Associação entre os cinco grandes fatores da
personalidade e a intenção de corrupção
Resumo. A comportamento corrupto deve ser investigado a partir de diferentes níveis de análise. A nível intraindividual, a
personalidade é uma variável relevante para sua compreensão. Objetivo. Na presente pesquisa, buscou-se analisar a influência dos
traços de personalidade na intenção de comportamento corrupto a partir do modelo dos cinco grandes fatores da personalidade.
Método. Participaram da pesquisa 286 indivíduos com idades entre 18 e 76 anos. Para coleta, foram utilizadas a Escala Reduzida
dos cinco grandes fatores da personalidade, a Medida de Intenção de Corrupção e um questionário sociodemográfico. Resultados.
Se encontraram correlações positivas entre a intenção de corrupção com as dimensões amabilidade, conscienciosidade e abertura
à experiência. Porém, por meio de uma regressão linear múltipla, apenas a conscienciosidade teve efeito significativo. Implicações
são discutidas.
Palavras-chave. Corrupção, personalidade, Big five, desonestidade, comportamento antiético
Abstract. Corruption must be investigated from different levels of analysis. At the intra-individual level, personality is a relevant
variable for its understanding. Objective. In the present research, we sought to analyze the influence of personality traits on the
intention of corrupt behavior based on the Big Five model of personality. Method. This study included 286 individuals between
the ages of 18 and 76. A Reduced Scale of the Big Five personality factors, and a Corruption Intention Measurement scale, along
general sociodemographic data were part of the data collection process. Results. Data showed positive correlations between
corruption intention and the dimensions of agreeableness, conscientiousness, and openness. However, using multiple linear
regression, only conscientiousness had a significant effect. Implications are discussed.
Keywords. Corruption, personality, Big five model, dishonesty, unethical behavior
1João Gabriel Modesto. Departamento de Psicologia, Centro Universitário de Brasília, Brasil. Direção postal: Asa Norte, Brasília, Dis-
trito Federal, 70790-075, Brasil. E-mail: jg.modesto@gmail.com
2Karine Pereira. Departamento de Psicologia, Centro Universitário de Brasília, Brasil. E-mail: caputonp@gmail.com
3Rafaella Carvalho. Departamento de Psicologia, Centro Universitário de Brasília, Brasil. E-mail: rafaella.rocha@sempreceub.com
João Gabriel Modesto1
https://orcid.org/0000-0001-8957-7233
Karine Pereira2
https://orcid.org/0000-0001-6640-0662
Rafaella Carvalho3
https://orcid.org/0000-0002-5995-6010
1,2,3Departamento de Psicologia, Centro Universitário de Brasília, Brasil
The Relationship Between the Big Five Personality
Factors and the Intention of Corruption
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.
ISSN 2215-3535
Recebido: 15 de maio de 2020
Aceitado: 5 de novembro de 2021
Actualidades en Psicología, 35(131), julho-dezembro 2021, 87-101
http://revistas.ucr.ac.cr/index.php/actualidades
DOI: 10.15517/ap.v35i131.41818
Modesto, Pereira, & Carvalho
Actualidades en Psicología, 35(131), 2021, 87-101
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Introdução
A corrupção é considerada o maior crime cometido contra a humanidade nos últimos
séculos, contribuindo, direta ou indiretamente, com a desigualdade social, miséria,
pobreza, fome e morte de milhões de pessoas (Queiroz, 2018). No Brasil, a corrupção
ocupa destaque entre as principais notícias e investigações realizadas nos órgãos e setores
públicos. Segundo dados levantados pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado
da Polícia Federal, entre os anos de 2014 e 2017, foram desviados dos cofres públicos
aproximadamente 48 bilhões de reais, o que corresponde a uma margem de 33 milhões
de reais desviados por dia durante esse período (Leite & Arcoverde, 2018). No ranking
proposto pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil é apontado como o quinto país mais
corrupto do mundo, ficando atrás apenas do Chad, República Dominicana, Paraguai e
Venezuela (World Economic Forum, 2018).
A corrupção pode ser definida como “abuso de poder confiado para ganhos privados”,
podendo ocorrer em diversas esferas e proporções a depender do montante de dinheiro
e setores em que ocorre (Transparency International, 2018, pará. 2). Enquanto fenômeno
multideterminado, deve ser compreendido a partir de diferentes níveis de análise, embora
sejam priorizados aspectos contextuais em sua investigação (Wiedenhöft et al., 2019).
