al., 2020; Narva-
ja, 2019; Wanzinack & Scremin, 2014).
Portanto, cenários avessos, como os provocados
por pandemias e pela adoção do isolamento so-
cial, interpelam drasticamente como as interações
sexuais podem se concretizar sicamente, poden-
do vir a ensejar comportamentos sexuais de risco
durante a pandemia. Ainda assim, apesar de não
haverem recomendações precisas da OMS sobre
essa temática, mas reiterando-se a necessidade da
quarentena, campanhas como do departamento de
saúde de Nova York estimulam as práticas sexuais
individuais aos solteiros por meio da masturbação,
uso de vídeos e o sexting, mantendo-se as relações
sexuais apenas aqueles com companheiros estáveis
sem indícios de sintomas.
Medidas que podem favorecer principalmente
aos homens, que em estudo à respeito de crenças
sobre a Covid-19, mostraram-se mais negligentes
no cumprimento da quarentena de forma volun-
tária, sugerindo que o imaginário social associado
a estes de invulnerabilidade, os leve a menor pre-
venção e exposição a situações de risco (Lima et al.,
2020). Assim, justica-se que aqui sejam apreendi-
das distintas representações quanto aos comporta-
mentos sexuais adotados durante o atual momento
de isolamento social, entre grupos de homossexuais
e heterossexuais.
Dessarte, a teoria das Representações Sociais
(RS) de Serge Moscovici se congura como relevan-
te para o entendimento de tais comportamentos,
visto que versa sobre a compreensão das inter-re-
lações entre a cultura, sociedade e indivíduo, pos-
sibilitando elucidar o saber social que se manifes-
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
tações sociais de homens gays e heterossexuais sobre
comportamentos sexuais durante o isolamento social
decorrente da pandemia da Covid-19.
Método
Diseño
Concerne em uma pesquisa qualitativa, explora-
tória, de corte transversal por conveniência.
Participantes
O estudo contou com a participação de 200
homens, sendo 100 heterossexuais e 100 homos-
sexuais, com as respectivas médias de idade, 27.06
(DP = 6.73) e 28.12 (DP = 6.17). Cabe salientar que o
processo adotado para escolha do volume de par-
ticipantes parte do pressuposto da abordagem es-
trutural que estima um número de sujeitos com 100
ou mais para que seja signicativa e possa repre-
sentar a população estudada (
Valença et al., 2017).
Na Tabela 1 , encontra-se em paralelo as respostas
fornecidas pela população pesquisada.
Procedimentos Éticos e Coleta de dados
A pesquisa seguiu os aspectos éticos presentes
na resolução 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional
de Saúde do Ministério da Saúde. No que tange a
coleta de dados, foram aplicados o questionário so-
ciodemográco com o escopo de obter informações
para caracterização da amostra e entrevista semies-
truturada elaborada para lograr sobre as represen-
tações sociais da coorte estudada.
Os instrumentos foram construídos na plataforma
online do Google Docs e difundidos nas redes sociais e
e-mails, não apresentando intercorrências de qualquer
tipo durante o tempo de pesquisa. Usou-se questio-
nários sociodemográcos, os quais, em seu conteúdo,
apresentaram questões relacionadas à idade, estado
onde reside, orientação sexual, estado civil, religiosi-
dade e escolaridade. Além disso, realizou-se uma en-
trevista semiestruturada online (Google Meet, Zoom,
etc.) a partir de duas perguntas disparadoras para a
apreensão das RS: Quais as principais diculdades se-
xuais enfrentadas neste período de reclusão? Quais as
Heterossexuais
(%)
Homossexuais
(%)
Estado civil
Solteiro 47% 68%
Namorando 30% 23%
Casado 12% 3%
União estável 11% 6%
Religião
Católica 50% 53%
Evangélica 9% 3%
Agnóstico 9% 11%
Espírita 7% 9%
Sem religião 13% 18%
Outras 12% 6%
Escolaridade
Ensino médio 14% 6%
Superior
incompleto
47% 28%
Ensino superior 21% 30%
Pós-graduação 18% 36%
Vida sexual ativa 84% 79%
Uso de aplicativos
de encontro
40% 51%
Acesso de
conteúdo
pornográco
30% 92%
Aumento do uso
pornograa
66% 49%
Pratica sexting 64% 58%
Aumento da
frequência de
sexting
20% 32%
Tabela 1. Características sociodemográcas
dos homens gays e heterossexuais (N = 200)
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
atividades sexuais que você tem praticado? Ademais,
utilizaram-se perguntas (de sim ou não) relativas a vida
sexual ativa, uso de aplicativos para encontros (se sim:
quais?), acesso à conteúdos pornográcos, aumento
do acesso ao conteúdo pornográco, prática de sex-
ting e aumento da frequência de sexting.
