Coparentalidade e envolvimento parental em
famílias binucleares: revisão sistemática
Resumo. Objetivo. O objetivo desta revisão sistemática foi compreender como a coparentalidade, o envolvimento parental
e as práticas parentais influenciam a dinâmica de famílias binucleares. Método. Realizou-se uma busca nas bases de dados
PsycINFO, Web of Science e BVSPsi, que resultou em 17 artigos científicos. Os estudos foram analisados criticamente em relação
às características metodológicas e aos principais resultados. Resultados. Em linhas gerais, observou-se que a coparentalidade
e o envolvimento parental associam-se com diversos fatores de proteção à saúde psicológica dos pais e das crianças após
o divórcio, em consonância com dados encontrados com famílias intactas/nucleares. Não foram encontradas pesquisas sobre
práticas parentais dentro dos critérios de busca estabelecidos. Discutem-se possíveis vieses e indicações para futuras investigações
e intervenções com famílias binucleares.
Palavras-chave. Coparentalidade, envolvimento parental, divórcio, separação conjugal.
Abstract. Objective. The objective of this systematic review was to understand how coparenting, parental involvement, and
parenting practices influence the dynamics of binuclear families. Method. A search was carried out in the PsycINFO, Web of Science,
and BVSPsi databases, which resulted in 17 scientific articles. The studies were analyzed critically concerning the methodological
characteristics and the main results. Results. In general, it was observed that coparenting and parental involvement are associated
with several factors that protect the psychological health of parents and children after divorce, in line with data found with intact/
nuclear families. No research was found on parenting practices within the established search criteria. Possible biases and indications
for future investigations and interventions with binuclear families are discussed.
Keywords. Coparenting, Parental Involvement, Divorce, Marital separation.
1
Fernanda Martins de Souza. Departamento de Psicologia, Centro de Filosoa e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa
Catarina, Brasil. Dirección postal: 88.040-970. E-mail:
fernanda.martinsds@gmail.com
2
Milena Carolina Fiorini. Departamento de Psicologia, Centro de Filosoa e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Cata-
rina, Brasil. E-mail:
milenacf.psicologa@gmail.com
3
Maria Aparecida Crepaldi. Departamento de Psicologia, Centro de Filosoa e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa
Catarina, Brasil. .E-mail:
maria.crepaldi@ufsc.br
Fernanda Martins de Souza
1
https://orcid.org/0000-0002-0178-5714
Milena Carolina Fiorini
2
https://orcid.org/0000-0003-1390-1564
Maria Aparecida Crepaldi
3
https://orcid.org/0000-0002-5892-7330
1,2,3
Departamento de Psicologia, Centro de Filosoa e Ciências Humanas,
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Coparentality and Parental Involvement in Binuclear
Families: Systematic Literature Review
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.
ISSN 2215-3535
Recibido: 27 de noviembre del 2018
Aceptado: 03 de setiembre del 2020
Actualidades en Psicología, 34(129), julio-diciembre 2020, 119-140
http://revistas.ucr.ac.cr/index.php/actualidades
DOI: 10.15517/ap.v34i129.35334
de Souza, Fiorini, & Crepaldi
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Introdução
A separação dos pais em famílias com crianças é caracterizada por um rompimento que
traz inúmeras mudanças na parentalidade (Lamela, Figueiredo et al., 2010). No entanto,
a família continua sendo uma unidade após vivenciar a separação conjugal, sejam elas
formais, como o divórcio, ou informais. Ela funciona com dois núcleos, gerenciados por
cada um dos progenitores, passando a ser denominada família binuclear (Ahrons, 1994).
A parentalidade, a conjugalidade, e a coparentalidade estão inter-relacionadas e
associadas às práticas parentais (Böing & Crepaldi, 2016). A coparentalidade é definida
como a relação entre os pais e/ou cuidadores em suas funções parentais, ou seja, trata-
se do envolvimento recíproco e conjunto na tarefa de criação e educação dos filhos. Tal
relação envolve o compartilhamento de responsabilidades, o apoio mútuo, o apoio à
parentalidade do outro e a coordenação entre a díade parental (Feinberg, 2003).
As práticas parentais dizem respeito às estratégias utilizadas pelos pais, com as funções de
orientar, controlar ou reforçar os comportamentos da criança, além de socializá-la (Kobarg
et al., 2010). Compreendidas sob uma ótica mais ampla, podem envolver diversos fatores,
como: promoção de habilidades sociais e valores morais, monitoramento dos filhos tanto
no ambiente de casa quanto fora, negociação referente a regras de convivência, formas
de punição quando a criança apresenta comportamentos inadequados, responsabilidade,
independência, disciplina e autonomia (Kobarg et al., 2010).
O conceito de envolvimento parental, por sua vez, é mais abrangente do que as práticas
parentais, e derivou das pesquisas sobre o envolvimento paterno (Grzybowski & Wagner,
2010), sendo que os dois termos muitas vezes se confundem no contexto dos estudos
científicos. O construto envolvimento parental pode ter caráter direto, quando se trata
das formas de interação diretamente com a criança (cuidados em geral, brincadeiras
e tempo livre dos pais com a criança); e indireto, caracterizado pela acessibilidade e
responsabilidade pelo bem-estar do filho (capacidade dos pais de pensar na criança
quando não estão com ela e de planejar e organizar a vida da criança, sua saúde, sustento
e educação) (Lamb et al., 1985).
Independentemente da configuração familiar, práticas parentais negativas, que podem
ser permeadas por violência e/ou permissividade excessiva, impactam negativamente no
comportamento do(s) filho(s), aumentando a incidência de problemas comportamentais
externalizantes (agressividade, hiperatividade, etc.) (Choe et al., 2013) e internalizantes
(depressão, ansiedade, etc.) (Gershoff et al., 2010; Machado & Mosmann, 2018). Já o
emprego de práticas parentais positivas, envolvendo afeto, diálogo e estabelecimento de
limites, tende a fortalecer as habilidades sociais e reduzir problemas de comportamento
infantil (Choe et al., 2013; Gulliford et al., 2015).
Estudos com famílias binucleares têm evidenciado que o conflito entre os pais é o
elemento que exerce maior influência negativa na coparentalidade (Lamela, Castro et
al., 2010; Lamela et al., 2013; Machado & Mosmann, 2019). Já a coparentalidade positiva
e cooperativa tem sido referenciada como um forte preditor do envolvimento paterno
(Finzi-Dottan & Cohen, 2016; Souza, 2018). A literatura científica aponta, ainda, a
presença de práticas parentais negativas no envolvimento parental de mães divorciadas
(Grzybowski & Wagner, 2010). Já quando a relação entre os pais separados é satisfatória, o
envolvimento paterno tende a ser influenciado positivamente, especialmente nas práticas
de disciplina dos filhos (Brito et al., 2010; Grzybowski & Wagner, 2010).
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A revisão sistemática sobre coparentalidade realizada por Costa et al. (2017) sugere
que a qualidade e o ajustamento conjugal anteriores ao nascimento da criança, o
envolvimento parental e a coabitação entre pais e filhos, a qualificação da parentalidade
do(a) parceiro(a), e o temperamento do(s) filho(s) atuam como preditores da qualidade
da relação coparental. Além disso, foi consenso entre vários estudos coletados que a
coparentalidade negativa associa-se a problemas de comportamento internalizantes e
externalizantes na infância, conforme já constatado por outros pesquisadores (Mosmann
et al., 2017; Machado & Mosman, 2019). Oliveira e Crepaldi (2018) desenvolveram uma
revisão integrativa acerca do envolvimento paterno após o divórcio. Os resultados
demonstram que a qualidade da relação entre os ex-cônjuges e o envolvimento
parental conjunto influenciam a relação entre o pai e a criança. O conflito coparental foi
evidenciado como o fator que mais dificulta o envolvimento paterno após o rompimento
da conjugalidade.