Buscando um entendimento multinível da corrupção, foi proposto o Modelo Analítico
da Corrupção (MAC) (Modesto & Pilati, 2020), que visa compreender as variáveis que
influenciam uma tomada de decisão corrupta a partir de quatro níveis bem delineados,
sendo eles: nível micro (aspectos intraindividuais), nível meso (variáveis grupais), nível
macro (aspectos contextuais) e nível posicional (posição de poder ocupada pelo indivíduo
que se decide pela ação corrupta). O MAC pode ser visualizado na Figura 1.
Partindo da definição de corrupção enquanto abuso de poder, o MAC propõe a
existência da dimensão posicional. De acordo com os autores, é preciso analisar a
posição que o indivíduo ocupa para compreender os preditores do comportamento.
Ou seja, entende-se que a posição de poder ocupada em uma situação específica (por
exemplo: corrupção ativa X passiva) pode se relacionar a determinantes psicossociais
que expliquem a corrupção (Cislak et al., 2018; DeCelles et al., 2012). Tal dimensão seria
transversal aos demais níveis do modelo. A dimensão macro, por sua vez, envolve variáveis
contextuais sistematicamente analisadas em estudos na área de economia, ciência
política, administração e contabilidade (dentre outras áreas), e ressalta a importância de
aspectos como a cultura e normas sociais, organizacionais, políticas e econômicas (Akbar
& Vujić, 2014; Miura et al., 2019; Yeganeh, 2014). A dimensão meso enfatiza aspectos
grupais da corrupção (Armantier & Boly, 2012; Frank et al., 2015) ao considerar que a
maioria das decisões tomadas no contexto econômico e político, em alguma medida,
envolve discussões em grupo. Já o nível micro engloba fatores intraindividuais como
processamento da informação (i.e. aspectos cognitivos da análise da potencial situação
de corrupção). Nesse caso, é importante identificar se a corrupção abarca um processo de
análise sistemático focado em custos e benefícios da ação (Bai et al., 2014, 2016; Modesto
et al., 2020). Ou seja, se os possíveis benefícios se sobrepõem aos riscos, é mais provável
que a corrupção ocorra. Essa é uma linha de investigação importante, tendo em vista
que, no Brasil, a impunidade deste tipo de crime é elevada (Oliveira & Mohallem, 2017).
Por outro lado, alguns estudos têm apontado que a corrupção pode ser entendida como
uma prática mais impulsiva e automática (Engström et al., 2015; Kern & Chugh, 2009;
Mead et al., 2010), sendo importante analisar o processamento da informação em uma
situação potencial de corrupção. Além disso, o nível micro ressalta também a importância
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Figura 1. Modelo Analítico da Corrupção (adaptado de Modesto & Pilati, 2020).
de investigar diferentes características do indivíduo, como a criatividade, sobre a qual há
evidências em tanto fator que pode contribuir com a desonestidade (Gino & Ariely, 2012).
Na presente pesquisa, focar-nos-emos na personalidade, tendo em vista sua importância
em um nível micro de análise (Modesto & Pilati, 2020).
Personalidade e o modelo dos cinco grandes fatores (CGF)
Nas últimas décadas, a personalidade humana tem sido foco de interesse e investigação
no campo da psicologia, mobilizando discussões dentro da área, principalmente no
que se refere às discordâncias quanto à conceituação do construto (Feist et al., 2015).
Embora não haja um consenso quanto a sua definição, pode-se dizer que personalidade
é um padrão de traços relativamente permanentes que atribuem características únicas
aos indivíduos, conferindo-lhes consistência e individualidade (Roberts & Mroczek,
2008). Alguns estudiosos e teóricos do tema apontam que a personalidade teria uma
base hereditária, sendo os traços dos indivíduos desenvolvidos na infância para ganhar
maturidade na vida adulta. Evidenciam, ainda, que os traços se manteriam mais estáveis
a partir dos trinta anos de idade (Lima & Simões, 2000).
De acordo com Feist et al. (2015), os traços são o que conferem as principais diferenças
nos comportamentos dos indivíduos, bem como a consistência de seus comportamentos
ao longo dos anos e a estabilidade de seus atos em diversas situações. Dessa forma,
Nível meso:
Fatores grupais
Pressão por beneficiar o próprio
grupo, conformidade, identidade
social, normas grupais
Comportamento corrupto
Nível macro:
Fatores contextuais
Cultura, normas políticas, sociais e
económicas sobre a corrupção
Nível micro
Fatores intraindividuais
Fatores disposicionais:
Traços de personalidade, gênero,
idade, crencas, habilidades
Processamento da informação:
Procesos controlados e
procesos automáticos
Dimensão posicional:
Situação potencial de corrupção
em função da posição ocupada
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ressalta-se que mesmo que os traços sejam únicos, comuns a determinados grupos
ou ainda compartilhados por uma espécie inteira, seu padrão será diferente em cada
indivíduo (Feist et al., 2015).