Os participantes tiveram acesso ao Termo de
Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) onde con-
tém todas as informações sobre a pesquisa como
determina a resolução 510/16 do Conselho Nacio-
nal de Saúde (CNS). Estima-se que foram neces-
sários 20 minutos aproximadamente para nalizar a
participação na pesquisa.
Análise dos dados
Os conteúdos sociodemográcos foram sub-
metidos a análise descritiva a partir do programa
estatístico IBM SPSS 23. Os elementos da entrevis-
ta semiestruturada foram submetidos ao software
IRAMUTEQ que resulta na Classicação Hierárqui-
ca Descendente (CHD), no qual ocorre a obtenção
de classes lexicais que são denidas por vocábulos
particulares e pelos segmentos de texto que pos-
suem essas sentenças (Camargo, 2018).
Resultados
Os dados das representações sociais sobre o
comportamento social se analizan separadamen-
te por grupo. Primeiro, apresenta-se as represen-
tações sociais de homens heterossexuais cisgêneros
e em seguida de homens homossexuais cisgêneros.
Em seguida, é analisado em síntese como podem
ser compreendidas as intersecções das represen-
tações elencadas por ambos os grupos, para daí
discutir-se as similaridades e contrastes grupais dos
partícipes em busca de uma sensibilização da te-
mática abordada, a vista também da incipiência da
literatura à respeito.
Representações sociais do comportamento sexual
entre homens heterossexuais cisgêneros
O corpus textual 1, foi composto por três classes
representacionais, em que a terceira classe foi se-
parada por uma partição. Ele foi formado por 104
segmentos de texto (ST) e, destes, 72.12% foram re-
tidos para formar as classes, com 1819 ocorrências
e 602 palavras. Os segmentos de textos obtiveram
uma média de 17.49 palavras.
Na
Figura 1, visualiza-se a divisão das classes. A
classe 1, apresentou representações sociais direcio-
nadas às vivências sexuais e masturbação; a classe
2 exibe as diculdades advindas com o período de
isolamento social; e a classe 3, a normalização das
mudanças na vida sexual devido ao período de iso-
lamento social.
A classe 1, intitulada “sexo e masturbação, os
que são casados ou vivem juntos relatam que as
relações sexuais permanecem e enfatizam que
ansiedade devida ao panorama atual. Os solteiros e
os que namoram enfatizam que a masturbação tem
sido a forma de liberar o tesão sentido. As vivências
sexuais mudaram, algumas pessoas estão em abs-
tinência, outros inovam e fazem sexo virtual, utili-
zando-se de chamada de vídeo e troca de nudes
pelo chat. Devido ao conhecimento compartilhado
sobre as consequências da COVID-19 alguns evitam
o contato sexual para não ter o risco de contágio.
As representações sociais podem ser vistas nos se-
guintes discursos: “Embora a vontade seja grande
de fazer sexo durante o isolamento, precisamos nos
prevenir ao máximo e evitar contatos. No período
de quarentena masturbação(Pedro, 25 anos,
heterossexual, solteiro, espírita, ensino superior in-
completo, vida sexual ativa, faz sexting).