A criação dos filhos é uma das tarefas mais desafiadoras do ciclo vital (Pereira et al., 2015)
e a vivência da separação pode interferir no exercício desse desafio (Lamela et al., 2010).
As crianças são sensíveis às condições contextuais, de forma que a família representa uma
fonte de influência fundamental para a saúde do desenvolvimento psicológico infantil.
O período da primeira infância, especialmente até a faixa dos seis anos, é marcado pela
aquisição de habilidades de relacionamento interpessoal, autorregulação emocional e
resolução de problemas (Guttman et al., 2006). Nesse sentido, a influência positiva do
sistema familiar é fundamental para o bem-estar ao longo de todo o ciclo de vida, dadas
as evidências científicas que demonstram a dificuldade de reverter prejuízos psicológicos
sofridos na primeira infância (Shonkoff et al., 2012).
Os construtos coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais são de grande
relevância para o entendimento dos desafios enfrentados por famílias que passam
pelo processo de separação conjugal. Com base nesse pressuposto, o objetivo desta
revisão foi compreender como os fenômenos da coparentalidade, do envolvimento
parental ou das práticas parentais influenciam na dinâmica de famílias biparentais. À
medida que propõe uma sistematização de pesquisas empíricas, este estudo pretende
contribuir para a reflexão acerca de estratégias de promoção de saúde psicológica de
famílias divorciadas, por parte de profissionais que atendam a essa demanda, seja na
área psicológica, social ou jurídica.
Método
A revisão sistemática da literatura consiste num método de sumarização de
pesquisas prévias que acarreta produzir um estudo reflexivo, crítico e compreensivo,
portanto vai além da mera descrição cronológica dos estudos (Zoltowski et al.,
2014). O processo se deu em etapas: (a) busca das publicações científicas em base
de dados com descritores preestabelecidos; (b) leitura dos títulos e dos resumos
para seleção dos artigos relacionados aos objetivos; (c) recuperação e exame na
íntegra dos artigos selecionados; e (d) síntese, análise e integração das contribuições
dos estudos. Pontua-se que os termos “coparentalidade”, “envolvimento parental” e
“práticas parentais” não constaram na base de Terminologia em Psicologia da BVS-Psi
(Biblioteca Virtual em Saúde Psicologia), nem na base de Descritores em Ciências
da Saúde (DeCS) da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), porém optou-se por utilizá-
los como termos de busca por considerá-los fundamentais para a compreensão e
definição teórica dos fenômenos.
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A busca pelos artigos foi realizada entre outubro e dezembro de 2017, através do Portal
Periódicos CAPES/MEC (com acesso institucional). Foram selecionadas as bases PsycINFO,
Web of Science e Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia Brasil (BVSPsi). Na busca
realizada na plataforma Web of science, optou-se apenas pela grande área temática
das ciências sociais (Social Sciences Citation Index). As bases de dados internacionais
PsycINFO e Web of Science possuem abrangência confiável (indexam muitas revistas
ou periódicos), apresentam atualização regular, além de diversas funcionalidades que
conferem maior assertividade na procura por artigos internacionais. A plataforma BVS-
Psi foi escolhida com intuito de contemplar uma busca entre o maior número possível de
estudos nacionais da área da Psicologia.
Os descritores e termos de busca foram combinados das seguintes formas, em inglês
e português: coparentalidade e divórcio(“coparenting and divorce”); “coparentalidade
e separação conjugal” (“coparenting and marital separation”); “envolvimento parental
e divórcio” (“parental involvement and divorce”); “envolvimento parental e separação
conjugal” (“parental involvement and marital separation”); “práticas parentais e divórcio
(“parental practices and divorce”); “práticas parentais e separação conjugal” (“parental
practices and marital separation”).
Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: (a) tipo de publicação: somente artigos
publicados em periódicos indexados (não incluindo teses, dissertações, nem outros tipos
de publicações); (b) ano de publicação: artigos publicados entre os anos de 2012 e 2017.
A escolha pelos artigos indexados representa o intuito de obter publicações que são
avaliadas por pares, com maior controle da qualidade dos estudos, além de conteúdo
mais acessível.
Os critérios de exclusão também foram previamente estabelecidos: (a) Idioma do artigo na
íntegra: somente artigos publicados em português ou inglês (a base PsycInfo não ofereceu
a ferramenta de filtro por idioma, portanto o idioma foi inserido como critério de exclusão;
(b) recorte metodológico: somente artigos de pesquisas empíricas, excluindo-se, por tanto,
estudos de revisão de literatura, teóricos e relatos de validação de instrumentos/escalas; (c)
Recorte temático: foram excluídos artigos que contemplavam os construtos de interesse,
porém com foco em outras especificidades, como: avaliação de programas de intervenção,
estudos com amostras clínicas/referidas, com famílias de crianças de desenvolvimento
atípico e com famílias nucleares; (d) idade das crianças da amostra: foram excluídos os
artigos que compreendiam amostras exclusivas de crianças com idade acima de 6 anos; e
(e) tipo de acesso: artigos cujo texto na íntegra estivesse indisponível.
A ordem de análise do recorte temático dos artigos se deu primeiro pelos resumos, com
caráter eliminatório. Nas situações geradoras de dúvida sobre a inclusão do manuscrito
para análise, as investigadoras leram o texto integralmente e a decisão de inclusão ou
exclusão se deu por consenso. Os artigos foram importados e organizados por meio do
gerenciador de referências Zotero, e a revisão sistemática foi conduzida com base na
adaptação da metodologia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-
Analyses – PRISMA (Moher & Tsertsvadze, 2006), que consiste em uma série de diretrizes
e engloba uma lista de verificação de itens sobre os principais pontos de análise do
material coletado.
Os dados foram analisados, inicialmente, por meio das características gerais dos artigos:
ano de publicação, amostra, país onde foram realizados, delineamento metodológico e
instrumentos adotados pelos pesquisadores. Posteriormente, os resultados dos estudos
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foram discutidos criticamente e avaliados no que diz respeito à influência das variáveis
em pauta da dinâmica das famílias divorciadas, buscando contemplar implicações para
os campos teórico e prático.
Resultados
Conforme evidenciado na Figura 1 (apresentada logo após a sessão de referências), foram
encontradas 404 publicações, das quais 160 foram excluídas por duplicidade, restando
244 resumos lidos. Na amostra final, oito estudos abordaram o construto envolvimento
parental e nove trataram do construto coparentalidade. Após a leitura dos artigos na
íntegra, todas as pesquisas sobre práticas parentais anteriormente identificadas (n = 3)
foram eliminadas por utilizar amostras de pais de crianças com 6 anos ou mais, ou seja,
fora do escopo delimitado.
Na Tabela 1 os artigos de 1 a 8 tratam do envolvimento parental e os seguintes, de
9 a 17, são sobre coparentalidade. Quanto aos anos de publicação, houve bastante
variabilidade, com destaque para os anos de 2014 e 2016, ambos com cinco publicações.