Os traços de personalidade podem ser utilizados para resumir, prever e explicar o
comportamento de um indivíduo. Há, dessa forma, a suposição da existência de um
mecanismo interno que regularia o comportamento humano (Silva & Nakano, 2011).
De acordo com Costa e McCrae (1988), embora haja certa estabilidade nos traços,
eles não são imutáveis, podendo sofrer influência de variáveis motivacionais, afetivas,
comportamentais e atitudinais.
Na literatura sobre personalidade, destaca-se o modelo dos cinco grandes fatores da
personalidade (Big Five) (Digman, 1990) por possibilitar a predição e explicação da
personalidade de forma simples, elegante e econômica (Nunes et al., 2010), sendo
o modelo com mais evidências empíricas na psicologia. Segundo Garcia (2006), a
capacidade do modelo de descrever a estrutura da personalidade a partir da teoria
dos traços, sobretudo a personalidade adulta, tornou o modelo uma referência, tendo
sido levantado um grande volume de publicações referentes ao Big Five nas bases de
dados internacionais (Cuperman & Ickes, 2009). No Brasil, os cinco grandes fatores têm
sido denominados: extroversão, neuroticismo, socialização/amabilidade, realização/
conscienciosidade e abertura à experiência (Silva & Nakano, 2011).
O fator extroversão se refere à quantidade e à intensidade das interações interpessoais
e ao nível de atividade, relacionando-se à maneira como as pessoas interagem com os
outros (Nunes & Noronha, 2009) e se mostram felizes em fazê-lo (Passos, 2014) bem
como o grau de comunicação que apresentam (Nunes & Noronha, 2009). Dessa forma,
sujeitos com elevados índices nesse fator tendem a ser ativos, otimistas, afetuosos e
falantes, enquanto baixos índices na dimensão indicam tendência a comportamento de
introversão e reserva, evidenciados em sujeitos mais quietos, indiferentes e independentes
(Hutz et al., 1998).
O neuroticismo se refere ao nível de ajustamento e instabilidade emocional (Nunes &
Noronha, 2009), sendo um traço característico de pessoas que vivenciam os estados
emocionais negativamente e que não reagem a eventos estressores de forma proativa
(Passos, 2014). Indivíduos com altos índices nesse fator tendem a ser ansiosos, deprimidos,
impulsivos e autocríticos, apresentando comportamento hostil e baixa tolerância à
frustação (Hutz et al., 1998).
A socialização/amabilidade está relacionada à qualidade das relações interpessoais,
avaliando especialmente o interesse pelo bem-estar dos outros (Nunes & Noronha, 2009)
e a capacidade dos indivíduos em construir relações amigáveis (Passos, 2014). Indivíduos
que apresentam altos índices nesse fator tendem a ser generosos e prestativos, enquanto
os indivíduos com baixos índices demonstram tendência ao cinismo e irritabilidade, se
comportando de maneira rude, vingativa e não cooperativa (Hutz et al., 1998).
A realização/conscienciosidade mede o grau de organização, persistência, controle
e motivação para alcançar objetivos (Nunes & Noronha, 2009), sendo um traço
predominante em indivíduos que apresentam maior facilidade em seguir normas
estabelecidas, possuindo certo controle sobre sua impulsividade e foco (Passos, 2014).
Há evidências que o fator conscienciosidade avalia predominantemente características
associadas ao cumprimento de normas morais e éticas, apresentado cautela em pensar
antes de agir (Carvalho, 2011; Carvalho et al., 2014). Dessa forma, sujeitos com altos
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índices nesse fator tendem a ser organizados, decididos, confiáveis, perseverantes e
escrupulosos, enquanto baixos escores indicam indivíduos pouco confiáveis, preguiçosos,
descuidados e negligentes (Hutz et al., 1998).