Não são iguais às que tenho presencialmen-
te com minha namorada, mas boas. Estamos
descobrindo e lidando bem com o aprofun-
damento das relações sexuais virtuais, por
meio de fotos, vídeos e mensagem. A sauda-
de de ter a presença física da minha namora-
da. sexo virtual e masturbação são bons, mas
prero o sexo a dois. (André, 19 anos, hete-
rossexual, namorando, católico, ensino supe-
rior incompleto, vida sexual ativa, faz sexting)
A classe 2, “Diculdades de contato social”,
apresenta representações sociais que exploram as
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
mento social. Aborda-se que a prática sexual conti-
nua normal, sem alterações, e ainda que, é normal
reduzir a frequência devido a pandemia atual. Por
exemplo, “devido o distanciamento tem sido pouco
frequente, mas é normal sexo em menor frequên-
cia” (Avan, 31 anos, solteiro, heterossexual, católi-
co, pós-graduação, vida sexual ativa, sem sexting).
Os comportamentos sexuais, “continuam normais,
sem alterações. Nenhuma diculdade. Liberdade
total com minha parceira na cama” (Diego, 33 anos,
heterossexual, separado, ensino médio, vida sexual
ativa, sem sexting).
Representações sociais do comportamento se-
xual entre homens homossexuais cisgêneros
Foram submetidos 100 textos para compilação
no software IRAMUTEQ, que resultaram em 113 seg-
mentos de textos, os quais 88 (77.88%) foram con-
siderados relevantes semanticamente pela Classi-
cação hierárquica descendente. A média de palavras
por segmento de texto foi de 20.59, com 2327 oco-
diculdades das vivências sexuais, e o isolamen-
to é a principal diculdade, tendo em vista que o
sexo está associado a uma vida social. Os sujeitos
abordam o medo do contágio e a insegurança de
visitar alguma parceira sexual e se expor ao vírus.
Como as representações sociais possibilitam o jul-
gamento como justicativa para os comportamen-
tos, o saber prático direciona estes indivíduos para
a reclusão sexual, masturbação e sexo virtual como
alternativas de enfrentamento durante o isolamen-
to. O seguinte participante exemplica em sua fala
as representações sociais desta classe: “Devido ao
isolamento social e medo de transmissão, eu quei
impossibilitado de tal ato, devido às diculdades
consequentes. Falta de contato físico, eventos para
socialização e medo de transmissão” (Breno, 22
anos, solteiro, católico, ensino superior incompleto,
heterossexual, vida sexual ativa, faz sexting).
Na classe 3, que situou numa outra partição,
as representações sociais descreveram a “normali-
zação e mudança” ocorrida neste período de isola-
Classe 3
24 ST=32.0%
Normalização e mudanças
Palavra
f
Χ
2
Normal
16
17.28
Necessário
4
8.98
Continuar
4
8.98
Total
4
8.98
Falta
14
5.00
Classe 2
21 ST=28.0%
Dificuldades de contato social
Palavra
f
Χ
2
Contato
14
21.84
Social
5
13.78
Existir
4
10.87
Físico
6
9.90
Medo
5
7.19
Ver
5
7.19
Momento
6
4.89
Dificuldade
6
4.89
Palavra
f
Χ
2
Masturbação
30
23.15
Sexual
17
12.18
Período
9
10.19
Relação
8
8.42
Pensar
4
6.34
Ter
4
6.34
Evitar
4
6.34
Vivência
6
5.10
Sexo
31
4.85
Vez
3
4.69
Vida
3
4.69
Figura 1. Dendograma: comportamento sexual entre homens heterossexuais
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
35
INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
rrências e 704 palavras. O corpus textual foi dividido
em três classes, na qual a classe 1 situou-se em uma
outra partição, enquanto as classes 2 e 3 se asso-
ciaram. A classe 1, apresentou representações sociais
sobre a diculdade do contato físico e aumento do
uso de tecnologias. A classe 2, relacionou-se a pre-
sença ou ausência de parceiros sexuais. E a classe
3, representações sociais direcionadas ao desejo se-
xual e limitações causadas pelo isolamento social. O
dendograma na Figura 2 ilustra como estas classes
foram hierarquizadas.
A classe 1 “alternativas virtuais”, explana represen-
tações sociais dos meios digitais como estratégia de
enfrentamento e expressão sexual durante o isola-
mento social. A carência, saudades e vontade de ter
contato físico é aliviada mediante a masturbação atre-
lada ao consumo de pornograa, contos eróticos, tro-
ca de nudes e sexo virtual. A percepção do medo ad-
vindo das consequências do COVID-19 permite que
eles sigam as recomendações do Ministério da Saúde.