Em relação aos países onde foram conduzidas as pesquisas, nove foram realizadas nos
Estados Unidos, duas em Portugal e cada uma das demais em diferentes países.
Conforme apresentado na Tabela 2, dentre as oito pesquisas sobre envolvimento
parental, apenas uma teve amostra exclusiva de homens e outra de díades parentais,
e três estudos utilizaram exclusivamente mulheres. Amostras mistas, ou seja, de pais
e mães que não eram díades parentais, foram representadas por três estudos, porém,
mesmo nesses casos, houve número maior de mães. Já em relação aos nove estudos
coletados sobre coparentalidade, três utilizaram relatos de pais e de mães (não díades) e
nas seis pesquisas restantes somente mães foram respondentes.
Figura 1. Fluxograma de identicação e seleção dos artigos.
404 estudos identificados PsycINFO (n = 226);
Web of Science (n = 99); BVS (n = 79)
160 duplicados e removidos
213 estudos removidos pelos critérios de
exclusão
31 estudos selecionados para leitura integral
14 estudosremovidos após a leitura na integra
(i) Artigos não publicados nos idiomas inglês ou português (n =
13); (ii) Revisões de literatura e artigos teóricos (n = 33); (iii)
Estudos que não contemplavam os construtos coparentalidade,
envolvimento parental e/ou prácticas parentais (n = 57); (iv)
Artigos com foco em programas de intervenção, amostras
clínicas e familias nucleares (n = 80); (v) Estudos que não
compreendiam amostras de crianças menores de 6 anos (n = 21);
(vi) Artigos que se tratam de validação de escalas/instrumentos
(n = 9).
(i) Estudos que não contemplavam os construtos
coparentalidade, envolvimento parental e/ou prácticas parentais
(n = 3); (ii) Revisões de literatura e artigos teóricos (n = 1); (iii)
Estudos que não compreendiam amostras de crianças menores
de 6 anos (n = 6); (vi) Artigos com foco em programas de
intertvenção, amostras clínicas e famílias nucleares (n = 4).
Envolvimiento parental nocontexto das familias binucleares
(n = 8). Coparentalidade no contexto das familias binucleares
(n = 9). Prácticas parentais no contexto das familias
binucleares (n = 0).
Inclução Identificação
Elegibilidade
Seleção
17 estudos incluidos para análise
244 resumos lidos
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Tabela 1
Caracterização geral dos estudos
Id. Título Autores Ano País
1 Predictors of Involvement and Warmth of Custodial Fathers
in Israel: Comparison with Married and Noncustodial
Divorced Fathers
Finzi-Dottan e
Cohen
2016 Israel
2 Parenting Style, Parental Adjustment, and Co-Parental Conict:
Dierential Predictors of Child Psychosocial Adjustment
Following Divorce
Stallman e
Ohan
2016 Austrália
3 Nonresident Father Involvement with Children and Divorced
Women’s Likelihood of Remarriage
McNamee,
Amato e King
2014 EUA
4 Parents apart: dierences between unmarried and divorcing
parents in separated families
Waller e Emory 2014 EUA
5 Do nonresident fathers compensate for a lack of household
resources? The associations between paternal involvement and
children’s cognitive and educational assessments in the UK
Tanskanen e
Erola
2017 Reino
Unido
6 Father Contact Following Union Dissolution for Low- Income
Children in Urban South Africa
Madhavan,
Richter e Norris
2016 África do
Sul
7 Non-resident parent-child contact after marital dissolution and
parental repatterning: Evidence from Italy
Meggiolaro e
Ongaro
2015 Itália
8 Who Is the Residential Parent? Understanding Discrepancies in
Unmarried Parents’ Reports
Waller e Jones 2014 EUA
9 Pers de Vinculação, Coparentalidade e Ajustamento Familiar em
Pais Recém-Divorciados: Diferenças no Ajustamento Psicológico
Lamela,
Figueiredo e
Bastos
2013 Portugal
10 Typologies of Post-divorce Coparenting and Parental Well-Being,
Parenting Quality and Children’s Psychological Adjustment
Lamela,
Figueiredo,
Bastos e
Feinberg
2016 Portugal
11 Implications of New Marriages and Children for Coparenting in
Nonresident Father Families
McGene e King 2012 EUA
12 Perceived Barriers to Postdivorce Coparenting: Differences
Between Men and Women and Associations with
Coparenting Behaviors
Russell,
Beckmeyer,
Coleman e
Ganong
2016 EUA
13 Postdivorce Coparenting Typologies and Children’s Adjustment Beckmeyer,
Coleman e
Ganong
2014 EUA
14 Coparenting and Children’s Adjustment to Divorce: The Role of
Geographical Distance from Fathers
Viry 2014 Suíça
15 Factors Linked with Coparenting Support and Conict After Divorce Petren, Ferraro,
Davis e Pasley
2017 EUA
16 Coparenting and Nonresident Fathers’ Monetary Contributions
to Their Children
Goldberg 2015 EUA
17 Patterns and Predictors of Coparenting After Unmarried
Parents Part
Goldberg e
Carlson
2015 EUA
Nota. Os estudos foram rotulados com um código (Id.) a m de facilitar a identicação nas tabelas.
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Tabela 2
Características das amostras e instrumentos utilizados nos estudos
Id. Amostra Instrumentos utilizados nos estudos
1 545 pais (homens) com lho(s)
menor(es) de 18 anos (218 que
detinham a custódia da criança, 222
casados e 105 divorciados sem a
custódia da criança).
- Envolvimento parental: Instrument of Father Involvement (Hawkins,
et al., 2002).
- Autoecácia parental: Parenting Sense of Competence (Johnston,
& Mash, 1989).
- Calor parental: PARQ-Short (Rohner, Khaleque, & Cournoyer, 2005).
- Coordenação coparental: subescala derivada da Relationship
between Former Spouses Scale (Goldsmith, 1980).
2 96 mães e 13 pais com lho(s) entre 4 e
17 anos, que não eram díades parentais.
- Estilo parental: Parenting Scale (Arnold, et al., 1993);
- Conito coparental: Acrimony Scale (Shaw & Emery, 1987).
3 882 mães, com lho(s) menor(es) de 18
anos residentes com a mãe.
- Envolvimento do pai não-residente: (a) frequência de contato e
(b) pagamento de apoio à criança.
4 1.630 mães e 1.047 pais com lho(s)
de 1, 3 ou 5 anos, que não eram
díades parentais.
- Qualidade do relacionamento com o pai: escala likert de 1
(ruim) a 5 (excelente).
5 3445 mães, com a(s) criança(s) de
idade média de 11 anos, residentes
com a mãe.
- Cooperação parental: escala likert de 1 (nunca é verdadeiro) a
4 (sempre é verdadeiro).
6 828 mães, com lho(s) menor(es) de 11
anos, residentes com a mãe.
- Contato parental: relato dos pais e das mães sobre a quantidade
e a qualidade do contato com a(s) criança(s).
7 1214 pais com lho(s) menor(es) de
17 anos, sendo 1.079 com criança(s)
residentes com a mãe e 135 com
criança(s) residentes com o pai.
- Envolvimento parental: frequência de contato pessoal e por
telefone: escala likert de 1 (todos os dias) a 6 (nunca).