Por fim, o fator abertura à experiência refere-se aos comportamentos exploratórios e
reconhecimento da importância de vivenciar novas experiências (Nunes & Noronha,
2009). Indivíduos que possuem altos índices nesse fator tendem a ser mais liberais,
criativos e curiosos, características que favorecem que tais indivíduos possuam um vasto
campo de interesses (Palma, 2012). De maneira oposta, indivíduos com baixos índices
tendem a ser rígidos em suas crenças, convencionais em suas atitudes, conservadores em
suas preferências, dogmáticos e menos responsivos emocionalmente (Hutz et al., 1998).
Alguns estudos buscaram analisar a relação dos traços de personalidade e comportamentos
desviantes (Fagbenro et al., 2019; Santos et al., 2012). Santos et al. (2012), por exemplo,
investigaram a relação dos traços de personalidade de motoristas com as infrações
cometidas no trânsito. Os resultados indicaram que indivíduos que apresentam maiores
índices no fator conscienciosidade tendem a se comportar de maneira mais responsável
no trânsito, sendo também mais sensíveis aos efeitos da punição, fator que colabora
para o seguimento das regras e normas de trânsito. Em contrapartida, indivíduos mais
sensíveis à recompensa tendem a buscar sensações na condução, esquivando-se das
regras e emitindo comportamentos mais perigosos, resultantes de uma condução mais
agressiva (Santos et al., 2012).
Já em um estudo específico sobre traços de personalidade e corrupção, realizado com
300 funcionários públicos de Lagos, ilha localizada na Nigéria (Fagbenro et al., 2019),
foram encontradas relações positivas entre atitude frente à corrupção e os fatores
extroversão, neuroticismo, amabilidade e abertura à experiência e relação negativa com
o fator conscienciosidade.
Os achados anteriores chamam atenção da importância da personalidade para a
compreensão de comportamentos desviantes como a corrupção. Essa importância deve
ser entendida não apenas em uma perspectiva teórica, mas também aplicada, tendo
em vista que testes de personalidade têm sido utilizados como estratégia de prevenção
à corrupção para determinados cargos (Arrigo & Claussen, 2003), sendo encontrados
alguns resultados satisfatórios (Sced, 2004). Para intervenções dessa natureza, no
entanto, é preciso incrementar as evidências que subsidiem tais ações. Nesse sentido,
precisamos ampliar as evidências desta relação no contexto brasileiro para auxiliar
decisões estratégicas na ocupação de certos cargos.
Considerando a importância que a personalidade pode ter para a compreensão da
corrupção e, tendo em vista o postulado pelo Modelo Analítico da Corrupção (Modesto &
Pilati, 2020) sobre a importância de analisar características do indivíduo em uma potencial
situação de corrupção, o presente estudo teve como objetivo, conforme mencionado,
analisar a relação entre traços de personalidade e intenção de corrupção.
Método
Participantes
Participaram da pesquisa 286 indivíduos, com idades entre 18 e 76 anos (M = 33.30; DP
= 12.38), sendo 186 mulheres e 100 homens. Do total de participantes, 80 declararam-
se servidores públicos (27.97%), 72 funcionários de empresas privadas (25.17%), 37
autônomos (12.93%), 62 estudantes (22.46%), além de desempregados e aposentados
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(9.79%). A seleção dos participantes ocorreu por conveniência, com participação
anônima e voluntária, via internet. Esse tamanho de amostra, considerando um nível
de significância de 5% e efeito de R = .15, permite um poder de aproximadamente 82%,
conforme calculado pelo software GPOWER.
Instrumentos
Foi utilizada a Escala Reduzida dos Cinco Grandes Fatores (ER5GF) (Passos & Laros, 2015),
medida composta por 20 itens, em escala de diferencial semântico, variando de 1 a 5,
em que cada polo corresponde a um adjetivo oposto (exemplo: extrovertido X tímido;
comunicativo X calado). Para resposta aos itens, os participantes assinalaram o número
da escala que melhor descrevia o seu grau de identificação com os adjetivos destacados
em cada item. A medida é composta pelas 5 dimensões do Big Five, cada uma com
quatro itens, sendo os índices de confiabilidade para cada dimensão: extroversão =
.87), conscienciosidade (α = .80), amabilidade (α = .82), neuroticismo (α = .77), abertura
à experiência (α = .63).