As representações sociais sobre os comportamentos
sexuais os levaram alguns a sentirem-se frustrados e
solitários, por imaginarem como seria se estivessem
em um relacionamento sério. E os que estão impos-
sibilitados de verem os parceiros ca a saudade. Os
discursos a seguir ilustram como os participantes or-
ganizam suas representações sociais nesta classe.
“Não há contato sexual de fato, há um consumo
grande de material pornográco e contato virtual,
o qual existe a possibilidade de contato sexual pós
quarentena. A necessidade do contato físico, um
pouco de solidão, a libido que não trégua” (Da-
niel, 24 anos, solteiro, homossexual, católico, supe-
rior incompleto, vida sexual ativa e faz sexting).
“Penso que podem acabar tornando nossas re-
lações ainda mais vazias, por conta dos compor-
tamentos sexuais online. O medo de se relacio-
nar sexualmente com alguém. Sinto diculdade
Classe 3
30 ST=34.09%
A vontade de transar
Palavra
f
Χ
2
Transar
9
13.40
Encontrar
7
9.02
Vez
4
8.10
Querer
4
8.10
Impossibilidade
4
8.10
Dia
4
8.10
Vontade
9
4.73
Masturbação
61
4.20
Classe 2
21 ST=23.86%
(In) existência de parceiro fixo
Palavra
f
Χ
2
Fixo
7
24.26
Casa
6
20.54
Manter
6
20.54
Oral
6
20.54
Anal
8
19.61
Isolado
3
9.91
Risco
7
9.47
Sair
5
9.19
Solteiro
5
9.19
Sexo
30
6.52
Sde
4
6.03
Dificuldade
7
4.54
Classe 1
37 ST=42.05 %
Alternativas virtuais
Palavra
f
Χ
2
Contato
18
15.83
Físico
7
10.48
6
8.88
Sentir
12
6.12
Virtual
7
5.95
Medo
7
5.95
Troca
4
5.78
Pornográfico
4
5.78
Pensar
15
4.50
Sexual
21
4.46
Toque
3
4.28
Saudade
3
4.28
Figura 2. Dendograma: comportamento sexual entre homens gays
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
36
INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
que com o passar do tempo reclusos per-
dem o apetite sexual por conta do estresse/
isolamento. (Inocêncio, 25 anos, namorando,
homossexual, católico, ensino superior, vida
sexual ativa, sem sexting)
A classe 3, “a vontade de transar, traz represen-
tações sociais direcionadas ao desejo de ter relações
sexuais, em que alguns gostariam de estar vivencian-
do e outros armam estar quebrando o isolamen-
to por não conseguir viver sem sexo. Como enfati-
za o participante “é importante buscar alternativas
e se reeducar pra não cair na tentação de quebrar
o isolamento pra transar. Eu quebrei a quarentena
pra transar algumas vezes” (Valério, 27 anos, soltei-
ro, homossexual, thelema, superior incompleto, vida
sexual ativa, faz sexting). A vontade de ter sexo é
impossibilitada pela necessidade de isolamento so-
cial. Evidenciou-se o aumento exponencial de mas-
turbação como a solução mais prática para que o
desejo sexual seja, parcialmente, saciado.
Síntese comparativa das representações sociais e
aspectos intergrupais
Os dados sociodemográcos apresentam algu-
mas características que diferenciam os intragrupos.
Como a quantidade de homens gays que estão sol-
teiros (68%) e casados (3%), enquanto os homens
heterossexuais, 47% e 12%, respectivamente. As re-
ligiões não apresentaram diversicações relevantes.
Quanto à escolaridade, a maioria dos homens gays
possuem ensino superior (66%) e os heterossexuais
61% possuem o ensino médio, mas com 47% cur-
sando o ensino superior. Ambos os grupos pos-
suem dados que sobressaem quanto a vida sexual
ativa, uso de pornograa e prática de sexting.