8 1156 díades parentais, com lho(s) de
1, 3 ou 5 anos.
- Envolvimento parental: variável categórica para distinguir
os pais que passam noites com a mãe e o lho de pais que
passavam noites apenas com a criança; e qualidade da relação
com a criança: escala likert de (1) pobre a (5) excelente.
9 53 mães e 28 pais com lho(s)
menor(es) de 5 anos, que não eram
díades parentais.
- Coparentalidade: Parenting Alliance Measure (Abidin &
Konold, 1999).
10 244 mães e 80 pais com lho(s)
entre 4 e 16 anos, que não eram
díades parentais.
- Coparentalidade: Coparenting Relationship Scale (Feinberg
et al., 2012).
11 628 mães, com lho(s) entre 2 e 14
anos, residentes com a mãe.
- Cooperação coparental: dois itens, que mensuravam (1) a
inuência que o pai teve nas principais decisões de criação dos
lhos e (2) com que frequência a mãe e o pai discutiam sobre
a criança.
12 180 mães e 111 pais, com lho(s)
entre 3 e 18 anos, que não eram
díades parentais.
- Barreiras à coparentalidade pós-divórcio: 13 itens desenvolvidos
para o estudo. Resultaram em três subescalas: nanceira legal,
temporal logística e aptidão parental;
Continue...
de Souza, Fiorini, & Crepaldi
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O envolvimento parental foi tratado pelos autores a partir de diferentes concepções,
incluindo calor parental (manifestação de aceitação dos pais, carinho, cuidado, conforto,
preocupação, nutrição, apoio e amor); autoeficácia parental (crença em relação à própria
capacidade de desempenhar sua função como pais (Finzi-Dottan & Cohen, 2016); e
qualidade do relacionamento dos pais com a criança (Waller & Emory, 2014). Um dos
artigos (Stallman & Ohan, 2016) trabalhou com o conceito de estilo parental (Arnold et al.,
1993), que compõe um conjunto de atitudes relativamente estáveis adotadas pelos pais,
no que diz respeito às questões de poder, hierarquia e apoio emocional na relação com
os filhos (Böing & Crepaldi, 2016).
Tabela 2
Características das amostras e instrumentos utilizados nos estudos
Id. Amostra Instrumentos utilizados nos estudos
12 180 mães e 111 pais,
com lho(s) entre 3 e
18 anos, que não eram
díades parentais.
- Comportamentos de coparentalidade pós-divórcio: três dimensões: quantidade
de comunicação coparental: Coparental Interaction Scale (Ahrons, 1981); cooperação
cooperantal; e conito coparental com o seu ex-cônjuge: subescalas do Coparenting
Questionnaire (Margolin et al., 2001).
13 270 mães, com lho(s)
entre 3 e 19 anos.
- Cooperação coparental: subescala de seis itens do Coparenting Questionnaire
(Margolin et al., 2001).
- Coparentalidade conituosa: subescala conito de quatro itens do Coparenting
Questionnaire (Margolin et al., 2001).
- Comunicação coparental: Coparental Interaction Scale (Ahrons, 1981).
14 144 mães com lho(s)
entre 5 e 14 anos.
- Proximidade residencial dos pais: a distância foi recodicada em três categorias.
- Frequência de contato face-a-face e indiretos (telefone, e-mail): escala likert de (1)
todos os dias a (5) nunca ou quase nunca.
- Coesão coparental: itens foram baseados na interação das mães com seus ex-
parceiros e lhos quando todos três estavam sicamente.
15 176 mães, com lho(s)
menor(es) de 18 anos.
- Apoio à coparentalidade, conito aberto e conito encoberto: seis itens da
Quality of Coparental Communication Scale (Ahrons, 1981) e nove itens da
Coparental Competition and Conict (Buehler & Trotter, 1990).
- Importância do envolvimento do pai para o desenvolvimento da criança: cinco
itens da Parental Involvement Scale (Ahrons & Miller, 1993), três itens do Praise
and Aection subscale of the Inventory of Father Involvement Scale (Hawkins
et al., 2002) e cinco itens desenvolvidos para a pesquisa, a m de avaliar a
importância de prover monetariamente a criança.
16 1.752 mães com lho(s)
menor(es) de 9 anos.
- Contribuições monetárias dos pais não residentes para o lho: respostas das
mães a uma série de perguntas formuladas para o estudo.
- Relação coparental: cinco itens elaborados para o estudo mais amplo:
frequência de comportamentos e avaliação de elementos-chave de apoio
coparental, incluindo comunicação, conança e respeito mútuo.
17 1.193 mães com lho(s)
menor(es) de 9 anos.
- Relação coparental: cinco itens elaborados para o estudo: frequência de
comportamentos e avaliação de elementos-chave de apoio coparental,
incluindo comunicação, conança e respeito mútuo.
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Consequentemente, o construto envolvimento parental foi mensurado de formas
diversificadas. Metade das pesquisas (quatro) utilizaram como medida do envolvimento
parental a frequência de contato do pai ou da mãe não residente com a criança,
sendo que dois dos estudos incluíram o apoio financeiro ao(s) filho(s). Foram
identificadas duas escalas validadas de avaliação do envolvimento parental: Escala
de Envolvimento Parental ou Parental Involvement Scale (Ahrons & Miller, 1993); e
Instrumento de Envolvimento do Pai ou Instrument of Father Involvement (Hawkins
et al., 2002), sendo que esse último foi desenvolvido especificamente para avaliar o
envolvimento paterno.
As pesquisas sobre coparentalidade abordaram aspectos como cooperação coparental
(frequência com que os pais discutem sobre educação dos filhos e o quanto atribuem
influência do ex-cônjuge nas decisões sobre a(s) criança(s); coesão coparental
(frequência com que os pais promoviam relação positiva pai/mãe-criança tanto em
comportamentos públicos/externos, quanto em comportamentos privados); relação
coparental (frequência de comportamentos e elementos do suporte coparental,
incluindo comunicação, confiança e respeito mútuo no papel parental); e barreiras
à coparentalidade pós-divórcio (barreira financeira legal, temporal logística e de
aptidão parental).
Os instrumentos para mensurar a coparentalidade também foram bastante
diversificados. Uma pesquisa empregou a Medida da Aliança Parental ou Parenting
Alliance Measure (Abidin & Konold, 1999), outro estudo utilizou ou Escala de Relação
Coparental ou Coparenting Relationship Scale (Feinberg et al., 2012). O Questionário
de Coparentalidade ou Coparenting Questionnaire (Margolin et al., 2001) foi usado
em duas investigações, assim como a Escala de Interação Coparental ou Quality of
Coparental Communication Scale (Ahrons, 1981). Para avaliar a coordenação coparental,
foi empregada a Escala de Relacionamento entre Ex-Cônjuges ou Relationship between
Former Spouses Scale (Goldsmith, 1980); e para mensurar o conflito coparental, utilizou-
se a Escala de Acrimonia ou Acrimony Scale (Shaw & Emery, 1987). Quatro das nove
pesquisas sobre coparentalidade utilizaram itens desenvolvidos especificamente para
os estudos em questão.