A Medida de Intenção de Corrupção, criada especificamente para o presente estudo,
foi composta por seis situações hipotéticas de corrupção em que o participante deveria
indicar a sua intenção de agir de maneira corrupta. A medida deveria ser respondida em
uma escala de 5 pontos, em que 1 corresponde a totalmente improvável e 5 a totalmente
provável de realizar a ação. Os cenários propostos visam, de maneira gradativa, abarcar
tanto situações cotidianas quanto situações mais específicas que envolvem prática de
ações corruptas em contextos múltiplos. A medida apresentou índices satisfatórios de
confiabilidade (α = .71). Um exemplo de situação pode ser visualizado abaixo:
Você é o responsável pelo setor de compras de uma grande empresa. O seu trabalho
é entrar em contato com fornecedores com o objetivo de conseguir as melhores
propostas de orçamento para sua empresa. Durante o levantamento de preços, um
dos contatados ofereceu repassar a você 20% de vantagem em cima do valor total de
todas as compras realizadas pela empresa, em troca de você o tornar o fornecedor
exclusivo da empresa. A transação não é de conhecimento de seu gestor e você
e o fornecedor serão os maiores beneficiados. Quão provável seria você aceitar a
proposta do fornecedor?
Ao final do formulário, foi aplicado um questionário sociodemográfico para coleta de
dados e informações quanto ao gênero, idade, escolaridade e renda para análise do
perfil dos participantes.
Procedimentos de coleta de dados
A pesquisa ocorreu online por meio da ferramenta Google Forms, após aceite do
Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário de Brasília com parecer número
CAAE: 21040619.9.000.0023. Ao acessar o formulário, que fora divulgado por e-mail e
redes sociais, o participante deveria ler as informações descritas a respeito do estudo e
confirmar ciência e aceite de participação, clicando no campo de confirmação destacado.
A indicação do campo era requisito obrigatório para acesso ao restante do formulário,
composto por um total de 26 itens, distribuídos em dois conjuntos distintos.
O primeiro conjunto, com 20 itens, referia-se à Escala Reduzida dos Cinco Grandes Fatores
de Personalidade (ER5GF). Após indicação das respostas, os participantes passavam ao
segundo conjunto, formado por seis itens, correspondentes à Medida de Intenção de
Corrupção. Ao final do formulário, foram coletadas as informações sociodemográficas.
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Procedimentos de análise de dados
Os dados foram analisados por meio do software SPSS versão 20. Foram utilizados testes
de Correlação de Pearson, a fim de identificar um padrão de relacionamento geral entre
as dimensões da personalidade e a intenção de corrupção, bem como uma regressão
linear múltipla com método de entrada forçada, que possibilitou, de forma simultânea, o
teste do efeito preditivo das cinco dimensões da personalidade na intenção de corrupção.
Resultados
Em primeiro lugar, assim como no estudo de Fagbenro et al. (2019), foi conduzido
um teste de Correlação de Pearson entre a intenção de corrupção e as dimensões da
personalidade. As correlações podem ser visualizadas na Tabela 1.
Conforme visualizado na Tabela 1, foi identificada uma correlação positiva entre intenção
de corrupção com as dimensões de amabilidade, conscienciosidade e abertura à
experiência, sendo que o maior efeito, dentre estes, foi identificado com a dimensão de
conscienciosidade. Já as dimensões de extroversão e neuroticismo não apresentaram
relações significativas com a corrupção. Esses resultados chamam atenção, assim como
em estudos anteriores, que dimensões da personalidade podem se relacionar com
comportamentos desviantes, como a corrupção.
Apesar desses achados por meio de correlações simples, optou-se por testar o efeito
conjunto das dimensões da personalidade na corrupção por meio de uma regressão
múltipla utilizando método de entrada forçada. Conforme visualizado na Tabela 2, quando
consideradas todas as dimensões em conjunto, apenas a conscienciosidade exerce um
efeito significativo. O fator amabilidade passa a apresentar um efeito marginalmente
significativo e a abertura à experiência deixa de ter uma relação significativa. Nesse
sentido, a conscienciosidade é a dimensão da personalidade com efeito mais robusto na
intenção de corrupção na amostra investigada.
Adicionalmente, considerando a importância da dimensão posicional (posição que o
indivíduo ocupa em certa situação) prevista pelo Modelo Analítico de Corrupção, optou-
se por testar o efeito da ocupação de profissionais ativos (servidor público, profissionais
da iniciativa privada e autônomo) na intenção de corrupção (ver Figura 2), tendo sido
encontrado um efeito significativo, F (2, 186) = 8.21, p < .001, ηp² = .08, indicando que
servidores públicos possuem uma menor intenção de corrupção se comparado às demais
categorias profissionais.