Identicou-se que os homens gays possuem
maiores diculdades em lidar com os compor-
tamentos sexuais devido ao número de solteiros,
sendo este grupo o que apresentou representações
sociais de comportamentos de risco para a satis-
fação sexual. De todo modo, a masturbação predo-
minou nos dois grupos como a manifestação sexual
mais vivenciada e isto, mediante o uso das tecno-
em controlar o desejo por pornograa” (Helder,
31 anos, solteiro, homossexual, católico, pós-gra-
duação, vida sexual ativa e faz sexting).
A classe 2 foi titulada como “(In)existência de
parceiro xo, devido ancorar as representações
sociais na sua realidade intraindividual de possuir
ou não um parceiro sexual xo. Neste sentido, as
diculdades atreladas aos comportamentos sexuais
evocam o aumento de aspectos psicológicos como
a ansiedade. A representação social ancorada no
isolamento, ausência de sexo e aumento da mas-
turbação elicia uma rede de informações que as-
sociam ao aumento da ansiedade, justicando-a.
Como pode ser visto na fala do seguinte integrante:
Está sendo difícil, principalmente pela ausên-
cia de um parceiro sexual xo. Tive que cha-
mar dois amigos para uma visita íntima nessa
prisão. Mas me sinto culpado e maioria do
tempo tenho me masturbado. Uma diculda-
de é que o sexo diminui a ansiedade e ausên-
cia dele compromete isso. Ai a masturbação
aumenta. Vivo subindo pelas paredes, a or
da pele. Carência demais. Tenho praticado
punheta, sexo virtual, troca de nude, assis-
tindo lives pornográcas. (Vinicius, 29 anos,
solteiro, homossexual, agnóstico, pós-gra-
duação, vida sexual ativa, faz sexting)
Os que possuem parceiros xos mantém alguns
cuidados para que a prática sexual seja contínua,
como o autocuidado com o contágio com o Co-
vid-19 e relatam que praticam sexo oral e anal. Par-
te dos participantes declaram que percebem que
a exposição social põe em risco a saúde, mas que
continuam com uma vida sexual ativa com parcei-
ros sexuais aleatórios. Identicou-se que na repre-
sentação intergrupal de como as pessoas podem
estar enfrentando diculdades semelhantes e que
podem reagir de diversas formas.
Até o momento não enfrentei diculdades.
Acredito que estas diculdades podem apa-
recer para pessoas diversas, como por exem-
plo, quem não tem parceiro(a) xo(a) ou que
este esteja na linha de frente. Além de casais
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
as particularidades psicossociais e em saúde que
possam enfrentar nesse período (Rosa et al., 2020).
Assim, identicou-se nos resultados que os dois
intragrupos enfrentam diculdades sexuais neste
período de pandemia. Sendo consonante com a li-
teratura ao apontar que as alterações provocadas
pelo distanciamento físico à vida sexual e afetiva
não são unânimes e homogêneas, de modo que o
ônus das recomendações do isolamento social nas
práticas sexuais não são igualmente distribuídos
entre indivíduos homossexuais e heterossexuais
(Newman & Guta, 2020).
Com isso, as mudanças substanciais no compor-
tamento sexual dos participantes coincidem com o
que descreve a literatura sobre os efeitos do im-
bricamento entre o isolamento social, comporta-
mentos de risco e sua relação com outros aspectos
mais pujantes para práticas sexuais, os estados cí-
vicos (e.g. solteiro, namorando, casado, união está-
vel) (Jacob et al., 2020). Fato que se coaduna ao se
analisar apenas esses extratos dos participantes do
estudo, em que os homossexuais apresentam índi-
ces menores em 3 dos 4 apresentados, o que su-
gere que justica-se, por exemplo, representações
sociais objetivadas na busca por um parceiro sexual
com maior frequência entre esse grupo.
Nesse intuito, entende-se que as representações
ancoradas na presença do uso de tecnologias pos-
sam ser mais explicitadas entre os homossexuais,
ainda que esteja presente nos dois grupos. Que
coaduna com a literatura em que se sobressalta
neste grupo o acesso aos conteúdos pornográ-
cos como forma de aplacar impulsos sexuais, e que
devido ao isolamento social tornou-se prática en-
sejada, juntamente a do Sexting e a masturbação
(McKay et al, 2020; Sharma & Subramanyam, 2020).