Complementando as informações expostas nas tabelas, é importante pontuar que
sete estudos compilados tiveram delineamento metodológico longitudinal e 10 foram
transversais. As análises dos dados, em todas as publicações, empregaram procedimentos
de estatística descritiva (descrição de médias e desvios-padrão) e inferencial, de acordo
com os problemas de pesquisa de cada artigo (testes T, análise de variância e covariância,
análise fatorial confirmatória e exploratória, testes de correlação, regressões logísticas
e lineares múltiplas, análise multivariada, testes de modelos de mediação múltipla e
modelagem de equações estruturais). Por fim, a sistematização dos objetivos e principais
resultados dos estudos coletados são apresentados na Tabela 3.
de Souza, Fiorini, & Crepaldi
Actualidades en Psicología, 34(129), 2020, 119-140
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Tabela 3
Objetivos e principais resultados dos estudos
Id. Objetivos Principais resultados
1 Comparar os níveis e preditores de
calor e envolvimento parental entre
três grupos de pais: 1. Divorciados
que detinham a custódia da criança;
2. Casados; e 3. Divorciados que não
detinham a custódia da criança.
Os pais divorciados que detinham a custódia da criança
apresentaram níveis mais elevados de envolvimento parental,
se comparados aos pais casados ou que não tinha a custódia
do lho. Especicamente para esses pais, a coparentalidade
associou-se positivamente ao envolvimento parental. O
tipo de cuidado recebido pelos pais de seus próprios pais,
bem como a autoecácia paterna, foram preditores do
envolvimento parental.
2 Examinar se o ajustamento parental
(angústia e raiva), o conito coparental
e o estilo parental (permissividade
e excesso de reatividade) previam o
ajustamento infantil (comportamentos
internalizantes e externalizantes da
criança), após o divórcio dos pais.
Observou-se que a falta de ajustamento mental dos pais
divorciados (ou seja, o aumento da angústia e da raiva de
ambos os pais), o alto nível de conito coparental e o estilo
parental permissivo foram fatores preditivos para o aumento
dos problemas emocionais e comportamentais das crianças.
3 Investigar se o envolvimento parental
de pais não residentes afetou a
possibilidade de recasamento da mãe
divorciada e o apoio nanceiro do pai
em relaçãoà criança.
O recasamento da mãe divorciada foi positivamente
associado ao envolvimento parental do pai não residente,
mas não se associou ao recebimento de apoio nanceiro por
parte do pai à criança.
4 Examinar e comparar as circunstâncias
dos pais solteiros e dos que já foram
casados com a mãe da criança, mas
vivem separados, cinco anos depois do
nascimento do lho.
Foi constatado maior nível de envolvimento parental (contato
e qualidade do relacionamento com a criança, e cooperação
parental) entre os pais divorciados que em algum momento
tiveram proximidade tanto com a ex-esposa quanto com o lho,
se comparados àqueles pais que nunca foram casados com a
mãe da criança.
5 Identicar se o envolvimento parental
de pais residentes e não residentes
com a criança após o divórcio estaria
associado a maiores realizações das
crianças em termos cognitivos e
educacionais, e ao nível educacional e
de renda da família.
Observou-se associação positiva entre envolvimento parental
e realizações do lho; e negativa entre envolvimento parental
e maior nível educacional/de renda entre os pais que não
residiam com a criança.
6 Analisar o envolvimento de pais
negros não residentes com seus
lhos após a dissolução conjugal,
examinando os padrões de contato
do pai em relação ao estágio de vida
da criança no momento da dissolução
conjugal, da entrada da mãe em um
novo relacionamento e das possíveis
mudanças no padrão de contato do
pai ao longo do tempo.
Foi constatado que nos primeiros cinco anos após a
dissolução conjugal: (1) crianças que estavam na fase de vida
de 3 a 5 no momento de dissolução enfrentam probabilidades
substancialmente mais altas de não ter contato com o pai
comparadas com aquelas que estavam no grupo de 0 a 2 e (2)
crianças que estavam na faixa etária entre 6 e 11 anos apresentaram
chances mais baixas de contato intermitente. Além disso, a entrada
da mãe em uma nova união aumentou a probabilidade da criança
de ter pouco ou nenhum contato com o pai.
Continue...
Coparentalidade e envolvimento parental em famílias binucleares
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129
Tabela 3
Objetivos e principais resultados dos estudos
Id. Objetivos Principais resultados
7 Analisar como o contato dos pais e mães
não residentes com seus lhos variava
de acordo com uma nova união do ex-
cônjuge (residente ou não-residente) e
investigar se o relacionamento entre o
contato parental diferia de acordo com
o gênero do pai não residente.
O recasamento dos pais (considerando pais e mães) associou-
se positivamente ao menor contato entre pais não residentes e
seus lhos somente no caso de pais (homens); no caso de mães
não residentes, contrariamente, uma nova união conjugal se
correlacionou com o aumento do contato com a criança.
8 Realizar uma análise comparativa dos
relatórios de pais e mães divorciados
(decorrentes do Fragile Families and
Child Wellbeing) a respeito da situação
de moradia dos lhos, ou seja, buscando
identicar se havia discrepância no relato
de pais e mães referentes ao lugar onde
os lhos passavam a maior parte do
tempo (na casa do pai ou da mãe).
Observou-se que a falta de rede de apoio por parte de
ambos os pais foi preditiva para a menor acessibilidade
ao lho. Foi possível, ainda, identicar dois tipos diferentes
de arranjos familiares, que poderiam contribuir para
a discrepância dos dados dos relatórios: alguns pais
viviam com a mãe (ex-parceira) em tempo parcial e
outros passavam noites especicamente com o lho,
sem relacionar-se com a mãe. Mais de um terço dos pais
discordavam a respeito de com quem seu lho vivia” e
que a discrepância nos relatórios era muito mais provável
quando os pais passavam algumas noites com a mãe (um
indicador de coabitação em tempo parcial).
9 Testar se pers de regulação individual-
diádico-sistêmico após o divórcio
poderiam ser identicados e conrmados
empiricamente, e examinar diferenças
ao nível do ajustamento psicológico e
de variáveis sociodemográcas dos pais
recém-divorciados.
Três padrões de regulação foram identicados: regulado-
seguro (RS), desregulado-ansioso (DA) e desregulado-
evitante (DE). O grupo RS mostrou níveis mais elevados
de segurança na vinculação, maior qualidade na
coparentalidade e no ajustamento familiar, se comparados
aos outros dois grupos.
10 Identicar os pers de coparentalidade
após o divórcio e examinar a relação
desses pers com níveis de bem-estar
dos pais, práticas parentais e problemas
psicológicos das crianças.
O grupo de pais com níveis altos de conito coparental exibiu
pontuações signicativamente menores de satisfação de vida,
bem como graus signicativamente maiores de afeto negativo
relacionado ao divórcio e de paternidade inconsistente. O
grupo com maior coparentalidade cooperativa relatou níveis
mais elevados de funcionamento familiar positivo e menos
problemas de externalização e internalização em seus lhos.
11 Investigar a importância dos
recasamentos e novos lhos dos pais
e mães residentes para os níveis de
cooperação coparental e testar se as
mudanças na coparentalidade estavam
ligadas às mudanças nos estatutos
matrimoniais ou de fertilidade dos pais.
As mudanças na estrutura familiar (recasamento ou novo lho)
do pai mostraram-se mais importantes para a cooperação
coparental do que para as mudanças na estrutura familiar da
mãe. A distância da casa do pai (homem) foi signicativa, com
uma distância crescente associada com uma diminuição na
coparentalidade ao longo do tempo.