Tabela 1
Correlação de Pearson encontrada entre as dimensões da personalidade e corrupção (n = 286)
M DP 1 2 3 4 5 6
1. Corrupção 1.59 0.66 -
2. Abertura 2.25 0.67 .16* -
3. Amabilidade 1.83 0.74 .15* .42* -
4. Conscienciosidade 2.31 0.80 .26* .56* .25* -
5. Extroversão 2.61 0.96 .01 .36* .30* .24* -
6. Neuroticismo 2.87 0.87 -.04 -.06 -.05 -.21* .20* -
Nota. * p < .05
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Figura 2. Diagrama de barras de erros da intenção de corrupção por ocupação.
Variável Bβt p 95% IC
Constante 1.01 1.01 4.90 < .001 [.604; 1.414]
Extroversão -0.07 -0.11 -1.64 .101 [-.160; .014]
Conscienciosidade 0.21 0.25 3.53 < .001 [.091; .318]
Amabilidade 0.10 0.11 1.76 .080 [-.012; .212]
Neuroticismo 0.03 0.04 0.59 .556 [-.063; .117]
Abertura 0.02 0.02 0.22 .825 [-.129; .162]
Nota. ajustado = .07; IC = Intervalo de Conança para o valor de B.
Tabela 2
Parâmetros dos modelos de regressão múltipla
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Discussão
A presente pesquisa teve como objetivo analisar a relação entre traços de personalidade
e a intenção de comportamento corrupto. Nesse sentido, permite a análise de fatores
intraindividuais da corrupção, conforme postulado pelo Modelo Analítico de Corrupção
(Modesto & Pilati, 2020). A compreensão dos efeitos da personalidade se deu a partir do
modelo dos cinco grandes fatores da personalidade (Digman, 1990).
Sobre o fator abertura à experiência, verificou-se que maiores índices desta dimensão se
relacionaram com maior intenção de corrupção. De acordo com Passos (2014), o fator
diz respeito à disponibilidade que o sujeito apresenta para vivenciar novas situações e
receber novas ideias, indicando que indivíduos que possuem mais acentuadamente esse
traço tendem a ser mais liberais e curiosos. A relação positiva do fator com a corrupção já
havia sido encontrada em um estudo anterior que testou essa relação com funcionários
públicos na Nigéria (Fagbenro et al., 2019). Segundo Nunes et al. (2010), indivíduos com
altos índices em abertura apresentam maior flexibilidade nos valores morais e sociais,
tendendo a relativizar mais facilmente suas crenças e valores. É importante chamar atenção
também que a criatividade é um elemento marcante de pessoas abertas à experiência, e há
evidências de que ela tende a contribuir com a desonestidade (Gino & Ariely, 2012).
Os resultados também apontaram uma correlação positiva entre o fator amabilidade
e corrupção. Nunes e Noronha (2009) relacionam o fator à qualidade das relações
interpessoais e à capacidade dos indivíduos em construir relações amigáveis (Passos,
2014). Dessa forma, indivíduos com altos índices nesse fator tenderiam a ser generosos e
prestativos em suas relações (Nunes & Noronha, 2009). Assim como no presente estudo,
a relação positiva do fator com a corrupção também foi encontrada na pesquisa de
Fagbenro et al. (2019), indicando que indivíduos que possuem mais acentuadamente
este traço podem utilizar-se de suas características pessoais e facilidade em estabelecer
relações amigáveis para proveito pessoal. Tal relação pode ser interpretada a partir do
entendimento que o favor é uma dimensão que se aproxima da corrupção (Almeida,
2007). Nesse sentido, uma pessoa com maior amabilidade e, consequentemente, mais
hábil em estabelecer relações interpessoais próximas e amigáveis, pode ser mais hábil
também para desenvolver relações escusas.
Também foi encontrada uma relação positiva da corrupção com a dimensão de
conscienciosidade. Conforme mencionado anteriormente, a conscienciosidade se refere
ao grau de organização, persistência, controle e motivação para alcance dos objetivos
apresentados pelos indivíduos (Nunes & Noronha, 2009). É apontado como um traço mais
característico em indivíduos que apresentam facilidade em seguir normas estabelecidas
e controle de impulsos (Passos, 2014), podendo apresentar, em adição, comportamentos
de preocupação excessiva, perfeccionismo e rigidez nas regras estabelecidas em seus
relacionamentos interpessoais (Carvalho et al., 2014).
