
Actualidades en Psicología, 34(128), 2020, 1-15.
2
Introdução
O aumento da expectativa de vida vem gerando profundas transformações
sociodemográficas no cenário mundial (Ferreira, 2015). Isso, porque o envelhecimento
populacional identificado já há algum tempo nos países desenvolvidos, mostra-se
atualmente como uma realidade vivenciada também por países em desenvolvimento
(Fundo de População das Nações Unidas [UNFPA] & HelpAge International, 2012).
No cenário brasileiro, o envelhecimento da população está ocorrendo de forma
acelerada (Pereira, Carvalho, Souza, & Camarano, 2015). Até os anos 1980, século
passado, o Brasil era considerado um país jovem (Massi, Santos, Berberian, & Ziesemer,
2016). Destaca-se que os anos 1980 apresentaram importantes alterações demográficas,
como: o aumento da esperança de vida ao nascer, redução das taxas de fecundidade
e de mortalidade, bem como mudanças nos movimentos migratórios populacionais,
contribuindo para o envelhecimento populacional (Fundação Oswaldo Cruz, 2013).
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílios (PNAD), em
2017, a população brasileira era de 207.1 milhões de pessoas, sendo que a participação
dos idosos foi de 14.6% da população, o que compreende mais de 30 milhões de
habitantes (Instituto Nacional de Geografia e Estatística [IBGE], 2018). Dado que um
país é reconhecido como estruturalmente envelhecido quando pelo menos 7% de sua
população é composta por pessoas de 60 anos ou mais, constata-se que o Brasil já pode
ser considerado um “país de idosos” (Dawalibi, Goulart, & Prearo, 2014).
No que diz respeito ao envelhecimento, destaca-se que na literatura ainda persistem muitos
debates acerca do curso seguido por esse processo (Torres, Camargo, Boulsifield, & Silva,
2015). No entanto, nesta investigação será adotada a perspectiva do desenvolvimento
life-span, a qual concebe o envelhecimento como uma experiência heterogênea que pode
ocorrer de modo diferente para indivíduos e coortes que vivem em contextos históricos
distintos, evidenciando a existência de múltiplos padrões de envelhecimento (Baltes, 1987).
Salienta-se que o envelhecimento se diferencia da velhice por se caracterizar como
um processo enquanto aquela se refere a uma fase específica do desenvolvimento
humano (Neri, 2008). Portanto, o envelhecimento pode ser definido como um processo
multidimensional que envolve vários fatores, dentre esses, biológicos, psicológicos, sociais
e culturais (Fechine & Trompieri, 2012).
Enquanto objeto social, o envelhecimento se apresenta multifacetado justamente pela
multiplicidade de significados que evoca (Falcão & Carvalho, 2009). Em vista disso, no
estudo das Representações Sociais (RS) do envelhecimento devem-se respeitar as vivências
dos longevos, considerando os seus contextos psicossociais e familiares (Torres et al., 2015).
As RS são uma forma de conhecer o mundo a partir de explicações gestadas no conhecimento
do senso comum no que se refere a um determinado objeto social (Jovchelovitch, 2014). As
RS são saberes com objetivos práticos e, por isso, permitem a apreensão de sua dinâmica e
variedade (Maldonado, Vizeu, Giacomozzi, & Berri, 2017).
A representação possui um caráter simbólico, que atribui significados e um complexo de
imagens à formação de sentidos e de objetos sociais, munida de sua relação significado
Castro, Passos, de Araújo, & Santos