Continue...
de Souza, Fiorini, & Crepaldi
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Tabela 3
Objetivos e principais resultados dos estudos
Id. Objetivos Principais resultados
12 Comparar as percepções de pais
e mães sobre como e quanto
as barreiras legais-nanceiras,
tempo-logística e as barreiras de
aptidão parental inuenciaram a
coparentalidade pós-divórcio.
Os homens perceberam maiores barreiras legais-nanceiras e
de tempo-logística na coparentalidade pós-divórcio do que as
mulheres e relataram relações menos positivas de coparentalidade.
Não houve diferenças de gênero para as barreiras de aptidão
parental. As mulheres tendiam a se comunicar menos com
os homens quando percebiam mais preocupações jurídico-
nanceiras relacionadas ao divórcio.
13 Classicar a percepção de pais
divorciados sobre o relacionamento
com o ex-cônjuge e testar se as
percepções dos pais acerca do
ajustamento dos lhos após o
divórcio diferiam com base nas
suas percepções do relacionamento
coparental pós-divórcio.
A coparentalidade conituosa foi positivamente associada à maior
percepção dos pais em relação a problemas de comportamento de
externalização e internalização dos lhos, bem como negativamente
associada com habilidades sociais das crianças. A comunicação
coparental foi associada negativamente ao comportamento de
internalização das crianças. Aproximadamente, 31% da amostra
apresentou coparentalidade cooperativa, 45% coparentalidade
moderadamente engajada e 24% coparentalidade conituosa.
14 Explorar como a distância entre
as casas dos pais (homens)
relacionava-se à promoção
materna do relacionamento
pai-lhos (coesão coparental)
e aos desfechos emocionais e
comportamentais das crianças.
Tanto a coparentalidade como a proximidade dos pais tiveram
efeitos positivos e independentes no bem-estar emocional e
comportamental das crianças. Crianças com pais vivendo nas
proximidades tiveram probabilidade signicativamente menor
de ter graves diculdades comportamentais de hiperatividade
e probabilidade signicativamente maior de comportamento
pró-social. A coesão coparental previu níveis signicativamente
mais baixos de diculdades comportamentais, de hiperatividade
e com os pares. Nem a frequência de contato pai-lho nem
o arranjo de custódia infantil inuenciaram signicativamente
as diculdades das crianças. Os pais (homens) foram mais
propensos a ligar ou enviar por e-mail aos lhos quando
facilitavam o envolvimento paterno.
15 Examinar a relação entre
os indicadores pessoais e
interpessoais do ajustamento
pós-divórcio e as dimensões da
coparentalidade (suporte, conito
aberto e conito encoberto).
Satisfação com o divórcio, satisfação com a parentalidade do
pai e a importância do pai foram positivamente relacionados
com o suporte coparental. O conito coparental foi relacionado
negativamente à satisfação com o divórcio, e a satisfação com a
parentalidade do pai foi positivamente associada ao estresse.
16 Analisar como a coparentalidade
— o grau em que os pais (homens)
são mutuamente solidários e
cooperativos na criação de seus lhos
— estava relacionada às contribuições
monetárias dos pais não residentes.
Níveis mais elevados de coparentalidade foram associados a
maiores probabilidades de pagamento dos pais não residentes.
Porém, o maior preditor de contribuição foi o emprego do pai.
Continue...
Coparentalidade e envolvimento parental em famílias binucleares
Actualidades en Psicología, 34(129), 2020, 119-140
131
Discussão
O primeiro ponto a ser observado nesta revisão refere-se a ausência de estudos sobre
práticas parentais dentro dos critérios de busca estabelecidos, o que acabou por atender
apenas parte do objetivo proposto, gerando uma lacuna que precisa ser discutida. O
conjunto de comportamentos e atitudes que constituem a parentalidade recebe diferentes
designações na literatura científica, como, por exemplo: práticas parentais, práticas
educativas, práticas de cuidados, estilos parentais e cuidados parentais (Kobarg et al., 2010).
Considerando que a finalidade deste estudo era trabalhar com amostras de famílias com
crianças na primeira infância, optou-se por empregar a expressão “práticas parentais”, já que
esse termo vem sendo utilizado nos estudos com filhos de até seis anos de idade, e quando
se fala em “práticas educativas”, há predomínio de pesquisas com famílias de adolescentes
(Macarini et al., 2010). Além disso, as constatações da revisão realizada por Macarini et al.
(2010) parecem ainda ser válidas para a presente pesquisa, dado o crescimento significativo
de investigações sobre práticas educativas nos últimos anos, possivelmente devido à
emergência de novas escalas mais condizentes com esse construto.
Nesse mesmo sentido, cabe destacar o emprego de uma ampla variedade de conceitos
e instrumentos que foram tratados pelos pesquisadores dentro das concepções de
envolvimento parental e coparentalidade. A análise dessa diversidade remete a uma reflexão
acerca da falta de delimitação clara das definições, o que tende a dificultar tanto o processo
de operacionalização quanto de uma compreensão sistematizada acerca das temáticas.
Parte disso deve-se à própria trajetória de exploração científica tanto da coparentalidade
quanto do envolvimento parental, já que ambos os fenômenos emergiram enquanto
construtos psicológicos associados a estudos das relações familiares após processos de
divórcio/separação conjugal (Lamela, Figueiredo et al., 2010; Gomes et al., 2014). A falta de
pesquisas brasileiras dentro do escopo e do período delimitados por esta pesquisa é um
ponto a ser destacado, e, possivelmente, deve-se ao mesmo motivo, pois as temáticas da
coparentalidade e do envolvimento parental são mais recentes na literatura, se comparadas
à práticas parentais e aos estilos parentais (Gomes et al., 2014; Flouri et al., 2016).
Tabela 3
Objetivos e principais resultados dos estudos
Id. Objetivos Principais resultados
17 Descrever os padrões de coparentalidade
ao longo de seis anos após o término
de uma relação conjugal e identicar as
características individuais e interpessoais
associadas com a coparentalidade ao
longo do tempo.
A qualidade do relacionamento romântico dos pais, quando
eles ainda estavam juntos, foi um preditor forte e consistente
de sua trajetória de coparentalidade subsequente. Casais
em que a mãe começou um relacionamento com um
novo parceiro eram mais propensos a estar em um nível
consistentemente baixo de coparentalidade. No entanto,
a fertilidade multiparceira de mães foi positivamente
associada com as mães que tiveram um lho com outro
parceiro eram mais propensas a estar no grupo de
coparentalidade consistentemente elevado do que declinar
de alta para baixa ou ser consistentemente baixo. Por outro
lado, quando os homens tinham uma criança com outro
parceiro, os pais eram menos propensos a estar no grupo
de alta qualidade coparental.
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Actualidades en Psicología, 34(129), 2020, 119-140
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A partir da década de 1990, a coparentalidade começou a ser alvo de estudos em
famílias nucleares (Belsky et al., 1995), sendo que somente nas duas últimas décadas o
conceito passou a ser explorado em diferentes configurações familiares (Lamela et al.,
2010). Já quando se trata do envolvimento parental, a ideia inicial dos pesquisadores,
anteriormente à década de 1990, originou-se em função do aumento no número de
divórcios, com o objetivo de avaliar especificamente o envolvimento do pai (homem)
não-residente na vida dos filhos após a separação conjugal. A estrutura conceitual do
envolvimento parental proposta por Lamb et al. (1985) é a mais empregada em pesquisas
empíricas, com o objetivo de investigar o envolvimento de ambos os progenitores com a
criança, sob a denominação de envolvimento parental (Flouri et al., 2016).