Em estudos anteriores, foi identificado que o fator conscienciosidade avalia
predominantemente características referentes ao cumprimento de obrigações sociais,
morais e éticas, e cautela em pensar antes de agir (Carvalho, 2011; Carvalho et al., 2014).
De forma menos expressiva, também avalia a capacidade do indivíduo de se perceber
efetivo e prudente, exibindo atitudes de organização e planejamento, aspiração a
objetivos grandiosos na vida e capacidade de começar e concluir tarefas específicas
(Carvalho et al., 2014). Nessa mesma direção, Fagbenro et al. (2019) encontrou uma relação
negativa entre corrupção e conscienciosidade em um estudo desenvolvido na Nigéria. A
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despeito desses achados anteriores, os resultados obtidos na presente pesquisa indicam
que as pessoas tendem a optar pela ação corrupta mesmo se mostrando conscienciosos
de suas ações e possuindo certo controle de seus impulsos. Ou seja, isso parece indicar
que as pessoas conscienciosas, no Brasil, avaliam os riscos da situação e, ainda assim,
optam por agir de maneira corrupta.
Tal achado parece evidenciar que há uma percepção de que o crime de corrupção
compensa no Brasil, devido à grande parte dos casos saírem impunes. Estima-se, por
exemplo, que 97% dos casos de corrupção no Brasil fiquem impunes (Oliveira & Mohallem,
2017). Na medida em que maiores índices de conscienciosidade se relacionam com uma
maior chance de corrupção, novos estudos podem incluir a percepção de punição como
mediador da relação entre conscienciosidade e corrupção, tendo em vista que a análise
dos riscos de punição tem se configurado como um importante preditor da corrupção
(Bai et al., 2014, 2016; Modesto et al., 2020).
Com relação ao fator extroversão, não foi encontrada relação significativa entre o fator
e a corrupção, diferente do encontrado no estudo de Fagbenro et al. (2019) em que foi
possível indicar relação positiva entre o fator e a atitude frente à corrupção. Conforme
mencionado, o fator extroversão diz respeito à quantidade e à intensidade das interações
interpessoais e ao nível de atividade, relacionando-se à maneira como as pessoas
interagem com os outros (Nunes & Noronha, 2009) e se mostram felizes em fazê-lo
(Passos, 2014), bem como o grau de comunicação que apresentam (Nunes & Noronha,
2009). Dessa forma, sujeitos com elevados índices nesse fator tendem a ser ativos,
otimistas, afetuosos e falantes. Considerando a relação encontrada da corrupção com
a dimensão de amabilidade, parece que o tipo de relação que favorece a corrupção no
país não envolve apenas um traço extrovertido, mas sim uma característica de apresentar
relações amigáveis e de buscar agradar dentro das relações.
No que diz respeito ao fator neuroticismo, não foram encontradas relações significativas.
Conforme aponta Nunes et al. (2010), indivíduos com altos índices em neuroticismo tendem
a ser mais impulsivos enquanto menores índices de neuroticismo estão relacionados a
pessoas mais calmas e tranquilas. Para interpretar a ausência dessa relação, pode ser
considerada a proposta do MAC, ao indicar que existem situações que favorecem
processos mais automáticos (impulsivos) e situações que favorecem processos mais
controlados (deliberados, cautelosos) (Modesto & Pilati, 2020). Ou seja, é possível que, no
que se refere à impulsividade X controle dos estímulos (típico do neuroticismo), seja preciso
analisar contextos específicos para testar o efeito deste traço da personalidade. Novos
estudos podem desenvolver experimentos que eliciem processos cognitivos automáticos e
controlados da corrupção e testem a influência do neuroticismo em ambas as condições.
Apesar dessas relações identificadas por meio do Teste de Correlação de Pearson,
mesmo procedimento analítico utilizado por Fagbenro et al. (2019), quando analisadas
as dimensões da personalidade em conjunto em uma regressão múltipla (análise central
na presente pesquisa para o teste da personalidade como antecedente da corrupção),
apenas a conscienciosidade exerce um efeito significativo. Tal achado chama atenção,
pois se encontra que um perfil analítico, sistemático, de controle e motivação para
alcance dos objetivos (Nunes & Noronha, 2009), tende a ser um perfil dominante no que
se refere à intenção de corrupção, na medida em que o efeito da conscienciosidade se
sobrepôs ao efeito das demais dimensões da personalidade.