Sendo consoante também que não se obtenha
uma classe representacional com vínculos norma-
tivos para esse período como evidente entre os
heterossexuais. E que pode relacionar-se ao que
evidencia o estudo que entre homens que fazem
sexo com homens seja maior a presença de solidão
e ansiedade, a vista da diminuição da possibilidade
logias. Dessa maneira, o contato social é mantido
a distância, denotando a importância das relações
interpessoais. Os heterossexuais normalizam a si-
tuação como enfrentamento, enquanto os homos-
sexuais sobressaem na vontade de fazer sexo e as
diculdades psicológicas sentidas com a ausência
de contato físico.
Discussão
Pandemia e isolamento social: possíveis
desdobramentos
O isolamento social como medida de saúde pú-
blica para controle da transmissibilidade durante a
pandemia de Covid-19 foi uma das primeiras a serem
adotadas pelos órgãos de saúde dos países, como
preconiza a OMS à luz do plano de prevenção e con-
trole de infecções (PCI) da Covid-19 (
World Health
Organization, 2020). Entretanto, a Quarentena, como
popularmente consagrou-se, data-se como uma das
ações proláticas mais comuns ao longo do tempo
de crises sanitárias epidêmicas. Tornando-se con-
hecida por sua ecácia histórica, mas por também
levantar discussões quanto aos aspectos bioéticos e
a vulnerabilidade decorrente impostas aos quarente-
nados (Santos & Nascimento, 2014).
A vista disso, são cada vez mais frequentes es-
tudos que se voltam para os desdobramentos da
aplicação do isolamento social, atribuindo-se esse
interesse principalmente quando se sabe que seus
impactos carecem de ser investigados. De modo que
se têm um cenário em que o distanciamento físico
impera uma nova realidade a todos ao agir como
medida generalista, mas, por conseguinte, emergin-
do também como variável com implicações distintas
conforme aspectos de sexo, gênero, idade, escolari-
dade, classe social, entre outros (Bezerra et al., 2020).
Nesse ínterim, desigualdades sociais já existen-
tes podem exacerbar-se nesse contexto da pande-
mia de Covid-19, de modo que as vicissitudes de
minorias vulnerabilizadas possam car ainda mais
fragilizadas. Nesse sentido, destacam-se questões
relacionadas às minorias sexuais, como a população
LGBT+, apontando-se para os cuidados necessários
Comportamentos sexuais durante a pandemia da Covid-19
Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
por vezes, retrataram desempenhos sexuais que di-
ferem do que é possível na realidade, o que pode
causar baixa estima e sentimento de frustração
(Harvey, 2020).
Assim como a pornograa, a masturbação mos-
trou-se como um comportamento sexual frequente
entre os homens do presente estudo. Uma pesqui-
sa no Reino Unido demonstrou que a masturbação
é uma prática comum entre os homens, sendo que
95% dos entrevistados relataram ter se masturba-
do ao menos uma vez na vida (Zimmer & Imho,
2020). Entretanto, estudos mostram que uma
associação entre masturbação em excesso e uma
menor satisfação com a vida e o sexo (Perry, 2019).
Por outro lado, são evidenciados aspectos positi-
vos como satisfação pessoal, familiarização com o
próprio corpo e obtenção do prazer sexual sem ris-
cos à saúde.
Como considerações nais, o presente estudo,
ao apreender as representações sociais do com-
portamento sexual no período do isolamento
social da pandemia do COVID-19 entre homens
heterossexuais e homossexuais cisgêneros, apre-
sentou uma rede de signicações ancorada e ob-
jetivada em comportamentos sexuais e sociais de
risco: ansiedade, masturbação, sexting e uso de
pornograa. Percebeu-se, em suas representações
sociais, que os homossexuais possuem maiores
diculdades, pois a maioria não possui um rela-
cionamento xo e, consequentemente, estes estão
frequentemente expostos aos riscos do COVID-19
ao buscarem parceiros sexuais mediante o uso das
redes sociais.