Em revisão de literatura, Gomes et al. (2014) encontraram 15 instrumentos de mensuração
do envolvimento paterno, porém boa parte dos instrumentos compilados também são
direcionados também à figura da mãe, ou seja, tratam-se do envolvimento parental. Além
disso, nem todas as descrições das escalas forneciam informações objetivas referentes
à definição, à validade e à confiabilidade. O mesmo ocorreu na presente revisão,
pois nem todos os autores apontaram os índices de consistência interna das escalas
empregadas e dos questionários elaborados/aplicados. Essa ausência de padronização,
como a confusão entre diferentes expressões, sugerem certa carência no que diz
respeito à avaliação quantitativa do envolvimento parental (Gomes et al., 2014). Outro
estudo de natureza semelhante desenvolvido por Carvalho e Barham (2016) apresentou
dados parecidos em relação à coparentalidade. Os pesquisadores identificaram oito
instrumentos internacionais que avaliam o construto, porém somente três apresentaram
evidências satisfatórias de validade e precisão.
Em relação às amostras, evidencia-se a ampla variedade na faixa etária das crianças, sendo
que as investigações envolveram pais e mães com filhos desde a idade pré-natal até a
adolescência. Essa mesma constatação foi observada anteriormente, em uma revisão que
analisou estudos brasileiros sobre o papel paterno no desenvolvimento infantil (Bueno &
Vieira, 2014) e pode retratar o interesse da produção científica em abarcar fases variadas
do desenvolvimento infantil (Gomes et al., 2014). Todavia, questiona-se a respeito da
generalização dos resultados a partir de faixas etárias tão amplas, uma vez que as
peculiaridades do desenvolvimento psicológico infantil em cada fase podem ocasionar
diferentes respostas ao comportamento dos pais divorciados. Mosmann et al. (2017), por
exemplo, avaliaram associações entre conjugalidade, parentalidade e coparentalidade
com problemas comportamentais dos filhos, e identificaram que as crianças com até
sete anos e o grupo de adolescentes entre 11 e 15 anos foram os que mais apresentaram
problemas de comportamento de externalização.
Em concordância com pesquisas anteriores (Grzybowski & Wagner, 2010; Macarini et
al., 2010), houve predomínio de mães como participantes nas amostras. Nesse sentido,
mesmo que o pai esteja assumindo, gradativamente, maior representatividade nas
pesquisas científicas ao longo da história da psicologia, a ênfase na interação entre mãe
e criança foi prevalecente, bem como a maior facilidade de acesso às mães por parte
dos pesquisadores (Gomes et al., 2014; Macarini et al., 2010; Grzybowski & Wagner, 2010).
Condizente com esses dados, Grzybowski e Wagner (2010) afirmam que as mães se
envolvem mais com a criança após a dissolução conjugal. Dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) corroboram, dado que 74.4% das mães ficam responsáveis
pela guarda em casos de divórcios judiciais. Atenta-se, ainda, para o fato de que algumas
investigações utilizaram como única base o relato das mães. Isso pode ocorrer devido à
Coparentalidade e envolvimento parental em famílias binucleares
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dificuldade de acesso ao pai (Bueno & Vieira, 2014), porém tende a ser um dado parcial,
especialmente nos casos em que há algum tipo de conflito coparental (McGene & King,
2012; Viri, 2014; Goldberg, 2015).
Os progenitores do sexo masculino, que fazem parte importante do principal microssistema
da criança, deveriam atuar como provedores de mecanismos de proteção, fornecendo
carinho, cuidados, estabilidade e satisfação das necessidades dos filhos, aspectos que
compõe uma parentalidade positiva (Pereira et al., 2015). Embora a literatura científica
ainda constate que esse papel é realizado preponderantemente pelas mulheres, em alguns
estudos sobre envolvimento parental, observou-se a influência paterna positiva para o
desenvolvimento dos filhos, em termos cognitivos e comportamentais (Bueno & Vieira,
2014; Stallman & Ohan, 2016; Tanskanen & Erola, 2017). Mais especificamente, cita-se a
pesquisa com pais não residentes de Tanskanen e Erola (2017), que identificou associação
positiva entre envolvimento paterno e realizações cognitivas e educacionais dos filhos.
Destaca-se que em revisão de literatura mais recente, Oliveira e Crepaldi (2018)
sistematizaram estudos que mostraram associações positivas entre envolvimento paterno,
desenvolvimento saudável e aumento da autoestima e do bem-estar da criança, e
associações negativas com problemas de comportamento internalizantes e externalizantes
na infância. Dessa forma, mesmo que a importância da figura do pai na literatura científica
seja uma dedução recente, o envolvimento paterno tende a relacionar-se positivamente a
diversos elementos de saúde psicológica dos filhos (Bueno & Vieira, 2014).
Ao alinhar os fenômenos abordados por este estudo a partir das investigações
compiladas, observa-se associação tanto entre envolvimento parental e aspectos da
coparentalidade (Finzi-Dottan & Cohen, 2016; Stallman & Ohan, 2016) quanto desses
fenômenos com algumas variáveis exploradas nas investigações sistematizadas pela
revisão. Alguns achados sugerem que a proximidade física do pai com a criança é um
fator relevante para a qualidade do envolvimento parental. Pais separados que em
algum momento tiveram proximidade tanto com a ex-parceira quanto com o filho,
bem como aqueles que detinham a custódia do filho, apresentavam escores mais
elevados de envolvimento parental (Finzi-Dottan & Cohen, 2016; Waller & Emory,
2014). O mesmo parece ocorrer com a coparentalidade, sendo que nos casos em que
o pai se encontra mais distante fisicamente da criança, tendência de prejuízo à
coparentalidade (McGene & King 2012; Viry, 2014).
Alguns estudos exploraram os impactos das mudanças de configuração familiar dos ex-
cônjuges na relação coparental e no envolvimento dos pais divorciados com a criança.
De acordo com McNamme (2014), o recasamento da mãe parece estimular o maior
envolvimento do pai divorciado com a criança. Meggiolaro e Ongaro (2015) e Madhavan
et al. (2016) chegaram à conclusão inversa. Outra investigação anterior (Kalmijn, 2015)
revelou que o recasamento da mãe não afeta a qualidade do vínculo do pai com a criança.
Observa-se, ainda, que no caso do envolvimento parental das mães, contrariamente,
uma nova união conjugal do pai relacionou-se com o aumento do contato materno com
a criança (Meggiolaro & Ongaro, 2015).
Já no que concerne à coparentalidade, as mudanças no arranjo familiar pós divórcio
do pai influenciaram mais negativamente a coparentalidade do que as mudanças na
estrutura familiar da mãe e, em ambos os casos, os níveis de coparentalidade cooperativa
diminuíram com o passar do tempo (Madhavan et al., 2016; McGene & King, 2012).
Quando os homens tinham uma criança com outra parceira, havia um impacto negativo
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na coparentalidade, contrariamente ao que ocorreu com as mães (Goldberg & Carlson,
2015). Dessa forma, é notável que a conexão entre envolvimento parental, coparentalidade
e recasamento dos pais ainda carece de constatações científicas mais conclusivas.