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Ademais, considerando que a posição que o indivíduo ocupa deve ser considerada como
fator explicativo da corrupção (Modesto & Pilati, 2020), identificamos que servidores
públicos apresentaram menor intenção de corrupção, se comparado a profissionais da
iniciativa privada e autônomos. Estudos futuros podem analisar programas de compliance
e ética organizacional comparando empresas privadas e órgãos públicos, a fim de analisar
se essa distinção identificada na presente pesquisa se dá por conta do estabelecimento
de programas mais efetivos no serviço público sobre prevenção e combate à corrupção
se comparado a estratégias da iniciativa privada.
Acreditamos que a presente pesquisa possui algumas contribuições teóricas e aplicadas.
Do ponto de vista teórico, a pesquisa apresenta evidências de variáveis intraindividuais
(personalidade) que se relacionam com o comportamento corrupto, conforme proposto
pelo Modelo Analítico da Corrupção (Modesto & Pilati, 2020). Nesse sentido, evidenciou-
se a importância de três (amabilidade, conscienciosidade e abertura à experiência)
das cinco dimensões da personalidade como variáveis que se relacionam com o
comportamento corrupto em uma amostra brasileira, embora apenas a dimensão da
conscienciosidade tenha tido efeito significativo como antecedente da intenção de
corrupção por meio da regressão múltipla. Ressalta-se que o teste dessa relação com
uma amostra brasileira foi inovador, até onde encontramos na literatura. Vale destacar
que os achados da pesquisa divergem de outros contextos culturais (Fagbenro et al.,
2019), reafirmando o pressuposto do MAC que a corrupção deve ser analisada de maneira
contextualizada (Modesto & Pilati, 2020). Afinal, nos achados sobre a conscienciosidade
chamam atenção que, possivelmente, a percepção de impunidade no Brasil (uma marca
cultural do país) faz com que a conscienciosidade tenha um efeito diferente na corrupção
em uma amostra brasileira se comparado a outros contextos culturais (Fagbenro et al.,
2019). Esse é um importante achado para uma compreensão contextualizada do papel
exercido pela personalidade na intenção de corrupção no Brasil. Além de contribuições
teóricas, a presente pesquisa também tem importância aplicada.
Considerando que testes de personalidade podem ser usados como estratégias de
prevenção à corrupção no momento de seleção e promoção de pessoal (Arrigo &
Claussen, 2003; Sced, 2004), a apresentação de evidências dessa relação no contexto
brasileiro pode nortear processos de tomada de decisão no campo da gestão de pessoas.
Porém, esse tipo de indicação deve ser visto com parcimônia, tendo em vista algumas
limitações do estudo.
A despeito das relações encontradas terem sido significativas, os efeitos foram pequenos.
Por exemplo, o teste de regressão múltipla (análise central na presente pesquisa para o
teste da personalidade como antecedente da corrupção), incluindo simultaneamente as
cinco dimensões da personalidade, apresentou variância explicada de 7%. Ou seja, existe
uma grande parcela da corrupção que é explicada por outros fatores intraindividuais,
grupais e culturais, conforme postulado pelo Modelo Analítico da Corrupção (Modesto &
Pilati, 2020), e que devem ser explorados em investigações futuras. Além disso, embora
acreditemos que testar a relação entre personalidade e corrupção no contexto brasileiro
seja um fator de relevância do estudo, tendo em vista os índices de corrupção no Brasil, a
amostra utilizada não é representativa da população brasileira. Logo, as conclusões não
podem ser generalizadas para todo o país.
Considerando as limitações, acreditamos que novas pesquisas podem ampliar a
compreensão da relação entre personalidade e corrupção, por meio do teste de
mediadores e moderadores, de modo a favorecer um entendimento mais complexo
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da relação entre personalidade e corrupção. Isso pode incrementar o poder explicativo
das variáveis antecedentes testadas. Por exemplo, conforme mencionado, novos
estudos podem testar o papel mediador da percepção de punição na relação entre
conscienciosidade e corrupção, tendo em vista que a percepção dos riscos de punição
tem se configurado como um importante preditor da corrupção (Bai et al., 2014, 2016;
Modesto et al., 2020). Adicionalmente, novas pesquisas podem, em uma perspectiva
longitudinal, avaliar se testes de personalidade para cargos de gestão, de fato, podem
contribuir com o comportamento ético dos gestores. Por fim, novas pesquisas podem
buscar a seleção de uma amostra representativa do contexto brasileiro de modo a testar
se as relações identificadas na presente pesquisa podem ser generalizadas para todo o
território nacional.
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