Por ambos os grupos, o sexo é visto como um
fator que proporciona satisfação física e psicológi-
ca, e a ausência da prática associada à necessidade
de distanciamento social exacerba as vulnerabili-
dades psicológicas sentidas. Os homens heteros-
sexuais enfatizam as diculdades de contato social
e o aumento da masturbação e normalizam a si-
tuação, pois se trata de uma realidade atípica. As
representações sociais dos homens homossexuais
revelaram as diferenças entre ter ou não um parcei-
de vínculos afetivos-sexuais devido a pandemia de
Covid-19 (Sanchez et al., 2020).
É importante ressaltar que as representações so-
ciais possuem uma relação intrínseca com a cultura.
Nesse sentido, são dinâmicas e sofrem interferên-
cias dos meios de comunicação, pressupostos re-
ligiosos, políticos, cientícos, além de modicações
ao longo do tempo e entre culturas (Moscovici,
2015). Assim, as representações sociais ancoradas e
objetivadas no uso de tecnologias dizem respeito a
formas de satisfação sexuais ligadas à cultura e ao
momento histórico, que por conta de uma pande-
mia, pode ter contribuído ao aumento de acessos a
conteúdos pornográcos, por exemplo.
Implicações no uso da pornograa
No que tange o acesso aos conteúdos porno-
grácos, um estudo relatou algumas razões para
o uso entre homens. Dentre eles, alguns homens
abordaram que o principal motivo estava relaciona-
do à satisfação pessoal, tendo como nalidade um
momento de prazer, como também relataram que
os acessos se tornavam mais frequentes quando se
sentiam sozinhos, frustrados, carentes e quando as
relações sexuais diminuíam (
Baumel et al., 2019).
Nesse sentido, esses dados corroboram com o pre-
sente estudo, visto que os homens relataram que,
no período de isolamento social, sentiram-se mais
solitários, ansiosos e, em muitos casos, distantes
sicamente dos parceiros(a), em maior número as
pessoas homossexuais.
Contudo, estudos apontam alguns efeitos nega-
tivos quanto ao acesso de conteúdos pornográ-
cos. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto
de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento
Humano (2018), 1 a cada 10 homens armam vício
em pornograa. Nesse viés, o desenvolvimento de
um vício pode ser nocivo, visto que pode implicar
em diculdades nos vínculos sociais, baixa produti-
vidade e, em muitos casos, a excitação sexual só é
possível mediante ao acesso aos conteúdos porno-
grácos (
Alves & Cavalhieri, 2019). Como também,
as performances sexuais nos vídeos pornográcos,
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Actualidades en Psicología, 36(132), 2022.
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INICIO MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO REFERENCIAS
ro sexual, a vontade de fazer sexo e o uso das tec-
nologias como a alternativa assertiva. Os dois gru-
pos apresentaram pessoas que saem de casa para
ter sexo, demonstrando que a compulsão sexual se
sobrepõe a segurança de saúde pública relaciona-
da ao COVID-19.
Por se tratar de um estudo exploratório, identi-
cou-se uma escassez de estudos que convergem
a temática. Nota-se a necessidade de orientação
da população sobre as práticas sexuais durante o
isolamento social. Sair de casa para ter relações se-
xuais se trata de um comportamento de risco, neste
sentido, sugere-se que os dispositivos de saúde po-
deriam implementar educação em saúde sexual pe-
las redes sociais a m de conscientizar a população
sobre a prática sexual neste período. Tendo em vis-
ta que a necessidade de satisfação sexual provoca
negligência e imprudência social.
Dessarte, espera-se aqui também difundir infor-
mações que possam elucidar aspectos psicossociais
da pandemia no contexto brasileiro, à vista que a
literatura nacional principia em aprofundar dados
à respeito da pluralidade que a pandemia e o iso-
lamento social decorrem à grupos distintos. Bem
como espera-se fomentar subsídios de enfrenta-
mento, todavia, apesar que não se permita gene-
ralizações e retrate-se as RS da pandemia em uma
parcela da população, demonstra-se a importância
quanto à atenção às especicidades associadas a
essa nova realidade social.
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