Quanto às demais contribuições sobre coparentalidade, esta revisão sistemática indicou
associações positivas entre coparentalidade e indicativos de saúde psicológica nas
famílias após o divórcio, tanto no que concerne ao ajustamento infantil, quanto dos pais.
Resultados referentes aos progenitores indicaram que a coparentalidade cooperativa
associou-se positivamente à satisfação com a vida, ao padrão de vinculação seguro e
a melhores desfechos de ajustamento psicológico (Lamela et al., 2013; Lamela et al.,
2016). A coparentalidade positiva relacionou-se, ainda, a melhores índices de habilidades
sociais e ajustamento psicológico nas crianças (Lamela et al., 2016), e negativamente com
comportamentos internalizantes (Beckmeyer et al., 2014; Viry, 2014) e externalizantes
(Lamela et al., 2016; Viry, 2014). Esses achados, quando reunidos, parecem condizer com
o fato de que o funcionamento familiar como um todo é significativamente afetado pela
relação coparental, antes e depois do divórcio (Lamela et al., 2016; Stallman & Ohan, 2016).
Já a coparentalidade conflituosa esteve associada positivamente a desfechos psicológicos
menos saudáveis dos pais (Lamela et al., 2013), envolvendo aumento do estresse
parental (Petren et al., 2017). Esse dado mostra-se coerente com outros resultados da
literatura, pois quando a coparentalidade apresenta-se prejudicada, os níveis de sintomas
depressivos e estresse dos pais mostram-se muito elevados (Solmeyer & Feinberg, 2011).
A coparentalidade com altos níveis de conflito também esteve positivamente associada
a maior presença de problemas de internalização e de externalização (Beckmeyer et al.,
2014; Lamela et al., 2016) e negativamente associada ao comportamento pró-social nas
crianças (Beckmeyer et al., 2014; Viry, 2014).
Esses achados se mantêm coerentes com os resultados dos primeiros estudos sobre
coparentalidade com famílias divorciadas da década de 1980, de acordo com Feinberg
(2003). O autor ressalta que tais estudos mostravam, já naquela época, que não era
o divórcio, por si só, nem sequer particulares acordos de custódia, que afetavam
negativamente a adaptação da criança, mas sim um conjunto de fatores pós-divórcio,
sendo o mais importante o conflito interparental. Além disso, a relação conjugal anterior
à criança também tem se mostrado como um fator importante para a coparentalidade
antes e depois do divórcio (Goldberg e Carlson, 2015). Visto que a literatura tem mostrado
que esse prejuízo no ajustamento das crianças pode se dar por diversas variáveis não
exploradas envolvidas no processo de separação conjugal, para além do próprio divórcio
em si, faz-se ainda mais relevante que novas pesquisas explorem de maneira detalhada o
papel da coparentalidade nesse interjogo.
Os estudos sobre coparentalidade também apontam a relação entre coparentalidade e
percepção das mães sobre a parentalidade dos ex-parceiros (Petren et al., 2017; Russell
et al., 2016). As crenças, percepções e atitudes das mães diante da função do pai podem
promover ou impedir maiores níveis de participação do pai no cuidado direto com os filhos.
O endossamento da parentalidade do pai por parte da mãe da criança tende a promover
um senso se competência paterna elevado (Belsy et al., 1995) e aumentar a probabilidade
do pai de adotar práticas paternas positivas e estimular o suporte coparental com a
ex-parceira (Böing & Crepaldi, 2016). Há dados retratando, inclusive, que a percepção
materna da coparentalidade e o envolvimento da mãe funcionam como preditores do
envolvimento do pai (Hui-Hua, 2013).
Coparentalidade e envolvimento parental em famílias binucleares
Actualidades en Psicología, 34(129), 2020, 119-140
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Amato (2001) apontou que os estudos da década de 1990 relatam maior efeito do divórcio
e piores pontuações de ajustamento infantil do que aqueles publicados na década de
80. Mesmo na década seguinte, as pesquisas publicadas entre 2000 e 2010 seguiram
mostrando esses mesmos achados (Amato, 2010). Em ambas as revisões, os piores níveis
de ajustamento infantil são discutidos tanto pelo possível aumento de conflito interparental
quanto por dificuldades financeiras. Por fim, as pesquisas analisadas pelo presente
estudo parecem corroborar esses achados, sendo que tanto a coparentalidade quanto o
envolvimento parental influenciam no desenvolvimento das crianças, enquanto promovem
a parentalidade positiva de ambos os progenitores mesmo após o divórcio, atuando
como um mecanismo de proteção ao desenvolvimento infantil, independentemente da
configuração familiar.
As investigações sobre coparentalidade e sobre envolvimento parental exploraram, na
sua grande maioria, elementos distintos. Porém, como produto da presente revisão,
destacam-se dois elementos comuns principais: o impacto negativo do conflito
coparental em ambos os construtos e a associação tanto da coparentalidade quanto
do envolvimento parental com ajustamento infantil. A relação entre recasamento dos
progenitores e exercício da parentalidade também foi comum entre as pesquisas, porém
sem consenso nos achados sobre envolvimento parental.
É importante pontuar que os dados encontrados por este estudo apresentam limitações.
Devido ao caráter intrínseco à proposta desta revisão sistemática, estudos teóricos não foram
incluídos. Dessa forma, sugere-se explorar ensaios teóricos ou outras modalidades de revisão
de literatura (integrativa ou bibliométrica) que gerem resultados complementares aos que
já foram encontrados ou mesmo, novas descobertas que venham a questioná-los. Sugere-
se, ainda, que futuras pesquisas sobre as temáticas investigadas adotem faixas etárias com
delimitações mais estreitas, para que os resultados possam ser interpretados a partir do
conhecimento científico sobre as características das fases do desenvolvimento típico infantil.
Destaca-se, ainda, a necessidade de investigações quantitativas em âmbito nacional para
mapear a qualidade e a relação entre coparentalidade, envolvimento parental e práticas
parentais das famílias binucleares brasileiras. Estudos comparativos entre diferentes
culturas também poderiam ser interessantes para delimitar com mais clareza o significado
desses fenômenos no cotidiano de diferentes famílias. Além disso, pesquisas com foco na
figura do pai ainda são mais escassas e trariam elementos complementares aos resultados
atuais. Outro campo de exploração diz respeito à avaliação de fatores contextuais (por
exemplo, questões socioeconômicas, rede de apoio e/ou histórico familiar) que poderiam
impactar positiva ou negativamente nas variáveis abordadas por este estudo no contexto
de separação conjugal.
A família não deixa de existir após a dissolução do casamento, mas é obrigada a se
reconfigurar. Quando o casal tem filhos, os desafios ligados às práticas parentais positivas,
à coparentilidade e ao envolvimento dos pais com a criança parecem ser ampliados.
Nesse sentido, espera-se que os resultados deste estudo colaborem para que outros
pesquisadores amplifiquem o entendimento sistêmico dos fenômenos aqui explorados,
especialmente na busca de outras alternativas metodológicas para explorar as práticas
parentais e o envolvimento paterno na dinâmica de famílias que passem pelo processo de
divórcio. Essa revisão sistemática pode servir como base, ainda, para a elaboração de novas
pesquisas empíricas que venham a fornecer dados para fins de diagnóstico e intervenção
de psicólogos e outros profissionais que atuam com famílias binucleares, seja em contexto
familiar ou em grupos de intervenção.
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